"Um Cristo sem dor"

de Anônimo

"Um Cristo sem dor", reportagemO mais recente trabalho do artista plástico João Werner - O Cristo Morto - foge à ótica secular do sofrimento da humanidade e quer retratar a tranquilidade no instante da morte.

Um Cristo morto sem a coroa de espinhos. Este símbolo - representação fiel do sofrimento e da brutalidade dos homens - e que durante séculos foi tratado pelos artistas em suas obras, não existe na mais recente escultura do artista plástico João Werner, 25 anos. Ateu, mas com uma grande influencia mística, disse ter buscado em sua escultura a "tranquilidade da morte". No entanto, manteve as chagas das mãos e dos pés do Cristo em seu trabalho e a peça - medindo pouco mais de 2 metros e pesando cerca de 50 quilos - vai ficar sobre um dos altares da Igreja Matriz Nossa Senhora da Paz de Ibiporã, que também passa por um processo de restauração, nas mãos de outro artista plástico Henrique de Aragão.

Werner reside em Londrina e é bastante conhecido por sus esculturas em cimento, mas tem trabalhos em diversos materiais como gesso, barro, poliéster, fibra de vidro e peças em ferro fundido. Para esculpir o Cristo ele levou cerca de 6 meses de trabalho diário e teve a ajuda do garoto Vanderlei Araújo Silva. Mesmo familiarizado com o processo de esculpir a madeira, João Werner encontrou inúmeras dificuldades para chegar ao acabamento perfeito. A madeira utilizada na escultura foi o Kiri, uma tora cedida pela Igreja de Ibiporã que, segundo ele Não tem a qualidade ideal para este tipo de trabalho.

O artista aponta o cedro, cerejeira ou o mogno - todos de primeira linhagem - como o material exato para esculturas, porque não cede a ação do tempo e, quando secos, sustentam o acabamento das peças. "Não é o caso do Kiri - observa Werner - que apresenta pequenas fendas sobre a escultura", dai a dificuldade apontada pelo artista, que durante todo o processo de traçar as feições e formas do Cristo morto teve que recorrer a uma lixa simples, avançando nos traços milimetricamente.

VIVER DA ARTE

Viver exclusivamente da arte impõe algumas condições ao artista. Uma delas é escolher entre seus temas aquele que, do ponto de vista comercial, lhe pareça o mais apropriado. João Werner não foge a regra e admite que, na fase atual, a maior parte de sua produção artística é encomendada, como a escultura do Cristo para a Igreja Matriz de Ibiporã. Mas a arte sacra, segundo ele, não é mais o grande filão para os artistas como foi na Idade mídia, quando o poder e a liderança sobre os povos emanavam da Igreja.

Werner justifica esse atual trabalho na amizade que tem por Henrique de Aragão, de quem recebeu grande influencia no aprendizado. "Tem também o aspecto social, de saber que a obra vai ficar para a comunidade, ao contrário de uma escultura feita por encomenda, na qual só um reduzido numero de pessoas tem acesso" - analisa.

O Cristo morto não é o primeiro trabalho de João Werner para Ibiporã. Entre alguns painéis que tem espalhado pela cidade, menciona oque marcou definitivamente sua ligação com a arte. são seis placas de cimento armado na fachada da sede de uma chácara do amigo Aragão. Cada placa retrata uma passagem histórica da humanidade. Influenciado por um livro de Doris Lessing, ele batizou esse trabalho de Shicasta, o mesmo nome do romance. Relacionando grandes esculturas, ele lembra também, o monumento ao Bóia fria, instalado na praça Getúlio Vargas, no centro de Cambé.

Em Londrina sua produção é escassa e Werner lamenta que a prefeitura não explore o potencial artístico do Munícipio. "Paralelamente a historia da cidade transcorre a de seus artistas" - salienta - creditando a baixa produção local a falta de informação das pessoas que se interessem por obras de arte. "Não conhecendo os artistas daqui, essas pessoas procuram a arte em outros centros numa atitude inconsciente de desprestígio". além de esculturas, Werner pintou diversas telas e já organizou duas exposições individuais em Londrina.

Entre os planos deste ano estão o de levar seu trabalho a varias galerias fora do Paàs. João Werner Já estabeleceu alguns contatos no Uruguai, onde deverá expor a partir de agosto, seguindo em setembro para a Argentina. No Brasil tenciona organizar exposições nos grandes centros como São Paulo, onde deve permanecer os últimos três meses deste ano.

Dados da publicação

Anônimo, "Um Cristo sem dor", Folha de Londrina, Caderno 2, pp. 28, 03/04/1988.

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