"Clube de Levitação"

de Vivian Maschio

"Clube de levitação", de Vivian Maschio Com cerca de 50 peças inéditas, entre desenho, telas e esculturas, o artista plástico João Werner abre uma exposição hoje, às 20 horas no Salão do Departamento de Cultura, Praça 1ª de Maio, em Londrina. O nome desta exposição, que segundo Werner foi batizada por José Júlio Azevedo, poeta cambeense, é Clube da Levitação.

E João Werner justifica. "Este nome coube muito bem, porque estou numa fase de sair do chão, de levantar. Considero Clube de Levitação perfeito, Já que o meu amadurecimento pessoal está refletindo no meu trabalho". Sem preocupação com a modàstia e se julgando um "fazedor" de arte (ele considera que são poucos os artistas que produzem arte) divide sua preocupação em bidimensional, que são as telas e tridimensional, que são as esculturas.

E dentro da parte bidimensional estão os desenhos de nanquim sobre papel, que foram feitos, afirma João Werner, "utilizando apenas o lado direito do cérebro", que é o lado intuitivo, perceptivo e desenhista da pessoa. Outra divisão que ele faz é a parte técnica, apesar de não achar importante o conhecimento das técnicas de pintura. Para ele, técnica é "o desenvolvimento é a criação de uma técnica, própria de cada artista", como por exemplo, "a mistura de cores até a perfeição".

A parte social é outra divisão das telas, onde estão retratadas as pessoas que circulam na rua Duque de Caxias, em Londrina, que são os travestis, as prostitutas, os frequentadores dos bares, o "submundo".

O objetivo de João Werner aos pintar teste tipo de tema não é criticar e nem denunciar, as pàssimas condições de vida dessas pessoas, mas simplesmente pintar.

Quando se retrata o social, mas sem a preocupação social, o artista utiliza o acrílico sobre as tela. "A pintura sobre as pessoas do submundo me fascina e é uma necessidade como artista; é algo que me sensibiliza", diz João.

A última classificação que faz de seus quadros é também em acrílico sobre tela, mas expressionistas abstratos -- é a "destruição do que faz". Aqui não há qualquer preocupação com a técnica e sim com a "direção tomada para o inconsciente", abordando temas como a solidão, dificuldades de comunicação, a saudades de lugares onde nunca esteve. são trabalhos intimistas onde "a relação não é clara".

ESCULTURAS

Nas esculturas João Werner utiliza várias técnicas. Ele é mais conhecido por seus trabalhos em cimento, mas também mostra nesta exposição ferro fundido e bronze, gesso, barro, poliéster e fibra de vidro.

E adianta também que está iniciando experiência com a pedra, mas ainda não tem nenhum trabalho pronto para mostrar. "As únicas técnicas de esculpir que ainda não utilizo as de ferro com forja e solda em metal". Todas as esculturas "com exceção da técnica de fibra de vidro, que tem 2,05 metros" são pequenas e inéditas em Londrina.

Com apenas 24 anos João Werner tem várias exposições inéditas, o que revela uma produção surpreendente. além de trabalhar bastante, ele acha que a técnica é algo desprezível, que não pode ser considerada como critério para avaliar um trabalho, pois o conteúdo é mais importante.

Mas a grande preocupação do pintor e escultor é definir arte e diz que o "x" da questão, é a revolução; nem a social, nem a política, mas a revolução íntima do artista, onde é premente a destruição dos preconceitos e das falsas idéias.

A exposição Clube da Levitação fica aberta até o dia 25 de julho e pode ser vista de segunda a sexta-feira, das 14 às 21 horas. Hoje na abertura, haverá um concerto com alunos e professores do 7º Festival de Música de Londrina, com instrumentos de sopro.

Dados da publicação

Vivian Maschio, "Clube de Levitação", Folha de Londrina, Caderno 2, pp.15, 15/07/1987.

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