"Sexo explícito", texto de Nelson Sato
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Uma nova série de gravuras digitais pula do ateliê do artista João Werner para alcançar o público amanhã, reunidas na exposição ''Motel Barato'', que ele inaugura em sua galeria no Edifício Centro Comercial, em Londrina.
A individual reúne 17 obras criadas em computador e impressas em papel fotográfico. Como informa o título, as imagens tematizam o sexo explorando o imaginário erótico e pornográfico em quartos de quinta categoria.
''Quando olhei o conjunto destas minhas gravuras pornográficas lado a lado, percebi que só em um daqueles moteizinhos fuleiros que frequentava na juventude poderia expor minha fauna erótica'', diz ele. ''Lembrei-me dos ambientes kitsch, cheios de coraçõezinhos cor-de-rosa, cupidos encardidos, frases de efeito e juras de amor eterno, sussurradas entre manchas invisíveis de fluídos corporais alheios, espalhados pelo piso, paredes e lencóis''.
Ele explica que as gravuras foram feitas em Flash, um software que lhe permitiu utilizar uma linguagem plástica grosseira e agressiva, sem sutilezas. ''É um instrumento expressionista por natureza. Há gravuras tecnicamente melhores e outras menos, mas o procedimento é o mesmo. Meu 'pincel' tem a riqueza gestual que dá para obter de uma lâmina de faca'', salienta.
Werner abriu a galeria no final do ano passado com uma exposição que retratava criaturas mitológicas evocando prazeres mundanos. Agora mostra cenas de sexo explícito. ''Não tenho a intenção de chocar ninguém, infelizmente eu sou assim. Tenho uma fábrica de polêmicas'', brinca. A ''fábrica'', aliás, já tem programadas outras exposições controversas.
Uma delas, intitulada ''Dano à Propriedade'', reunirá gravuras de insurreição social. Outra, batizada ''Messias Alucinado'', juntará gravuras de temática religiosa. Uma terceira, que se chamará ''Paraísos Artificiais'', abordará a relação entre as pessoas e as plantas alucinógenas. Uma quarta, ainda sem título, mostrará retratos de escritores e poetas como Kafka, Baudelaire, Edgar Alan Poe e Dostoievski.
Amanhã, a galeria recebe os visitantes a partir de 14 horas. Mas as gravuras reunidas podem ser apreciadas antes pelos curiosos que acessarem o site oficial do artista.
Dados da publicação
Nelson Sato, "Sexo explícito", Folha de Londrina, Caderno Folha 2, pp. 4, 27 de fevereiro de 2011.
Veja a página da exposição.