"Pinturas digitais ganham destaque internacional"
Nelson Sato
João
Werner, artista plástico londrinense,
participou da Bienal Internacional de Arte Contemporânea, na Itália.
A linguagem digital integra, há anos, os salões de arte
contemporânea. Embora triviais, para artistas experimentalistas, os novos
suportes tecnológicos ainda sofrem resistência entre pintores
tradicionalistas. O londrinense João Werner é uma exceção. Acaba de retornar
da Itália, onde foi mostrar suas pinturas figurativas, produzidas em
computador, para os visitantes da 6 Bienal Internacional de Arte
Contemporânea, realizada na cidade de Firenze.

''Arte digital é um conceito em aberto. Todos querem saber
o que é uma produção artística legítima dentro desse segmento. No meu caso,
trabalho com softwares de pintura que simulam pinceladas, cores e telas'',
diz ele. Atuando há 25 anos, Werner sempre foi aficcionado por computador,
mas só há 1 ano decidiu mudar de suporte artístico, substituindo tintas e
pincéis pelos programas de computador.
''Sou um artista tradicional, figurativo. Para esse tipo
de expressão, o trabalho da imaginação e da sensibilidade, envolvido na
criação de arte digital, é similar ao empenhado na utilização da tinta
acrílica ou óleo. Mesmo não havendo cheiro da tinta, nem a interação com a
tela, a técnica, a linguagem e a expressão são as mesmas, com a vantagem de
que a ferramenta permite ao artista refazer e remontar a composição com
facilidade. As possibilidade são imensas'', salienta.
Em Firenze, Werner participou das atividades da Bienal e
aproveitou sua primeira viagem a Europa para visitar Roma. O convite para o
evento surgiu após a curadoria tomar conhecimento de suas obras por meio do
site www.joaowerner.com.br. Lá, 840 artistas de 76 países tiveram seus
trabalhos expostos entre os dias 01 e 10. O londrinense apresentou 26
pinturas em sistema de data show.
''Foi uma apresentação multimídia. Se fosse levar telas,
daria para transportar no máximo umas quatro'', revela. Durante a estada na
Itália, assistiu a conferências, fez contatos com artistas e apreciou alguns
trabalhos inusitados. ''Notei uma grande corrente de artistas usando
softwares para criar situações não corriqueiras. Vi, por exemplo, um
trabalho em que uma menina ficava postada e, à medida que ela se
movimentava, um tela projetava uma estrutura matemática e geométrica que
reproduzia o que acontecia com seu corpo'', conta.
De volta a Londrina, Werner quer difundir a técnica da
pintura digital. Em seu processo de criação, ele trabalha a imagem
utilizando uma caneta eletrônica sobre uma prancheta digital, acoplada ao
computador. ''Conforme eu risco, ele reproduz as linhas do desenho na tela.
É um procedimento parecido com o uso do nanquim ou de uma esferográfica
sobre o papel'', explica.
Depois de prontas, as pinturas são impressas sobre papel
de aquarela Arches, de alta durabilidade. Todo o trabalho de impressão das
gravuras é realizado por uma empresa de São Paulo com mais de 40 anos de
tradição na impressão artística de gravuras tradicionais. De cada pintura,
ele faz tiragens de 50 cópias assinadas, numeradas e datadas de próprio
punho. Os temas trazem, na maioria, imagens rurais.
O tempo de criação, segundo ele, é o mesmo que utiliza
para pintar um quadro nos moldes clássicos. ''Levo de três a quatro dias no
computador, porque o método é o mesmo'', assinala. Segundo o artista, sua
técnica tem despertado curiosidade em Londrina. ''As pessoas vão ao ateliê e
querem saber como eu faço, me pedem aulas. Estou pensando em ministrar um
workshop para fazer uma demonstração do processo de criação'', anuncia.
Dados da publicação
Folha de Londrina, Caderno de Cultura Folha
2, pp. 1, 18 de dezembro de 2007. |