"Viagem
à capital da grande arte"
Paulo Briguet
Londrinense João Werner expôs gravuras digitais na
Bienal de Florença.
E
voltou de lá com muitas idéias.
Nenhum artista volta o
mesmo depois de
conhecer Florença. João Werner que o diga. Ele
esteve na capital do Renascimento entre os dias 1o e 9 de dezembro,
participando da 6a Bienal Internacional da Arte
Contemporânea; retornou ao Brasil com muitas
idéias.
Conhecer
Florença
é entrar em contato com alguns dos ápices da
cultura ocidental. “Foi a primeira vez em que saí
do país – e me vi justamente nessa cidade
extraordinária”, diz o artista londrinense, que
expôs 26 gravuras digitais na Fortezze da Basso, onde foi
realizada a bienal.

Com 840 artistas de 76
países, o evento de arte florentino foi criado em 2001 e
segue na contramão das bienais internacionais como as de
Veneza e São Paulo. Em vez de apostar na arte conceitual, a
Bienal de Florença investe em trabalhos figurativos.
“Mesmo os trabalhos mais experimentais focalizam a figura
humana”, diz João Werner. Ele ressalta, no
entanto, não ter reservas quanto ao experimentalismo.
“Já vi coisas muito interessantes na Bienal de
São Paulo.” Ele próprio já
trabalhou bastante com o abstracionismo, mas confessa que a sua
verdadeira personalidade artística está mais
ligada ao figurativo. “No meu caso, a expressão e
a imaginação são sempre figurativas. O
abstrato é mais um jogo, uma
organização de cores e formas.”
A Bienal de
Florença,
segundo Werner, é uma babel de linguagens e estilos.
“Não imaginava a dimensão do
evento”, confessa o artista. Nos corredores da Fortezze da
Basso, circulam multidões interessadas em arte. Werner
aproveitou para fazer contatos e distribuir folhetos informativos sobre
seu trabalho. Também acompanhou a presença
performática dos ingleses George & Gilbert
(homenageados deste ano na bienal) e conferências sobre Frida
Kahlo e arte digital.
Arte digital,
aliás, tem
sido a principal forma de expressão de João
Werner nos últimos tempos. Depois de uma visita à
Capella Brancacci (onde estão os magníficos
afrescos do quatrocentista Masaccio) e ao célebre Davi de
Michelangelo (na Galleria della’Accademia), Werner se sente
mais animado para trabalhar com o computador. Para ele, se os
renascentistas vivessem hoje em dia, usariam as técnicas
digitais. “As técnicas sempre evoluíram
ao longo da história. Durante mais de mil anos, usou-se
têmpera de gema ou clara de ovo; depois, no século
15, surgiu a pintura a óleo, que demorava mais a secar e
permitia maior detalhamento das figuras”, lembra Werner.
Agora, o computador permite esse trabalho de sintonia fina em qualquer
estágio do trabalho – ao infinito. “A
arte não é limitativa. A técnica
digital cria novos desafios e permite ao artista exercer a
própria liberdade”, diz. Masaccio, Michelangelo e
Da Vinci adorariam.
Dados
da publicação
Briguet, Paulo, "Viagem
à
capital da grande arte", Jornal de Londrina, Londrina, 18 de dezembro
de 2007, pp. 19.
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