"Tributo ao homem do campo"

de Zilma Santos

"Tributo ao homem do campo", texto de Zilma SantosQuem passa pela praça em frete a prefeitura de Cambé, não fica indiferente a um monumento em cimento que mostra uma figura humana é um bóia-fria e sua enxada é de joelhos, braços erguidos, numa posição ao mesmo tempo de dádiva e agradecimento. é uma peça muito bonita, singela, talhada pela sensibilidade do artista plástico João Werner. Um tributo à cultura regional e tentativa de valorizar uma relação mais intima e natural do homem com suas raízes, segundo o próprio artista.

"O modo de vida capitalista esfriou as relações humanas - explica. Um exemplo é o aleitamento materno que foi trocado pelo leite industrializado. Hoje a gente sente uma necessidade de voltar aos métodos mais naturais e restabelecer a união do homem com a natureza. E o homem rural é um dos que podem ter essa relação".

"A ideia de fazer esta homenagem ao homem rural surgiu o ano passado, quando Werner , que há dois anos trabalha com escultura em cimento apresentou um projeto ao então Secretario da Cultura em Cambé, José Júlio, sugerindo o monumento. A idéia inicial -- conta -- partiu do ponto de vista técnico. Eu nunca tinha trabalhado esta técnica em grandes proporções. além do mais, senti necessidade de divulgar a técnica em cimento, que é bem mais acessível, Já que o incentivo aqui na região É muito pequeno." O monumento foi financiado pelo Departamento de Cultura de Cambé, e teve custo baixàssimo: apenas 3 mil cruzados. A peça se fosse comercializada, valeria no mínimo, cinco vezes mais.

INTERIORIZAÇÃO

O primeiro contato de João Werner com a técnica de escultura em cimento foi no atelier do artista plástico Henrique Aragão em Ibiporã há 2 anos. Werner fez um painel em relevo para a casa de Aragão e a partir dai, entusiasmado, partiu para as esculturas. O monumento que está na Praça de Cambé, é a primeira escultura de grande porte que ele faz e para o artista tem um significado muito especial.

"Essa escultura engloba uma serie de considerações sobre a vida. Usei o homem do campo como forma de integrar a cultura popular e a terra com o homem capitalista. É necessário um equilíbrio maior entre a vida atual e sua relação com o capitalismo, valorizando relações mais informais entre os homens. O importante é despertar o homem para o relacionamento espiritual, um retorno à subjetividade". E continua: "Hoje existe nos artistas uma tendência de se interiorizar, ou seja, valorizar as próprias raízes culturais e não modelos culturais exportados de grandes centros".

"Esse ano - exemplifica - pretendo fazer uma série de exposições em pequenas cidades do Paraná, como: Faxinal, Medianeira, Rolândia e Cambé. Isso é importante porque muitos artistas preferem não expor em cidades pequenas por motivos econômicos. É difícil vender alguma peça nessas cidades, que também tem o direito de ter contato com a mesma arte que é mostrada nos grandes centros. Mesmo que não se venda peças ou se tenha prejuízo, é preciso abrir o leque cultural. Isso é fundamental".

Essa proposta de trabalho fez com que João Werner procurasse uma linguagem mais fácil para chegar ao publico. Hoje em termos de arte, o abstracionismo e o neoexpressionismo, estão em alta. Mas Werner prefere a simplicidade do figurativo.

"Esses estilos são de difícil compreensão para o publico" afirma. Por isso optei pelo trabalho figurativo. é uma linguagem muito mais acessível".

Não há duvidas a respeito disso. O monumento ao trabalhador rural tem atraído a atenção de todas as pessoas que passam pela praça, em frente à Prefeitura de Cambé.

"A escultura tem vida própria - justifica o artista - e por isso mantém uma relação própria com as pessoas". Ela extrapolou muito mais que, o próprio artista desejava passar. "E as poucas vezes que fiquei na praça observando a reação das pessoas foram muito interessantes. A receptividade tem sido muito grande. Elas param, quer discutir, opinar e eu sinto que realmente conseguem captar oque eu realmente quis passar. Eles sentem saudade de uma relação mais manufatureira com a natureza, a terra em si".

PLANOS

Este ano o artista plástico João Werner pretende fazer uma exposição a cada màs, por cidades paranaenses. Algumas Já estão acertadas. Até agosto, Werner vai expor em Rolândia (abril), Cambé (maio), Maringá (junho), Londrina (julho) e Faxinal (em agosto). Para o segundo semestre existem planos para exposição em Foz de Iguaçú, Cascavel e Medianeira.

Mas nem só de exposições vive o artista. Werner tem planos ambiciosos para 87. Um deles é montar atelier próprio e trabalhar com manufaturas decorativas em madeira, bronze, pedra, cimento e resina acrílica "para garantir a sobrevivência" segundo o próprio artista.

Dados da publicação

Zilma Santos, "Tributo ao homem do campo", Folha de Londrina, Caderno 2, pp. 11, 07/01/1987.

Outros textos sobre a arte de João Werner

Textos de críticos de arte

Reportagens e matérias jornalísticas

Ensaios poéticos e apresentações de exposições

Livros de João Werner
à venda

Capa do livro "A figura na Comunicação Visual"

"A figura na Comunicação Visual"

Mais informações sobre o livro.
Kindle Amazon: R$ 38,37.

Capa do livro "A Terra e o trabalho com a Terra"

"A Terra e o Trabalho com a Terra"

Livro de arte com a reprodução de 34 pinturas cuja temática é o sagrado trabalho com a Terra. . São pinturas a óleo, acrílica e digitais, realizadas desde 2002.

Livro impresso, R$ 55,41.

Capa do livro "Mesa de bar"

"Mesa de bar"

Livro de arte com a reprodução de 32 pinturas a óleo, acrílicas e digitais sobre o cotidiano da vida citadina.

Livro impresso, R$ 55,41.

Capa do livro "Esculturas e relevos"

"Esculturas & relevos"

Reprodução de 48 fotografias de esculturas em cimento, madeira, ferro fundido, argila e gesso.

Livro impresso, R$ 58,06.

Capa do livro "Et in Arcadia Ego"

"Et in Arcadia Ego"

Reprodução de 39 pinturas a óleo, acrílicas e digitais de sátiros e ninfas.

Livro impresso, R$ 61,14

Capa do livro "Motel barato"

"Motel barato"

Livro de arte com a reprodução de 36 pinturas a óleo, acrílicas e digitais sobre o tema do erotismo e sexualidade.

Livro impresso, R$ 58,06.