"Os resíduos são 'Cinzas'"

de Adriana Marques

Seres mitológicos e humanos clamam por uma sociedade que os possa acolher.

Ele pinta o que dá na cabeça, comovido pelas emoções cotidianas, instigado pela percepção aguçada das imagens mundanas, pela sensibilidade de enxergar o ser humano num gigantesco cenário de movimentos reais.

Começou como entalhador de madeira, e isso foi em 1982. Logo, suas criações abriram espaço para novas técnicas. Continuou esculpindo em cimento e chegou à pintura, em óleo sobre tela e painéis em relevo. Recentemente, passou a experimentar a arte digital, utilizando a tecnologia para produzir o sensível.

O artista plástico João Werner tem pinta de investigador! Pinta temas abstratos, rurais, mitológicos, urbanos... Mas seu desejo é desvendar o mundo. Werner pinta a vida do seu universo particular, influenciado pelas imagens da vida alheia. é livre em qualquer uma de suas expressões e não consegue criar sob encomenda, a não ser que tenha total autonomia para tingir sua imaginação.

A função principal de suas obras é transmitir a memória: crenças, culturas e costumes. histórias da humanidade e também a sua própria memória, de sonhos recentes ou do passado. E confessa que existem quadros originados nos sonhos de menino, de quando tinha 4 anos de idade. Mas ainda estão guardados em sua mente. Um dia irá pintá-los.

A exposição Cinzas, sua mostra mais recente, foi lançada no dia 20 de setembro, promovida pelo Museu de Arte de Londrina. Para Werner, cinza é a cor dos resíduos, daquilo que jogamos fora, do que resta após a destruição. O artista cria variações em uma única cor, e busca revelar as dores do mundo. Defende a sensação de estarmos inadequados, sobrevivendo numa sociedade que não nos acolhe, como um reflexo do contemporâneo."É como olhar num espelho que não nos reflete", explica.

Assim, Cinzas reúne antigos mitos que convivem deslocados com nossos personagens reais: o pintor Gauguin troca o conforto de uma vida na Europa para se aventurar pelos mares do sul, e aqui faz amizade com meninos e meninas de rua, cheiradores de cola. Ícaro, que construiu suas asas para dominar o ar, para ser livre, agora está amarrado por fios que o torturam. Tudo parece estar fora do lugar. "Minhas pinturas "Cinza" são o avesso da estética clássica, da beleza e da harmonia greco-renascentista. Penso nelas como um "lado B" da arte, atravessando as portas abertas pelos "Caprichos" de Goya, pela "Guernica" de Picasso ou por "Gritos e sussurros" de Ingmar Bergman. Sinto-as como uma espécie de purgação, como um exorcismo da imaginação", conclui Werner.

Dados da publicação

Matéria publicada na Perfil Magazine, ano 3 nº 8, Londrina (PR), outubro de 2007, pp. 22-23.

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