"Operário da arte"

de Paulo Gracino

"OIper rio da arte", texto de Paulo GracinoAlém de muito sacrifício e dedicação, durante seis meses o artista plástico londrinense João César Werner, foi obrigado a exercer funções de pedreiro e servente, preparando a massa dos blocos de cimentos que depois seriam transformados em escultura. Por várias vezes ele foi obrigado a tentar esquecer seus problemas familiares para que o resultado de sua obra não fosse desvirtuado de sua ideia original. Suas mãos ficaram maltratadas e até mesmo machucadas de tanto lidar com o cimento, como um operário.

Mas todo esse esforço foi compensador, porque o artista conseguiu organizar sua primeira exposição individual, que ficará a partir de hoje e até o próximo dia 26 na sala de exposições do Departamento de Cultura de Londrina.

Na exposição, João Werner mostrará 22 esculturas em cimento, uma em madeira e 20 pinturas acrílicas sobre telas. As esculturas de cimento são consideradas de técnica difícil: é necessário, uma semana para preparar a massa e assim que ela estiver com a umidade ideal o artista tem de 4 a 5 horas para esculpi-la e dar-lhe a forma desejada. Caso o cimento seque, o trabalho se tornará difícil ou até mesmo impossível.

PRÊMIOS

Antes de começar a trabalhar com cimento, João Werner teve contato com outras técnicas, como a madeira e depois com a argila. Com a qual ganhou o prêmio 2º Salão Estadual de Artes plásticas de Ibiporã, onde trabalha e vive atualmente com sua mulher e um filho, para em seguida dar suas primeiras pinceladas acrílicas sobre telas. Uma de suas pinturas foi premiada 29º Salão para Novos, em Arapongas.

Da pintura para a escultura em cimento foi apenas um passo; este artista tem muita curiosidade para experimentar todas as técnicas. Neste trabalho, o resultado técnico não preocupou muito João Werner que está se dedicando as artes plásticas apenas há quatro anos. "Minha preocupação é com a ideia. Pessoalmente, quero fazer com que as esculturas tenham personalidade e vitalidades próprias. Procuro deixar isto muito claro nas feições das figuras humanas, nas suas posições" - comenta o artista.

DESDE CRIANÇA

Mas seu interesse pelas artes não vem apenas de quatro anos a três, quando criança, lá na oficina na casa de seu avô em Bela Vista do Paraíso, fazia seus brinquedos e até ensaiava os primeiros passos em desenho. A facilidade em dar forma a objetos rústicos e caseiros começou naquela época.

Durante esse período em que trabalhava na oficina de seu avô até a descoberta pelas artes, João Werner passou por caminho bem diferente. Por motivos "egoísticos" --- como ele mesmo definiu --- começou a cursar filosofia em Caxias do Sul. Após uma fase de muitos questionamentos, descobriu que não adiantava se fechar em seu mundo, mas sim de que precisava conviver com outras pessoas. "Achei que o único caminho que me levaria a isso, preservando minha individualidade, seria a arte".

INVESTIMENTO

Outro motivo que João Werner tem para confiar no sucesso de sua exposição é o "investimento que as pessoas começaram a fazer comprando objetos de arte". E avisa: "Minhas figurinhas não são peças decorativas, como muitas que vi em exposições nos últimos meses. Não faço um detalhe apenas para ficar bonito e sim para dar sentido ao todo".

Por ser sua primeira mostra individual João Werner confessa ter certo receio quanto à reação das pessoas que forem visitar a sala de exposições. "Dificilmente alguém vai gostar das peças no momento que as virem. Para gostar - explica - é necessário certo tempo, pois não se trata de obra de fácil consumo".

Para ele, a relação entre um comprador e um objeto de arte é a mesma relação entre duas pessoas: -- "Você não gosta de uma pessoa no momento em que a conhece. Leva um tempo para conhecê-la melhor e gostar, saboreando aos poucos, criar amizades. É assim que as pessoas farão com minhas "figurinhas". Quando as conhecerem melhor e entenderem a ideia ou parte da ideia que eu quis passar, elas se apaixonarão e comprarão".

Um dos trabalhos mais elogiados de João Werner - e também mais difícil de realizar - foi o painel construído na casa da chácara de Henrique Aragão, seu amigo e mestre que o iniciou nas artes em Ibiporã. são seis quadros ou placas que relatam a historia da humanidade. Influenciado por um livro da escritora inglesa Doris Lessing, ele batizou de "Shikasta", o mesmo nome do romance.

Figuras mística, religiosas e humanas. Mas ele não gosta de definir seu trabalho, pois acha que é resultado de toda uma formação que teve, com muitas informações e influencia. Por isso -- analisa -- toda a ideia de meu trabalho tem a ver com a secularidade e até com "alguns toques medievais".

Dados da publicação

Paulo Gracino, "Operário da arte", Folha de Londrina, Caderno 2, pp. 15, 11/07/1986.

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