A gravura digital, giclée

A impressão giclée

A palavra giclée vem do francês e significa, literalmente, "jato de tinta". Este termo vem se firmando para designar as impressões de alta qualidade feitas por impressoras que misturam e pulverizam tinta sobre um suporte especial.

Impressões digitais (ou giclées) são agora parte permanente das coleções de museus internacionais tão importantes quanto o Metropolitan Museum of Art de Nova York, o Museum of Modern Art, o Whitney Museum of American Art, a Corcoran Gallery em Washington, e o Art Institute of Chicago.

Para o colecionador, importa saber que a obra de arte que ele adquire tem a durabilidade suficiente para perdurar no tempo sem se deteriorar. Assim, na impressão giclée, importa saber da durabilidade de dois materiais: as tintas da impressão e os papéis.

Para os papéis, a Organização Internacional para Padronização (http://www.iso.org) criou uma Norma técnica, a ISO 9706, que "especifica os requisitos para papéis permanentes produzidos para documentos de acordo com os termos de resistência mínima mensurada por um teste de resistência, conteúdo mínimo de substância (como carbonato de cálcio) que neutraliza a ação ácida mensurada pela reserva de alcalina, conteúdo máximo de material facilmente oxidado mensurado pelo número kappa, valores máximos e mínimos de pH de um extrato de água fria de papel." Os papéis de que me utilizo, da marca francesa Canson™, são produzidos rigorosamente seguindo estes padrões de qualidade.

Por outro lado, a Canson™ apresentou a linha de seus papéis para impressão giclée ao mais importante laboratório de pesquisa sobre a permanência de impressão, o Wilhelm Imaging Research (http://www.wilhelm-research.com). O laboratório fez vários testes com os papéis da Canson, realizando impressões com as principais marcas de impressoras de alto padrão do mercado, a Epson, a HP e a Canon. Os resultados globais dos testes realizados atestam a durabilidade mínima de 150 anos, em média, para as gravuras giclées impressas, devidamente emolduradas e condicionadas.

Os mesmos padrões éticos das gravuras tradicionais.

Tecnicamente, pode-se imprimir, literalmente, milhares de cópias de uma única gravura, sem que haja perda de qualidade por desgaste da matriz. Ao contrário das técnicas tradicionais, onde as matrizes vão perdendo qualidade pelo desgaste, conforme se imprime cópias delas, na gravura digital isto não ocorre. A tiragem de número 1.000.000 é, teoricamente, idêntica à tiragem de nº 1 que foi impressa. Inclusive, pode-se dizer que, paradoxalmente, conforme avança a tecnologia das máquinas impressoras, com tintas e processos cada vez melhores e mais sofisticados, a gravura impressa nº 1.000.000 será certamente melhor que a nº 1.

Isto nos leva à necessidade de um maior controle das tiragens das gravuras. Quem detém a guarda do arquivo digital original, isto é, da sua matriz, pode fazer cópias autênticas daquela gravura. Para ilustrar: se um artista tradicional manda sua matriz de xilogravura para ser impressa em um casa impressora, quando a matriz volta para a mão do artista, a casa impressora já não poderá fazer cópias da mesma. Em oposição, se um artista digital manda sua gravura digital para uma casa impressora, não há meios, a não ser a confiança, de saber que a casa impressora não fará mais cópias daquela gravura.

Isto acontece porque a matriz de uma gravura digital é o conjunto binário de números 0 e 1 que traduz a imagem na linguagem do computador. Isto é, o original de uma gravura é um conjunto de números que o computador traduz em termos de especificações de área e de cor. Se você cria uma gravura em seu computador e a copia para um DVD, p.ex., a gravura em seu computador e a do DVD são idênticas, sem perdas. Você leva a sua gravura para o seu impressor, ele a copia para o computador dele e, então, já serão 3 as matrizes idênticas. E assim por diante. Pode-se ter, sem dificuldades, milhares de cópias idênticas da mesma matriz e, é claro, milhares x milhares de impressões idênticas daquela gravura. É insano.

Tudo isto deve ser controlado pelo artista. A matriz digital da gravura deve ser rigorosamente controlada em suas cópias ou, então, optar-se pelo caos sem pudor.

Ao artista cabe definir a dimensão da tiragem de cada gravura como, aliás, parece que sempre foi na história da arte.

O original e a reprodução digital

Além disso, cabe ao artista informar ao seu colecionador quando sua gravura trata-se de uma obra original, criada através de técnicas digitais de pintura, ou quando é uma reprodução de uma obra preexistente, à óleo ou acrílica.

O procedimento técnico de impressão giclée é o mesmo, tanto para a obra original quanto para a reprodução. Entretanto, a reprodução de uma obra preexistente em óleo e acrílica não tem valor artístico.

A reprodução giclée de uma obra à óleo tem o mesmo valor artístico de um pôster ou de uma folhinha de calendário. Vender uma gravura reproduzindo uma pintura à óleo, sem avisar ao comprador, é imoral.

Para ser considerada original, é necessário que haja, na imagem, alguma intervenção do artista, de modo a alterar a sua qualidade estética.

Previsões para o futuro do giclée

Creio que, de modo similar ao que ocorreu com a serigrafia nos anos '60 quando, de uma técnica exclusivamente de uso comercial, imprimindo cartazes e panfletos publicitários, se tornou aceitável no mercado de arte, a "artisticidade" do giclée também será reconhecida pelo mainstream do comércio da arte.

Do mesmo modo que serigrafias de artistas como Andy Warhol, entre outros, alcançam hoje preços astronômicos no mercado de arte, em breve será a vez dos giclées.

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