|
site publicado
desde 22/09/2003
*** 6 anos online
***
|

Diga sim ao Artista
e NÃO à indústria cultural |
| |
"Avesso
da estética"
Nelson Sato, jornalista
Virou lugar-comum
ressaltar as virtudes da web como meio de
divulgação da produção
artística. O pintor paranaense João Werner,
radicado em Londrina, é um dos que têm obtido
respostas surpreendentes para seu trabalho ao explorar a rede. ''Acho
que a internet está substituindo o ambiente cultural
físico'', afirma ele.
Werner, 41 anos, inaugura nova exposição hoje,
às 18 horas, na cidade. A mostra, intitulada ''Cinzas'',
fica em cartaz até o dia 13 de outubro na Sala
José Teodoro da Secretaria Municipal de Cultura
(Praça 1º de Maio, 110), com
visitações de segunda a sexta-feira, das 12h
às 18h. O artista apresenta 11 telas pintadas com tinta a
óleo, em tamanhos que vão de 50x70 cm a 160x100
cm.

''Não
há cor em nenhum dos quadros. Todos foram criados em tom
cinza, com variações em branco e preto. A
idéia inicial era trabalhar com uma técnica
tradicional usada pelo pintor Rembrandt, que pintava em cinza para
depois jogar cor por cima. No processo, acabei gostando do cinza, da
obra inacabada'', conta.
Werner explica que concebeu a maioria das telas no intervalo de
produção de outras obras. ''Elas surgiram como
resíduos durante as noites de
criação'', salienta. ''São o avesso da
estética clássica, da beleza e da harmonia
greco-renascentista. Penso nelas como um 'lado B' da arte. Acho que
conceitos estéticos do romantistmo do século 19
como o feio, o trágico, o grotesco ou o cômico
podem ser aplicados a essas pinturas. Sinto-as como uma
espécie de purgação, como um exorcismo
da imaginação''.
Uma das telas, batizada ''Gauguin'', mostra um grupo de
crianças cheirando cola em saquinhos de iogurte. Um eventual
propósito de denúncia social, contudo,
é descartado pelo artista. ''Seria hipócrita de
minha parte, porque todos estamos acomodados. Na verdade, o tema dessa
pintura surgiu a partir de experiências pessoais, de
crianças drogadas que vi em Londrina e em São
Paulo. Não tenho, porém, nenhuma
intenção de fazer arte de cunho social. Procurei
apenas retratar cenas trágicas que marcaram minha
imaginação'', diz.
Sua nova exposição coincide com o convite para
participar da 6 Bienal Internacional de Arte Contemporânea
que acontece de 1º a 9 de dezembro na cidade de
Florença, na Itália. ''Isso só foi
possível porque a comissão de
seleção da Bienal acessou meu site'', sublinha.
''Por meios físicos, isso jamais teria ocorrido. A internet
alterou tudo, é uma revolução que
está permitindo aos artistas não só
mostrarem sua produção como a apreciarem
trabalhos do mundo todo''.
Segundo ele, os resultados também são
satisfatórios em termos de mercado. ''Cada vez mais,
comercializo meus trabalhos através da Internet. Os
colecionadores estão entrando em contato diretamente comigo
sem intermediação de galeria ou marchand'',
revela. Werner foi pupilo do escultor Henrique Aragão com
quem aprendeu as primeiras lições para retratar a
figura humana em obras de arte.
Posteriormente, graduou-se em Artes Plásticas pela Faculdade
Santa Marcelina, em São Paulo. Também na capital
paulista, fez mestrado em Comunicação e
Semiótica na PUC. Depois lecionou na UEL, Unopar e na
Universidade do Vale do Paraíba (UNIPAV), em São
José dos Campos, onde permaneceu uma década.
Durante um período, manteve uma coluna de crítica
de arte na Folha de Londrina.
Dados
da publicação
Folha
de Londrina, Caderno Folha 2, pp. 1, 20 de setembro de 2007.
|