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"A apreciação e o objeto artístico"João Werner
As
teorias estéticas que habilitam o ideário
contemporâneo dividem-se em
duas mais importantes vertentes: por um lado, as estéticas
que voltam-se
prioritariamente para o estudo do objeto artístico e, por
outro, aquelas
que privilegiam o âmbito do apreciador. Esta
divisão fica muito nítida quando se percebe que,
para as estéticas do
objeto artístico, torna-se muito mais significativo entender
por que uma
obra de arte é esteticamente boa ou não, enquanto
que, para as estéticas
de apreciação, é mais importante
descobrir quais seriam os efeitos que
uma obra de arte provoca. Estas
maneiras contemporâneas de entender a estética
são, de uma certa forma,
continuações das clássicas
divisões da estética na história. Como
antepassados da estética do objeto teríamos,
principalmente, a visão clássica
grega que buscava, por exemplo, a melhor maneira de construir a obra de
arte (através do que chamavam "seção
áurea") ou, também,
Hegel, quando afirmava a obra de arte como
materialização da expressão
do espírito. Ancestrais
filosóficos da estética do efeito seriam
também os gregos,
especialmente a teoria de Aristóteles da katharsis
ou, ainda, a
tradicional retórica clássica. Mais recentemente,
poderíamos nomear,
também as idéias de Schiller, quando entendia a
arte como uma maneira de
educação social. A
estética da obra de arte recentemente recebeu estudos
principalmente de
correntes européias, como a semiótica do
filósofo francês Algirdas
Greimas, ou do alemão Max Bense. Esta vertente
estética, no caso do
pensador alemão, tem-se voltado para entender as estruturas
da obra de
arte com a utilização de instrumentos de
análise tomados das modernas
teorias da informação. Para Greimas, cumpre
descobrir os sistemas lógicos
inerentes à articulação estrutural da
obra de arte, a partir da utilização
de pares de conceitos opostos para a análise. Pensadores recentes das teorias estéticas da recepção são o alemão Hans Robert Jauss e o francês Roland Barthes. Para este, trata-se de resgatar o prazer causado pela obra de arte, que, de certa forma, havia sido negligenciado por um certo ascetismo moderno. Jauss divide este prazer em relação à percepção da boa feitura da obra, em relação ao reconhecimento do objeto representado, e, finalmente, pela possibilidade que tem a arte de transformar as opiniões, transformação que é a base e sustentáculo da utilização da estética pelo consumo. Dados da publicaçãoEscrito por João Werner, publicado na Folha de Londrina, Caderno 2, 03/10/1991, pp. 4 |
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