"A apreciação e o objeto artístico"
As
teorias estéticas que habilitam o ideário contemporâneo dividem-se em
duas mais importantes vertentes: por um lado, as estéticas que voltam-se
prioritariamente para o estudo do objeto artístico e, por outro, aquelas
que privilegiam o âmbito do apreciador.
Esta
divisão fica muito nítida quando se percebe que, para as estéticas do
objeto artístico, torna-se muito mais significativo entender por que uma
obra de arte é esteticamente boa ou não, enquanto que, para as estéticas
de apreciação, é mais importante descobrir quais seriam os efeitos que
uma obra de arte provoca.
Estas
maneiras contemporâneas de entender a estética são, de uma certa forma,
continuações das clássicas divisões da estética na história. Como
antepassados da estética do objeto teríamos, principalmente, a visão clássica
grega que buscava, por exemplo, a melhor maneira de construir a obra de
arte (através do que chamavam "seção áurea") ou, também,
Hegel, quando afirmava a obra de arte como materialização da expressão
do espírito.
Ancestrais
filosóficos da estética do efeito seriam também os gregos,
especialmente a teoria de Aristóteles da katharsis ou, ainda, a
tradicional retórica clássica. Mais recentemente, poderíamos nomear,
também as idéias de Schiller, quando entendia a arte como uma maneira de
educação social.
A
estética da obra de arte recentemente recebeu estudos principalmente de
correntes européias, como a semiótica do filósofo francês Algirdas
Greimas, ou do alemão Max Bense. Esta vertente estética, no caso do
pensador alemão, tem-se voltado para entender as estruturas da obra de
arte com a utilização de instrumentos de análise tomados das modernas
teorias da informação. Para Greimas, cumpre descobrir os sistemas lógicos
inerentes à articulação estrutural da obra de arte, a partir da utilização
de pares de conceitos opostos para a análise.
Pensadores
recentes das teorias estéticas da recepção são o alemão Hans Robert
Jauss e o francês Roland Barthes. Para este, trata-se de resgatar o prazer causado pela obra
de arte, que, de certa forma, havia sido negligenciado por um certo ascetismo
moderno. Jauss divide este prazer em relação à percepção da boa
feitura da obra, em relação ao reconhecimento do objeto representado, e,
finalmente, pela possibilidade que tem a arte de transformar as opiniões,
transformação que é a base e sustentáculo da utilização da estética
pelo consumo.
Dados da publicação
Escrito por João Werner, publicado na
Folha de Londrina, Caderno 2, 03/10/1991, pp.
4
|