"Sexo, drogas e violência", Nelson Sato
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Quem associa arte exclusivamente ao belo, poderá ter seus conceitos revirados pelo avesso ao visitar a exposição ''Feios, Sujos e Malvados'', ue o artista plástico João Werner inaugura hoje em Londrina. A mostra, que abre seu novo ateliê, reúne 11 quadros figurativos produzidos com a técnica de pintura digital.
A série revela influências de tatuagem, grafite e histórias em quadrinhos. A provocação está nas ''cenas'' retratadas nas imagens: dois homens trocando sopapos, uma menina mendigando trocados na rua para comprar droga, um moleque segurando uma AR-15, e por aí vai. ''A intenção foi contar pequenas histórias em torno do tema sexo, drogas e violência'', diz o artista. ''São histórias dramáticas e trágicas de vida, histórias socialmente inaceitáveis e ao mesmo tempo carregadas de humor obscuro. é, enfim, a tragicomédia que é o País em que a gente vive. Nada que você vai ver na novela das oito. Por isso, decidi desaconselhar a visita para menores'', salienta.
Werner acredita que, pelo conteúdo controverso, suas telas dificilmente seriam aceitas em algumas salas de exposição da cidade. ''Tive uma experiência anterior com a série 'Cinza', com temática parecida e que foi recusada por dois espaços locais. Por isso, optei em mostrar essa nova produção em meu próprio local de trabalho, sem censura prévia e sem precisar fazer negociação'', assinala.
Segundo ele, seu estilo está em sintonia com a corrente pop-surrealista atualmente em voga no underground da costa oeste americana e que tem artistas como Mark Ryden e Gary Baseman como seus principais expoentes. ''Descobri que esse 'espírito de porco', e que essa arte de conotações negativas, estão em alta no mundo da arte. Há o resgate da figuração e da temática chocante. O Damien Hirst vendeu uma obra em que mostrava um crânio humano cravejado de diamantes por 100 milhões de dólares. O Francis Bacon é hoje o pintor mais caro do mundo, ficando atrás apenas de Picasso e Andy Warhol. O belo e o agradável já se foram'', afirma.
Werner não estará no ateliê durante o período da exposição. Uma monitora é que irá receber os visitantes. Além da nova série de 11 telas, o espectador terá contato com quadros e esculturas em processo de criação, além da parafernália de ferramentas e equipamentos usada pelo artista.
Dados da publicação
Folha de Londrina, Caderno de Cultura "Folha 2", pp. 1, 12 de setembro de 2008.