"Um causo campesino", Freddy Diblu

Outros textos sobre João Werner

No horror dos vivos tortos,
o corpo se empenha;
Na lembrança dos mortos,
a alma liberta não erra.

Ao pé do fogão à lenha
Bão café aos ares do céu
Conta o da prosa prenha
Zé Negrim negrim negrim
Do pixaim branco de guerra
O seu resguardo de casiléu
E família de luta sem-terra
Que quando defuntar enfim
Calejado da labuta da terra
Do molhe-molhe ingrato
Ajeite ele encovado assim
Terno de missa e botas mel
A sete-palmos que se encerra
Bem no eterno asilo do mato
Lá junto à porteira d'Oziel

Ih-é! Zé Negrim negrim negrim
Do pixaim branco de guerra...

Quer Zé Negrim ave-marias
Um alvorecer todo de pipiras
Retrato dele à vela de sete dias
A meninada de olhar assuntado
Violas dedilhadas no trato caipiras
‘Té amigos de beiço pingalhado
Quer suas mãos gravadas em argila
Ser Zé Negrim por muitos alembrado
A enxada-de-roça seu digno troféu
Dentadura d'oiro sorrindo pra agrovila
Que tudo na memória tem motivos
Lá junto à porteira d'Oziel*
"Pra modo d'alma deixar os vivos"

Ih-é! Zé Negrim negrim negrim
Do pixaim branco de guerra...


(*)Assentamento Oziel Alves Pereira, em Minas Gerais.

Poesia sobre o "Monumento ao Trabalhador Rural":

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