"João
Werner"
Ronaldo Carneiro
Leão
Editor
site
CyberArtes
“Quando
estamos atentos, a arte reinventa o nosso olhar.” Com essa
frase que nos faz parar e pensar, o artista João Werner
anuncia um pouco do que é o seu temperamento e se declara de
saída um pensador. Estudioso, crítico, inventivo,
João Werner explorou vários segmentos e exerceu
diversas atividades antes de colocar-se inteiramente como artista. E
como artista continua da mesma forma, atuando em diversos segmentos.
Sempre valorizou os estudos e a compreensão
sistemática das coisas. A inspiração
chegam através da alma mas ele analisa intelectualmente e
executa seu trabalho com uma orientação da
inteligência e do conhecimento. Isso também
é instintivo.
Nascido
no Paraná em 1962, graduou-se em Artes Plásticas
pela Faculdade Santa Marcelina em São Paulo. Depois fez
mestrado em Comunicação e Semiótica
pela PUC, também de São Paulo. Percebe-se logo a
importância que o artista da ao pensamento sólido.
Isso não significa absolutamente qualquer
desvalorização do que seja
inspiração e instinto mas deixa claro que sempre
existe a possibilidade de explicar e compreender, mesmo quando se sabe
que essas coisas nem sempre são explicáveis e
compreensíveis. A inteligência não
é a rainha de todas as elaborações
humanas e o artista, mais do que todos os outros, percebe a
força das emoções, dos sonhos e
devaneios. Digamos que João Werner é um emotivo
com racionalidade.
Certamente
estamos falando de uma pessoa culta e inteligente. Mais do que isso:
estamos falando de uma pessoa habituada ao pensamento, com grande
sentido crítico sobre as coisas e sobre a vida e que se
depara freqüentemente com o dilema de analisar sob o ponto de
vista da racionalidade e do conhecimento ou simplesmente deixar-se
levar pela emoção e sentimento. Nessa
ambivalência, e sendo capaz de trilhar tanto um caminho como
o outro, João Werner tenta um equilíbrio quase
impossível. Mesmo sem perseguir o conceitual e sendo sua
pintura uma expressão do sentimento, carregada de fantasias
e lirismo, deixa marcado um recado, deixa impresso uma mensagem. A
busca não é pelo belo mas um derramar de
sentimentos. Apesar disso coloca idéias e significados.
João
Werner tem uma alimentação variada para o seu
espírito. Bebe de muitas culturas, antigas e modernas,
porque prima em conhecer e o conhecimento é fonte de
inspiração. Da mitologia grega e romana
até a tecnologia dos computadores, o artista parece utilizar
os recursos que lhe inspiram em um dado momento. Deve ser um leitor
voraz, desses com uma vasta biblioteca mas confesso que estou
só especulando. Não fui em sua casa e afirmo
só de imaginar. Imagino também que tenha uma casa
ampla, com muito espaço e com uma atmosfera
sóbria com alguns devaneios contrastantes. Aqui e ali uma
provocação especulativa. Acho que acabamos de
criar a sobriedade provocativa. Eu heim! Estou só colocando
as imagens que o artista me provoca e Rê Rodrigues
está aqui do meu lado dizendo que eu sou capaz de imaginar
um mundo a partir de uma frase. Pode ser, mas também sou
capaz de dizer muita besteira.
João
Werner mantém um estilo que o caracteriza, como uma
assinatura. Esse estilo permanece nítido quando pinta usando
óleo ou acrílica e em nada se altera quando usa
softwares para compor uma imagem, até porque sempre parte de
um esboço feito manualmente. Depois, usando o scanner para
transferir a imagem para o computador, passa a manusear o produto
através de softwares de tratamento de imagem, dando cor e
textura. De todas as formas percebe-se uma
atração permanente pela figura humana. O ser
humano é uma presença constante na obra de
João Werner.
Essa
opção pela figura humana vem de dentro, de
maneira absolutamente natural. É assim porque é.
Provavelmente, por sua característica de racionalidade e
tendência a análise das coisas, o artista
poderá oferecer explicações e
justificativas mas nada disso vai de encontro a essa
opção instintiva. É o que lhe atrai,
simplesmente, e assim se deixa conduzir por esse anseio interior.
Simplesmente obedece o que lhe dita a alma. O resultado é
uma arte que prima pela captura de instantes a serem percebidos e
também examinados. A arte de João Werner nos faz
pensar e tecer conjecturas sobre cada cena. Por que é assim?
O que estará sentindo esse personagem? Que
lembranças nos transmite o autor?
Não
se pode dizer que seja um artista de técnica apurada mas ele
mexe em tudo com muito talento, cuidado e zelo. O site, o qual deixamos
o endereço no final e recomendamos uma visita demorada,
é primoroso, organizado e tem um banco de dados bem
planejado. Percebe-se esmero nas exposições, na
arrumação dos quadros e nos serviços.
O artista é cuidadoso e detalhista no que faz e no momento
que aceita para si uma empreitada ou um desafio é para
cumprir a tarefa com esmero e responsabilidade. Tudo o que fizer,
será bem feito.
Flexível
no uso das cores ou na exploração de telas em uma
única cor, fez uma séria somente usando cinza e
as variações entre o branco e o preto. Conversei
recentemente com o artista búlgaro Ivaylo Kirilov
Hadzhinachev, aqui no Recife, que usa essa técnica de fazer
a tela em preto e branco, determinar as tonalidades e nuances e
só depois colorir. Rembrandt também fazia isso.
João Werner também faz isso, eventualmente. E
pode também, de repente, apaixonar-se pelo resultado em
preto e branco e ficar por ali. Alias, é mesmo um problema
para todo artista saber a hora de parar, assinar o quadro e pendurar na
parede. Ontem, na Galeria Estação Quatro Cantos
(que está lindíssima depois da reforma) ouvi uma
frase interessante de uma pessoa chamada Augostinho:”O
artista não quer terminar nunca o seu trabalho.
Alguém tem que interromper e tomar dele, do contrario vai
passar o resto da vida pintando a mesma tela.” Exagero,
decerto... mas não muito. Preciso conversar mais com esse
Augostinho.
Dados
da Publicação
Publicado na coluna "Artista da semana", CyberArtes
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