"Homenagem
ao trabalhador rural"
José
Júlio Azevedo
Poeta
O homem próximo da natureza não é um
escravo. O homem de
mãos calejadas. Suor no rosto. Pés
descalços. O homem que olha pra o céu
é
um ser livre. Recebe a eterna energia de Deus, que faz
intermediário entre Ele
e a Terra. Matéria que nosso espírito anima.
Jardineiro,
esse é o seu nome verdadeiro.

Bem-aventurado
aquele que conhece esse caminho florido.
Caminho oposto à destruição e
à violência. Bem-aventurado aquele que ganha
a vida com a vida.
Seu
nome é lavrador, bóia-fria, posseiro, sem-terra.
Só
quem ama a Terra reconhece os valores materialistas de
poder, lucro, posse, gana, egoísmo.
Ele olha para o céu. Esse
é seu ritual sagrado. Se alimenta
do céu para alimentar a terra, cavar o chão,
acariciar a planta – que
alimentará multidões oprimidas nas grandes
cidades.
Ele está dizendo: este
é o caminho. Quem ama a natureza
reconhece os outros como irmãos. Irmão cafezal,
irmão milharal, irmão rio,
irmão sol, irmã chuva, irmãzinhas
flores.
Ele está dizendo: este
é o Caminho. Feito do Tempo, que nos
é dado de Graça.
Quem reconhece seu valor?
Quem louva e beija as suas
mãos abençoadas?
Apesar da dura vida, trabalho bruto,
insegurança no
trabalho, mal pago, humilhado e sofrido – seu nome
é escravo.
Ele tem o coração
cheio daquilo que o dinheiro não pode
comprar. Tem um segredo, brilhante como pedra preciosa. Perfeito como
ouro.
Esse segredo que o torna artista
é o mesmo que torna o artista um lavrador,
que cultiva a forma bruta do cimento e do ferro – para
comungar com todos a
Sagrada Dádiva da Vida.
Dados da
publicação
Apresentação
em catálogo da escultura, 30/12/1986,
Cambé (PR).
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