"Um
causo campesino"
Freddy
Diblu
Poeta
No horror
dos
vivos tortos,
o corpo se
empenha;
Na
lembrança dos mortos,
a alma
liberta
não erra.
Ao
pé do fogão à lenha
Bão
café aos ares do céu
Conta
o da prosa prenha
Zé
Negrim negrim negrim
Do
pixaim branco de guerra
O
seu resguardo de casiléu
E
família de luta sem-terra
Que
quando defuntar enfim
Calejado da labuta da terra
Do
molhe-molhe ingrato
Ajeite ele encovado assim
Terno
de missa e botas mel
A sete-palmos que se encerra
Bem
no eterno asilo do mato
Lá junto à porteira d’Oziel
Ih-é!
Zé Negrim negrim negrim
Do
pixaim branco de guerra...
Quer Zé Negrim ave-marias
Um
alvorecer todo de pipiras
Retrato dele à vela de sete dias
A
meninada de olhar assuntado
Violas
dedilhadas no trato caipiras
‘Té amigos de beiço pingalhado
Quer
suas mãos gravadas em argila
Ser
Zé Negrim por muitos alembrado
A
enxada-de-roça seu digno troféu
Dentadura
d’oiro sorrindo pra agrovila
Que
tudo na memória tem motivos
Lá
junto à porteira d’Oziel*
“Pra
modo d’alma deixar os vivos”
Ih-é! Zé Negrim negrim negrim
Do
pixaim branco de guerra...
(*)
Assentamento Oziel Alves Pereira, em Minas Gerais.
Poesia
sobre o "Monumento ao Trabalhador Rural"
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