Statement: textos que escrevi sobre minha obra
Outras informações sobre o artista
Sobre minha obra completa
- Trabalho há 25 anos (1982) tanto com pinturas quanto com esculturas. Comecei como entalhador de
madeira e depois fui aprendendo as diversas técnicas, especialmente a escultura com o cimento e o óleo
sobre tela. Embora muito diferentes em sua expressão, sinto-me à vontade com ambas.
Recentemente, comecei a experimentar a arte digital, realizada diretamente com softwares em um computador. Considero-a expressivamente similar às técnicas tradicionais de pintura. Muitas vezes, uma pintura digital parece-me ter sido feita com pincéis e tinta, por exemplo. Não sou um tradicionalista e, muito menos, um apocalíptico. Creio que as técnicas tradicionais vão conviver com as novas técnicas digitais, como parece ter ocorrido desde sempre na história da arte.
Meu trabalho é todo baseado em como imagino e intuo o ser humano. Não sou capaz de trabalhar por encomenda, a não ser que tal encomenda consista de total liberdade. Não sou capaz de sonhar o sonho de outros. E, embora meus quadros pareçam dizer o contrário, não faço arte de denúncia social. Defino a obra que faço como resultado de imaginação comovida, isto é, como o fruto da atenção que dedico ao fluxo de imagens que me percorre, emocionalmente tingidas pelo drama humano, pela pobreza e pelo trabalho. - I have been working for 25 years (1982) either with paintings or sculptures. I began making wood
engraving and afterwards I learned the various techniques, specially the sculpture using cement and
oil on screen. Despite being much different in the way of expressing, I feel very comfortable at both
of them.
I have recently begun trying digital arts, directly made through softwares on a microcomputer. I consider it significantly similar to the traditional painting techniques. On several occasions, it seems to me that a digital painting was made with brush and ink, for instance. I am not either a traditional or an apocalyptical admirer. I believe that the traditional techniques shall live together with the new digital techniques, as it appears to have happened since always on the history of arts.
My activity is all of it based on how do I imagine and feel the human being. I am not able to work upon order, unless such order consists of total freedom. I am not able to dream of other people's dreams. And, besides my paintings seem to say the opposite, I do not make social denouncement art. I define the work I make as a result of shaken imagination, that is, as the consequence of the attention I pay to the images flow passing by, emotionally dyed by the human tragedy, poverty and work.
Parabéns aos Contentes! Saudações aos Fartos! Laudas aos Salvos!
Texto sobre a exposição "Legião, almas pra todo gosto"
A guerra iconoclasta
do século VIII tornou explícita a virulência contida na figuração: causava polêmica, à época, a possibilidade
de uma imagem ser idolatrada como se fora, ela própria, um ser e, mais além, (e, pior ainda sob a ótica religiosa)
um ser "divino".
Mas é exatamente isto que vejo em alguns de meus retratos fictícios: traços humanos. Não traços meus, autobiográficos,
mas traços que, às vezes, eu me estranho ao percebê-los.
Vejo, em alguns deles, um olhar que denuncia uma intenção. Sinto que há uma "alma" para além das pinceladas
grosseiras do meu Flash. Há alguém lá, olhando de volta. Doces ou irônicas, amargas ou azedas, mansas ou raivosas,
há pessoas embutidas em algumas daquelas imagens.
Wittgenstein falou disso, Gombrich dedicou um livro a isso: como uma mesma coisa material pode apresentar aspectos
visuais distintos? Como posso ver, em um mesmo desenho, ora um pato, ora um coelho? Como uma simples conjunção
de cores e pinceladas pode apresentar aspectos humanísticos?
A arte plástica compartilha algo com o xamanismo e a invocação e esta minha exposição tem algo de vodoo,
como se fosse um mostruário de almas.
Enfim, razão seja dada aos iconoclastas....
Texto sobre a exposição "Motel barato"
Quando
olhei o conjunto destas minhas gravuras pornográficas lado a lado, percebi que, só em um daqueles moteizinhos
fuleiros que frequentava na juventude, poderia expor minha fauna erótica
Lembrei-me dos ambientes kitsch, cheios de coraçõezinhos cor-de-rosa, cupidos encardidos, frases de efeito e
juras de amor eterno, sussurradas entre manchas invisíveis de fluídos corporais alheios, espalhadas pelo piso,
paredes e lençóis. É o cenário perfeito/perverso para estas minhas gravuras feitas em Flash, um software de
que gosto muito porque me permite o uso de uma linguagem plástica grosseira e agressiva, binário-expressionista.
>Meu "pincel" no Flash tem a riqueza gestual que dá pra obter de uma lâmina de faca, com pinceladas variando
apenas em espessura e cores chapadas variando apenas em transparência. Não há modulação nem sutilezas, só toscas
marcas cromáticas espalhadas pelo piso, paredes, lençóis e corpos. Um arremedo de Impressionismo, feito com
cacos de vidro. Mais metaforicamente apropriado, impossível.
Texto sobre o entalhe em madeira "Alegoria à vida do 'Lugar Sem Nome'"
Trabalhei
neste painel entalhado durante 18 meses, aproximadamente. Foi um período quase monástico para mim. Entalhava
diariamente, consumia muitas drogas. Era um adolescente recém chegado de Nietzsche, Hermann Hesse e Dostoievsky.
Gostava da cultura grega.
Este painel é uma experiência mística, pessoal e lisérgica, traduzida através da interação entre sete figuras dispostas
em dois planos distintos.
Embaixo há duas figuras, o 'Devorador de olhos' e a 'Ninfa correndo'.
O cheiro do cedro, o tac-tac do trabalho de "pica-pau" são lembranças muito emotivas para mim.
Do lado superior, à esquerda, duas figuras de mãos dadas. A mulher segura os cabelos esvoaçantes da ninfa que
corre. O homem segura uma muda de cipreste que será plantada.
O último grupo de figuras é uma tríade inspirada na iconografia de antigos deuses hindús. É uma mesma personagem
repetida três vezes em situações distintas. A primeira aparição, ajoelhada, cava a terra onde será plantado
o cipreste. A segunda está de joelhos e voltada à direita, lança olhos que depois adquirem asas. A terceira
personagem está de pé e tenta alcançar o sol ao alto.
Entremeados a estas sete figuras há uma profusão de pequenos personagens, plantas e texturas.
Pinturas à óleo da série "Cinzas"
Minhas pinturas "Cinza" são o avesso da estética clássica, da beleza e da harmonia
greco-renascentista. Penso nelas como um "lado B" da arte, atravessando as portas abertas pelos "Caprichos"
de Goya, pela "Guernica" de Picasso ou por "Gritos e sussurros" de Ingmar Bergman. Acho que conceitos estéticos
do romantismo do século XIX como o feio, o trágico, o grotesco ou o cômico podem ser aplicados à estas minhas
pinturas.
Sinto-as como uma espécie de purgação, como um exorcismo da imaginação.
Sobre a pintura "Ícaro"
No
mito grego, Ícaro morreu tentando alcançar o sol.
A versão de que morreu pagando por sua arrogância é meramente uma interpretação cristã pervertida.
A interpretação que julgo a mais correta do mito é a de que qualquer busca por um deus leva à destruição. Ícaro
representa todo ser humano buscador de divindades, isto é, aquele que vai MORRER fascinado por algo inalcançável.
Quando criei este quadro, inicialmente queria representar a dor da ação de pendurar-se por ganchos.
é um tipo de ação penitente. Associei depois ao mito de Ícaro por que, para mim, buscar uma relação com o "divino"
é,especialmente, uma ação dolorosa e auto-destrutiva.
O nirvana é o suicídio do Eu.
Sobre a pintura "Clube de Levitação"
Esta
é uma segunda versão de uma pintura da década de '80. A primeira pintura tinha mais ou menos o mesmo tamanho,
porém era colorida, com um fundo azul, se bem me lembro.
O tema original era do poeta José Júlio Azevedo. Não sei bem qual era o contexto em que ele criou o clube, porém
a idéia me cativou. Quem eram os membros deste clube? Como eles levitavam? Era pelo uso de drogas?
Fiz o grupo praticando sua arte misteriosa dentro de uma caixa, mas não sei bem porquê. Penso, às vezes, que
pode ser uma metáfora de como a sociedade trata os imaginativos, mas não pensei nisso enquanto esboçava o quadro.
Sobre a pintura "Gauguin"
Essa
é uma cena que vi em São Paulo, próximo da Cardeal Arco-Verde, por volta do anoitecer. Um grupo de crianças
com os indefectíveis saquinhos de "iogurte" à boca, rodeando um rapaz sentado ao chão. Intenso congestionamento
da hora do rush na capital do país (Brasília, que Brasília? Brasília, na verdade é um esconderijo... mas esta
é outra história....).
A primeira vez que vi uma criança pequena se drogando, estava eu também totalmente drogado, andando pelo calçadão
em Curitiba atrás das fogosas"roxinhas" da capital paranaense. A criança era um menino de no máximo uns 10 anos,
descendo com um saquinho de cola na mão, totalmente despirocado.
Não tenho nenhuma intenção de fazer arte de cunho social, de denúncia ou qualquer outra coisa do gênero. Porém
estas são cenas trágicas, que marcaram minha imaginação.
Gauguin, entre os artistas que admiro, foi aquele que mais intentou encontrar a civilização além (ou aquém)da
civilização ocidental. Chamar tais culturas de bárbarie seria apenas reproduzir um preconceito.Será que em uma
outra instância de cultura -lá no Ta Matete, por exemplo - cenas selvagens como aquelas que descrevi acima fariam
algum sentido?
Neste meu quadro não quis expressar nenhum tipo de constrangimento ou julgamento ético. Quis que parecesse uma
cena normal e neutra, cotidiana e comum. Afinal, não é com uma indiferença assim que nossa sociedade trata tais
situações na realidade?
Sobre a pintura "Tio Hamilton"
A
arma que ele usou foi uma "garruchinha", calibre inferior a uma 22. Disparo que, surpreendentemente, não o matou.
Lembro-me de ter visto uma radiografia do crânio dele com a bala alojada. Morreu somente dez anos depois, alcoólatra.
Convivi com ele até por volta dos meus 8 anos. Lembro-me dele pela atenção que me dedicava e por ensinar-me
a jogar xadrez. Nunca soube, nem por ele e nem por ninguém, o motivo de sua auto-destruição.
Ficou para mim como um símbolo das vítimas que desaparecem sem deixar vestígios. Como disse o mestre Walter
Benjamin, os vencedores carregam em cortejo triunfal até mesmo a história dos vencidos. Pintei este quadro como
um modo de purgar a minha imaginação.
Escultura em cimento "Monumento ao Homem do campo"
A
idéia desta escultura era homenagear os muitos homens e mulheres anônimos que ajudaram a criar a região norte
do Paraná e a transformaram em grande produtora rural, originando as riquezas que tão poucos usufruem.
Não rendendo licitações, exatamente como aqueles a quem pretendia homenagear, a escultura era desinteressante
ao "Poder Público Municipal". Foi abandonada e depois se perdeu.
Hoje, está desaparecida.
Texto sobre a exposição "Feios, sujos e malvados", 2008
O
que une estilísticamente as 11 pinturas digitais expostas é a sua linguagem eminentemente figurativa e o conteúdo
polêmico narrado de modo escrachado. O título da exposição, inclusive, foi inspirado por um programa humorístico
de televisão.
>Nesse sentido, são parentes próximas da atual voga pop-surrealista do underground da costa oeste Americana.
São referências os artistas Mark Ryden,
Gary Baseman. Ou, no campo da cultura erudita,
Eric Fischl e
Damien Hirst.
Os temas de minhas pinturas giram em torno de sexo, drogas e violência. O sexo é vendido e comprado. As drogas
são consumidas publicamente. A violência se dá entre pessoas maduras ou contra a ordem pública. Cada pintura
narra uma breve fábula urbana, eco distante de um conto do mestre Dalton Trevisan. O belo e o agradável já se
foram, em um horizonte irrecuperável.
Não faço crítica social ou peroração moral. O que quero é capturar aquele momento humano tragicômico de alegria,
quando se festeja ter conseguido os primeiros cinco reais do dia pedindo esmolas, pois este é o valor de uma
lata pequena de cola de sapateiro.
Texto sobre a exposição "O cordeiro pressente o lobo", 2010
O
título de minha exposição tem três significados: como metáfora, remete às fábulas infantis e às fábulas religiosas
e, por outro lado, fala também de instinto, especificamente da sobrevivência. Acho que é disso que se trata
na arte. De incomodar, de assustar, de transformar. A arte é emersão do instinto na vida social.
Por isso, a arte deve ser o predador e a cultura, a presa. Minhas gravuras tratam de temas considerados tabu,
desagregadores. Auto-mutilação, suicídio, incesto e o uso de drogas. Nenhuma delas foi feita para agradar mas,
se são arte, só os cordeiros poderão dizer.
Todas foram criadas em computador. Elas não preexistem como pintura, por exemplo. Depois de finalizadas, são
impressas em uma impressora de alta qualidade gráfica, uma a uma. Está se firmando nos meios artísticos o nome
de "giclée" para este tipo de gravura. O cuidado com o papel utilizado na impressão bem como a seleção de uma
impressora apropriada, garante a aceitação pelos grandes museus deste novo tipo de arte.
Sobre a gravura digital "Angelina se mutila"
A
notícia da bela atriz se auto-mutilando com facas é comovente.
Quando experimentava, através de esboços, a melhor posição para os braços da figura, vi a Deusa Kali hindú.
Sobre as pinturas e gravuras "Rurais"
O
tema rural deriva todo de minhas lembranças de infância. Não que necessariamente tenha vivido cada cena que
ilustro, mas o convívio com a Terra deixou marcas indeléveis em mim. Em meu trabalho artístico, a dualidade
presente não é a que existe entre o campo e a cidade, mas sim a que há entre a Terra e o céu. Sinto a Terra
como plena de vida e de desejo de viver, multiplicando-se erótica e fartamente.
Plasticamente, o trabalho com a terra me dá uma riqueza e profusão de cores e de texturas. é possível e comum
encontrar contrastes dramáticos entre um verde claro da vegetação e o vermelho sangue da minha terra local,
ou entre o laranja queimado dos trigais maduros e o azul profundo e luminoso de um céu cristalino.
Por outro lado, no seu trabalho com a Terra, o ser humano tem posturas corporais dinâmicas e variadas. Desenhar
o trabalhador rural em sua lida propicia, espontaneamente, composições cheias de vida e de intensidade.
Sobre minhas pinturas e gravuras "Urbanas"
Embora meus quadros
pareçam dizer o contrário, não faço arte de denúncia social.
Defino minhas pinturas como o resultado da imaginação comovida, isto é, como o fruto da atenção emocionalmente
tingida pelo drama humano, pela pobreza, pelo trabalho humilde e a diversão barata.
Cada pintura retrata uma estória não escrita, porque história de anônimos.
Os doces sem embalagem expostos na vendinha da esquina, o forró à luz das lâmpadas de 60w., o calendário de
mulher pelada amarelado pelo tempo. Quem olha pra isso? Pra que olhar pra isso?
Um cachorro preto perambula entre os barracos de minha pintura "favela". Não há comida pra ele ali, entre os
famintos. Mesmo assim, que diferença faz.
Sobre o relevo em cimento "Shikasta"
O
relevo em cimento "Shikasta" é inspirado em romance homônimo da autora Doris Lessing, Nobel de Literatura. Narra
o desenvolvimento da humanidade a partir da intervenção de seres divinos.
A narrativa se desenvolve da esquerda para a direita, como uma história em quadrinhos. Ao mesmo tempo, o painel
é dividido por uma linha horizontal entre duas seções, superior e inferior.
Na inferior, vê-se uma parábola da história humana, através do uso da tecnologia em benefício da guerra. Na
parte superior, vêem-se figuras aureoladas que, como fabula Doris Lessing, intervêm pelo bem da humanidade.
O frontão é dividido em 8 partes narrativas. Esta divisão corresponde à necessidade técnica do trabalho em cimento.
Como seca rápido, é necessário dividir o trabalho em etapas.
Texto sobre minhas esculturas da série "Figurinhas"
Minhas
esculturas em cimento de pequeno porte são de minhas obras preferidas. Gosto de chamá-las "figurinhas" pois
sua escala e seu peso tem algo de pueril e frágil.
Começo a trabalhar vertendo o cimento molhado em uma caixa de madeira que previamente construí. Quando o bloco
de cimento adquire um ponto de secagem suficiente para se sustentar sozinho, retiro a caixa e exponho o bloco
semi-úmido.
Trabalho com ferramentas de aço, estecas de argila, colheres, arames e qualquer outra coisa que esteja à mão
e seja útil. Tenho de ser rápido e terminar a peça antes que o bloco de cimento seque totalmente. Depois de
seco o bloco, não trabalho mais.
Já perdi várias esculturas por não conseguir terminá-las totalmente antes que secassem. às vezes, um dia particularmente
quente e seco acelera a secagem, ou chega uma visita a quem dedico atenção ou, mesmo, um erro meu na avaliação
da umidade do bloco.
Texto sobre a exposição "Arte digital", 2007
A criação das pinturas digitais
A arte digital representa o novo na arte. é o que há de mais moderno e inovador nas técnicas artísticas.
Em poucos anos, prevejo que a arte digital vai ampliar exponencialmente o número de seus praticantes
e colecionadores. Entre inúmeras outras razões, está o fato de que a atual desconfiança e resistência
que as gerações mais velhas têm com o computador vai desaparecer totalmente. Para os jovens de hoje,
o computador é o principal equipamento de lazer e trabalho.
Muitos colocam em dúvida a ética envolvida na criação de arte digital. Ora, o fato de alguém utilizar
tinta à óleo para falsificar um Rebrandt ou para fazer uma pintura de péssima qualidade, não desqualifica
a tinta à óleo como um sofisticado instrumento artístico. São os seres humanos e não as técnicas que
são éticos.
Minhas pinturas digitais são realizadas através de softwares que simulam pincéis, cores e telas. Para
algumas destas pinturas, eu faço um esboço à lápis prévio que é posteriormente passado para o computador
através de um scanner. Depois, este esboço é totalmente reelaborado.
Sendo assim, não existe uma pintura original à óleo, por exemplo, que tenha sido fotografada e depois
impressa. Minha arte digital é exclusivamente criada apenas através do computador. Nenhuma de minhas
pinturas à óleo ou acrílica foi ou será impressa e vendida como arte digital.
Como tenho experiência de mais de 25 anos com as técnicas artísticas da pintura e escultura, posso dizer
que o trabalho da imaginação e da sensibilidade envolvidos na criação da arte digital é o mesmo. Não
há os aromas nem os sons de um atelier tradicional, mas a empatia com a imagem, com o tema, o desenho,
a composição, as cores, é o mesmo.
Impressão em Giclée ou digigrafia
De cada pintura, faço tiragens de 50 exemplares, assinando, numerando e datando cada uma, de próprio
punho. A tiragem não é realizada de uma vez só, mas "by demand", isto é, cada gravura é impressa conforme
é comercializada.
Como em uma tiragem de gravuras tradicionais (xilo ou serigrafia, por exemplo), cada impressão é numerada
1/50, 2/50, 3/50 e assim sucessivamente, indicando a ordem daquela gravura no conjunto bem como o total
delas. Desta maneira, a última das gravuras será numerada 50/50.
Estilo
O estilo de minhas pinturas é figurativo. Isto ocorre porque gosto de desenhar. Mas não gosto que meus
quadros pareçam fotografias. Gosto da irregularidade que resulta de um traçado à mão livre, das imprecisões
e indecisões que a linha preserva enquanto me concentro na imagem que desenho.
Nenhum de meus temas é gratuito. Não desenho cenas porque possam ser mais comerciais. Faço pinturas
rurais, por exemplo, porque cresci no meio rural, e minha imaginação está impregnada da terra vermelha
do norte do Paraná. Faço pinturas urbanas porque morei por dez anos na megalópole São Paulo, capital
de todos nós.
Pinto uma imagem não por ela ser bela ou agradável mas, primeiro, por que ela me comoveu.