"O
cordeiro pressente o lobo"
Francismar Lemes
A tragédia
é um
texto para ser lido com humor nas obras do artista plástico
João Werner, que abre a exposição "O
Cordeiro Pressente o Lobo" amanhã, às 20 horas,
na Vila Cultural Cemitério de Automóveis.
São gravuras digitais do artista que ao comentar a
exposição recorre a uma crítica do
novo livro de José Saramago "Caim" em que que o texto afirma
que literatura não tem a intenção de
ser uma casa de ópio ou de retratar um mundo de sonho. As
artes visuais também cabem na premissa.

jornal
impresso
"Compartilho dessa visão artística da necessidade
de expor meus pensamentos", compara Werner.
Uma estética trangressiva e figurativa que também
está presente em artistas como o anglo-irlandês
Francis Bacon (1909-1992), inspirada em fantasias masoquistas, um
fascínio pelo corpo humano e a tensão
homoerótica.
O sombrio mundo do holandês Rembrandt (1606-1669), que
reflete as tragédias pessoais, também
está nas gravuras de Werner - uma inflexão na
arte contemporânea entre artistas, principalmente nos Estados
Unidos, e que trata de temas polêmicos.
Entre as gravuras expostas, 'MET' foi destaque no salão
"DigitalArt.LA", na Califórnia, promovida pelo Los Angeles
Museum of Art. A gravura será exposta em Londrina pela
primeira vez.
"São reminiscências, cenas que eu retrato ou que
vivi. Coisas que impregnam na gente, uma
informação no jornal, por exemplo", aponta o
artista, que já foi premiado no México e na
Itália.
Questionamentos que faz ao ler notícias, como a de que a
atriz Angelina Jolie se automulitava, e que se transformam em imagens.
Não deixa de ser chocante pensar na mulher reconhecida pela
beleza num ritual de autoflagelação. Na
composição do artista, ela assume a
condição da deusa hindu Kali, de dupla
personalidade, exibindo tanto traços de amor e delicadeza,
como de vingança e morte terrível.
A morte e a automutilação, o suicídio,
incesto, uso de drogas e outros tabus considerados desagregadores
coexistem nas gravuras de Werner, que consegue arrancar um pouco de
humor disso tudo.
O cordeiro que pressente o lobo, em Werner, é a sociedade e
sua tendência de considerar intocáveis alguns
assuntos.
Dados
da publicação
Francismar
Lemes, "O cordeiro pressente o lobo", Folha
de Londrina, Caderno "Folha 2",
pp. 01, 05 de novembro de 2009.
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