João Werner

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Diga sim ao Artista

e NÃO à indústria cultural

Minhas gravuras ilustram 78 poesias

Todas as gravuras, pinturas e esculturas apresentadas aqui foram escolhidas espontaneamente por poetas, ensaístas e editores através da internet.

Alguém procura uma imagem no Google sobre, por exemplo, "boteco", ou sobre "forró" ou sobre "mulher nua", quem sabe? Encontra, em sua pesquisa, as minhas gravuras. Gosta delas e as utiliza para ilustrar o seu blog ou site.

Das poesias que aqui apresento, seus poetas ou editores tiveram a gentileza de citar a minha autoria. Por isso os encontro.

 

 

A pintura "Moça dormindo" ilustrou a capa do livro "Fronteiras, Poemas", de Cida Sepulveda. Campinas (SP), Editora Pontes, 2008. 74 pp.

Poesias de 2010

Toda riqueza provém de violência

 

2010, julho 06 - O poeta Freddy Diblu fez uma releitura da "Canção do exílio" de Gonçalves Dias.

 

 

Canção do idílio,

Data venia

 

"Minha terra tem carteiras,

Onde canta o jabá;

As rapinas que aqui rodeiam,

Não saqueiam como lá.

 

Nosso ao léu tem mais estrelas,

Nossas praças têm mais atores,

Nosso zé-povo tem mais lida,

Nessa lida mais “mordedores”.

 

Em chiar, sozinho, ao açoite,

Mais quelelê encontro eu lá;

Minha terra tem carteiras,

Onde canta o jabá.

 

Minha terra tem no 171 “doutores”,

Que tais não encontro eu cá;

Em chiar – sozinho, ao açoite –

Mais quelelê encontro eu lá;

Minha terra tem carteiras,

Onde canta o jabá.

 

Não permita Deus que eu corra,

Sem que me revolte por lá;

Sem que refute os usurpadores

Que não encontro por cá;

Sem qu’inda reviste as carteiras,

Onde canta o jabá."

 

Freddy Diblu

Pintura à óleo "Orfeu"

Orfeu

 

2010, julho 08 - Minha pintura à óleo "Orfeu" foi exibida no blog Verso e prosa, ilustrando a poesia "Anacoluto" de Dom Quixote.

 

O meu verso adolescente

É pra você

Torto e sonso

Esse meu verso

Que enviesa quando olha

De soslaio

Se apruma

E faz pose de adulto

Esse verso

Adolescente

Que implica com a sua pose

Implica por não saber

Como lidar com você

Como lhe dar esse verso

Me dar assim pra você

De presente

De repente

Ou relance

Esse verso

Adolescente

Mergulho

 

2010, junho - Minha pintura digital "Mergulho" foi exibida no blog Tuda Pap.el el.etrônico, ilustrando a poesia "Mergulho", de Plínio Aguiar.

 

"Abaixo da superfície de arrepio da nesga de mar
Que vejo sentado no sofá na sala na manhã
Devem estar peixes, diversas cores, tamanhos,
Formatos diferentes no padrão de nado e guelras,
Escamados e encourados com listras e pintas
Que não eliminam a possibilidade de desejo.

Abaixo da superfície de arranhões da faixa de mar
Que sinto nos olhos parados estariam começo
E fim, vulcões, serpentes e pentes de sereias
Verdes, o próprio enigma de estar o que poderia
Não estar no trocadilho de horas enferrujadas,
dados do polifemo, Ulisses, regressos calados.

Abaixo da superfície de violência de sobra de mar
Que noto entre copas de árvores funciona usina,
Vultos submergindo-se originados de albumina
Mergulhando no verbo pronunciado em encontro
De águas, espuma, sonhos, argila. Guitarras
Emergem surpresas presas à quilha do último beijo."

Casal III

 

2010, junho 02 - Minha gravura digital "Casal III" foi exibida no blog Lima Coelho, ilustrando a poesia "Na moldura do soneto", de autoria de Freddy Diblu.

 

"Amor é a incompletude do prazer

Fulgor e inquietude de alma acesa

É virtude de dor, amiúde e coesa

Tem a ver com perpetuidade do ser.

 

Sus! Mas é furor que produz beleza

Que exala assaz o torpor de felicidade

E se conduz a grandeza na efemeridade

– O que mais faz juz por delicadeza!

 

O Amor cai bem demais em lua nova

Bem com vinosidade em flux de ais

E com afinidade à meia-luz de alcova.

 

Ademais, vai além de orgasmos plurais:

É bem de entusiasmos originais, que inova.

Amor? Quem o prova não se satisfaz, jamais!"

Favela

 

2010, maio - O poeta Freddy Diblu escreveu a poesia "Excêntricos corruptores", irmã gêmea, mas letrada, desta minha "Favela".

 

Excêntricos corruptores

 

"Friiia... ssssom-bria... sorrateiramente!

Sois vós

que sorrides espectros satânicos

lacrimejais peçonhos exóticos

Sois vós

que cuspirdes tributos lancinantes

escarrais juros ebola

Sois vós

que arrotardes peculatos macabros

vomitais verdinhas infectas

Sóis vós

que assoviardes militantes

mercenários

espirrais paus-mandados sectários

Sois vós

que mijardes mísseis aterrorizantes

evacuais borras radioativas

Sois

de quem desabrocham bocas-do-lixo

assanham-se déspotas sanguinários

Sois

a quem enfureçam mãos hediondas

atiçam barbáries gangrenáveis

Sois

por quem sentenciam autos-de-fé

alastram cárceres barras-pesadas

Vós!

quando prostituístes a paixão

corrompestes o amor

sequestrastes os sonhos

Vós que sois

A b j e t o s

Parasitas, marotos

vermes nas chagas

Só vós

o mau-olhado atroz

a fedentina dos esgotos."

Moça nua

 

2010, abril 24 - Minha gravura digital "Moça nua" foi exibida no blog "Prosa e verso de boteco", ilustrando a poesia "Nesta rua", de Zenaide Negrão.

 

"Nesta rua...

 

Num tempo primeiro

de primeiros passos

passo a vida em coloridos

ladrilhos de pedrinhas de brilhantes.

 

Num segundo momento

o tempo do sofrer se faz presente

e a vida se torna cimentada

e junto aos brilhantes

brotam espinhos.

 

Num último momento do meu tempo

os brilhantes, o sofrer e os espinhos

estão todos reunidos

numa ínica rua

num único bosque

numa única vida

num único coração.

 

Solidão..."

Procurando na escuridão

 

2010, abril 05 - Minha gravura digital "Procurando na escuridão" foi exibida no blog Caos ordenado, ilustrando o ensaio "Meia-noite", postado por Martín Langou.

 

"os inimigos, quando atacam, parecem unir-se no ataque / aparecem todos juntos, de surpresa, ao cair da noite / querendo me pegar no contra-pé / testes de firmeza para uma prática forçada e, quiçá, maltratada / quando a luz se vai, fica sua ausência, oportuna quando vista como uma passagem / vamos, cavaleiro, que a luta é grande e a vitória só é possível sobre si mesmo / "um leão por dia", berra a espada, sedenta por mais sangue que se transforma em suor da libertação... de si / instigado para mais luta, relutante quanto à própria força e a brecha no alto do cume do túnel que, por um simples raio de intuição, mostra a aurora já tão próxima / Ao amanhecer, tudo estará limpo e serei, novamente, eu e Eu, apenas."

Ninfa

 

2010, março 20 - Minha gravura digital "Ninfa" foi exibida no blog O imaginário, ilustrando a poesia "Soneto para o Dia Mundial da Poesia", de autoria de Márcia Sanchez Luz.

"Vem pra cá, minha Poesia!

Diz o que devo fazer

durante estas noites frias,

quando é difícil viver!

 

Traz de volta o som que havia

nas notas do alvorecer,

nos semitons de outros dias

que me faziam vencer

 

manhãs de rondas infindas

(entre emoções e razões)

dentro de meu existir.

 

E assim o dia que brindas

será de intensas paixões

num corpo inteiro a sorrir."

Leda

 

2010, março 12 - Minha pintura acrílica "Leda e o cisne" foi publicada no blog "Recanto das Letras", ilustrando a poesia "Ritos de passagem", de Jorge Luis da Silva Alves:

 

"Agora batizada no fogo das vontades, Valéria abriu-se, farfalhante, para o céu sem lume, exigindo na soberania dos seus novos desejos:

 

“Vem, que eu quero você.”

 

Principesco, real, o cisne deslizou nas águas escuras da incerteza futura, abarcando Valéria para a gloriosa viagem das revelações."

(fragmento)

"Casal III"

2010, janeiro 26 - Minha pintura digital "Casal" foi exibida no blog Graça Graúna, ilustrando a poesia "Quase um alento", de Graça Graúna.

 

"Sonho, acordo e enloucresço.

Penso: a vida seria desolada

se não houvesse canções de amor.

 

Não digo, só penso:

você é quase o meu alento

ou quase tudo que eu quero.

Vamos seguir a canção

e deixar acontecer.

“Pra quê rimar amor e dor?”

 

Você é quase meu alento

Vamos deixar o nosso nome na porta

e seguir a canção."

"Mesa de bar"

 

2010, janeiro 02 - A gravura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog Prosas da Amazônia XXI, ilustrando a poesia "Amigo meu", de autoria de David Carneiro.

 

"Sei que tu erraste e erraste feio amigo meu

E que, como um menino, vais pedir perdão

Como entre prantos segues para tua amada

Que te diz agora em desengano

Preferir a tudo a solidão

 

Amigo meu qual foi teu crime?

Artigo 115: Apaixonar-se por outro alguém

Não te renego e nem te julgo

Pois eu te confesso mau adulto

Já sofri de amor também

 

Agora sei que te reviras na tua cama

E que um nome chama quando não crê

Que tu fizeste por uma lira

 

Enfeitiçado por uma gira

Teu grande amor tanto sofrer

 

E eu que te olho e nada falo

Fico calado, sentindo a dor do teu penar

Que hoje anda errado e anda errante

Na busca ingrata e incessante

De um tão distante perdoar

 

E este mundo que agora tanto fala

Que só te julga e te condena por traição

Não carrega metade do amor que arde

Calado e doído

Dentro do teu coração."

"Casal III"

2010, março 24 - Minha gravura "Casal" foi exibida no blog Notícias do Sertão, ilustrando o post "Poema 'Quase um alento'", de autoria de Graça Graúna e postado por Simone Cabral.

Poesias de 2009

"Vaso com flores"

 

2009. novembro 10 - Minha gravura decorativa digital "Vaso com flores" foi exibida no blog Recanto das letras, ilustrando a poesia "O SUICÍDIO (para minha amiga N...)", de autoria de Maria Martha:

 

"Sobre seu corpo brotarão flores que minhocas deixarão viver.

Lamento, amiga.

Vá com Deus."

Moça nua

 

2009, novembro 05 - Minha gravura digital "Moça nua" foi exibida no blog "Partos de Pandora", ilustrando a poesia "Adormece", de autoria de Violeta Teixeira.

 

"Adormece! A morte abre a porta. Deixa-a entrar!

Sentar-se-á. Olhar-te-á. Que importa! Dormes.

Dormes. Serena, como a boneca de porcelana,

Despenteada. Pernas quebradas, mas a abraças,

E sonhas a criança. Essa mesma! Abraça-a!

A morte, tenta acordar-te. Atropós prepara-se

Para cortar a trama tecida. Dorme! O corte é doce.

Acordarás outra. Orquídea roxa. Pedra granítica.

Música nas veias de fontes, antes, secas. Dorme!

 

Abraça a boneca de porcelana! Essa mesma!

A da criança! A sepultada, no poema. Eterna!"

Menino

 

2009, novembro 01 - A gravura digital "Menino" foi exibida no blog "Partos de Pandora", ilustrando a poesia "O que é o ser?", de autoria de Violeta Teixeira.

 

"Sentada. Descalça. Mergulho as pernas, nas levadas

Das regas de morangueiros e de mangueiras,

Cuja terra seca suplica chuva. Subitamente, uma pergunta

Se insinua, dorida, nos corredores escuros, da sua mente,

Olho para as nuvens despenteadas pelo vento, com gestos

Ternos, em busca de uma fuga. Mas a pergunta penetra-me

Nas veias, inunda-me, transborda, quebra os diques

Indefesos da garota. As pernas, essas, navegam nas águas,

Aparentemente, ingénuas, como barcas seguras do rumo

Traçado. Olho, de novo, para o céu cinzento. Desaba-me

Sobre os ombros, pesado, inclemente. Que sei eu do Universo?

Porque me estou na Terra? Quem me deu o Ser? Se me sou?

Tremem-me as pernas. Indefesa, os meus dedos lavram

Lamas, arrancam ervas, mas torturam-me as trevas

Do conhecimento. Por que me estou no ali? Donde vim?

Resposta alguma que me satisfaça! Aprendera, cedo,

Que não havia deus algum. Que, na natureza, nada se criava,

Nada se perdia, mas tudo se transformava. Logo era um bicho

Da terra. Logo, a ela voltaria, como os pássaros que amava,

E nunca destruía os seus ninhos, porque se eternizavam

Nos filhos. Sim! Já havia aprendido, precocemente, é certo,

Mas tudo me fora dito, sem eufemismos, sem um gesto de afecto.

As águas das regas continuam. As pernas? As pernas? Da garota

Rebelde? Permanecem mergulhadas nas águas frias, mesmo no agora

Do escrevo. Anoitece! Agradeço as raízes do legado paterno,

Embora, tenham sido plantadas, no solo inocente da criança, que

Deixou , cedo, de o ser, se alguma vez o foi. Apago o olhar desse

Tempo? Como o fazer? Sempre aceso, como o cigarro que fumo,

O vinho que bebo, para anestisiar o cio, as palavras que teço.

Como amortalhar a madrugada? Embriago-me! Drogo-me.

«Cada um tem o seu ópio». Aperto as pálpebras. Cego-me?"

Amantes II

 

2009, outubro 31 - Minha escultura em resina "Amantes" foi exibida no site Recanto das letras, ilustrando a poesia "Tu e eu" de autoria de Helena Luna.

 

"Todo dia em nós mesmos nos perdemos

em momentos de amor - pura paixão.

É por ele, pelo amor, que nós vivemos,

bate sempre forte, firme, o coração.

 

Nada há que se compare à emoção.

São instantes, para mim, doces,

supremos.

Todo dia em nós mesmos nos perdemos

em momentos de amor - pura paixão.

 

Abraçados no meu leito amanhecemos,

corpos juntos, meus seios em tua mão,

como fossem delicados crisantemos

a vibrar em colorida floração.

Todo dia em nós mesmos nos perdemos."

"A almofada vermelha"

 

2009, setembro 16 - Minha gravura digital "A almofada vermelha" foi exibida no blog Ela nua é linda", ilustrando diversas poesias. Editor e poeta Luiz Alberto Machado.

"Angelina se mutila"

 

2009, setembro 15 - A poeta Clevane Pessoa escreveu a poesia "Alegoria para Angelina".

 

"Angel de quatro braços

Mina energia entre traços,

Traça grafismos no ar.

Começo da era, Eva primeva,

todo final é recomeço,

ciclos espiralados,

arcos de cores nos céus,

círculos concêntricos na água

onde bate a pedra da lua

ao olhar do arremessador."

 

ver a poesia na íntegra

 

2010, maio 30 - A poeta Clevane Pessoa republicou esta poesia no site da Unión Hispanoamericana de Escritores, em uma coletânea intitulada "Quando poetizo pinturas de João Werner - alguns poemas meus e obra dele". As poesias foram criadas a partir de 3 de minhas gravuras, "Burquinha", "Parada de ônibus" e "Angelina se mutila".

"Colhendo laranjas"

 

2009, agosto 29 - A gravura digital "Colhendo laranjas" foi exibida no Blog da Professora, ilustrando a poesia "Laranja rosada", de autoria de Luciana Carreiro Fernandes.

 

"Laranjas são como crianças.

Estão em quase todo o lugar.

Laranjas são lindas.

Redondas.

Cor-de-laranja.

Lembra do sol.

Quente. Que brilha intenso. Radiante.

Como o sorriso e os olhos da criança.

Laranja ativa o humor.

Dá energia.

Trás alegria.

Todo mundo gosta de suco de laranja!

Laranjas são ricas em vitamina C.

Uma vitamina que reforça nosso organismo.

Precisamos dessa vitamina,

Assim como eu preciso de crianças…

Então arranja as laranjas.

Pode chupar ou fazer suco.

Coloca na receita do bolo.

Fazer bom uso para que a criança seja:

Cor-de-laranja rosada.

E não falte nas aulas.

Trazendo alegria e saúde.

Como a laranja me trás."

"Poeta meditando"

 

2009, agosto 12 - A pintura digital "Poeta meditando" foi exibida no blog "Partos de Pandora", ilustrando a poesia "É este o meu ofício", de autoria de Violeta Teixeira.

 

"É este o meu ofício. O grito. O grito do bicho

Da terra. Do corpo da terra, peregrino, sem fé,

Ao rés do vazio, morto de frio, a espera

De um signo, que frutifique nos espinhos.

Espera ilúcida e única do caminho que ilumine

O silência, súbito, vinho, para a embriaguez

Das palavras da vida e da morte. A brasa rubra

De uma pedra coze-me o pão do poema.

É este o meu ofício. O grito faminto

Do corpo da terra. Do bicho da terra. Grito!

Invoco, com avidez, a voz que tarda a ser voz,

Que tarda a ser tear. Trêmula e indevisa, início

O tecer do tempo voraz, mas este tudo faz

Para abafar a nudez do grito. Pudor absurdo, Porque,

sempre está a escuta o leitor, sabendo,

Sem o dizer que, talvez o grito sufocado

Dê à luz, numa obscura e pura madrugada,

Um cântico ferido, mas tecido de amor,

O mesmo será dizer o lugar branco da morte."

"Mergulho"

 

2009, julho 29 - A pintura à óleo "Mergulho" foi exibida no blog  Noturno citadino, ilustrando a poesia "Pular de um quinto andar?", de autoria de Giuliano Quase.

 

"não seja ridículo.

olhe lá embaixo.

quantos metros cê acha que tem daqui lá?

é bem capaz mesmo. é muito pouco, não vê?

 

desta altura, cara, o máximo que vai te acontecer é quebrar uma perna. ou as duas. pode ser que o femur se esmigalhe uma costela fure o pulmão o joelho salte da parada e fratura exposta aquela sanguerada toda e você lá agonizando eu aqu’incima desesperado pronto morreu...

 

quem sou eu pra te dizer, cara,

o que pode e o que não pode se só tentando?

 

mas de ponta cabeça.

assim de coco no chão:

 

toc

 

pode que pode ser:

 

e bau bau."

"Cristal"

 

2009, junho 07 - A pintura digital "Cristal" foi exibida no blog "Noturno citadino", ilustrando o poema "valor e cultura", de Giuliano.

 

"O copo de cristal por si não é belo.

Pode ser um objeto.

Talvez sua beleza esteja na moldura do contexto."

"Colhendo laranjas"

 

2009, maio 31 - A pintura digital "Colhendo laranjas" foi exibida no blog "Intertextualidades. 'Estou vivo e escrevo sol'", ilustrando a poesia "Laranjas de maio", de Luís Filipe Pereira.

 

"Amanhã

Quando vier o vento

Deslizar na ave de água

Adstrita à madrugada

 

Seguirei o som das laranjas

Sob o sol macio de maio

 

Amanhã

Quando cair a janela

Como folha desfeita

Na foz dos dedos

Encontrarei nas ervas

Uma jangada de verdura

Afagando-me os joelhos

 

Ficarei com os fios dos jardins

Amá-los-ei no poema com os periféricos

Pulmões dos nomes

Dóceis de árvores

 

Amanhã

Entre os gomos do mar

Cerca dos corais das laranjas lentas

E os polegares

Que inclinados no ígneo vento da voz

Irão percutir

Pingo a pingo

O bando de águas

Que virá beber

Nas cascas vazias

Dos meus bolsos"

"Jovem anarquista"

 

2009, maio 01 - A pintura à óleo "Jovem anarquista" foi exibida no blog Que mundo doido, ilustrando a poesia "Anarquista (?!)", de autoria de Sidney Crivelari. Fragmento:

 

"Rebelde,

Radical,

Excomungado,

Anarquista

 

Se lutar pela justiça,

Contra o abuso do poder comprado,

Este poder infame,

Retalhado de mentiras.

Se lutar pelos nossos direitos

É ser anarquista,

Então Mamãe,

Seu filho é um anarquista (?!)"

"Sinuca"

 

2009, maio 01 - A pintura à óleo "Sinuca" foi exibida no blog Bar do Bardo, ilustrando três poemas, "Três cenários suburbanos", de autoria de Henrique Pimenta.

 

"Bolero misturado com samba

 

"O cara vai à zona de pijama.

A linda se apaixona pelo cara.

Os dois, pois, se aconchegam numa cama

e, após, pois, se chamegam numa tara

 

de gosto duvidoso. O par se gama,

repete o ritual, ele não para,

deseja que deseja e faz a fama.

É a lenda da menina que dispara

 

da vida de puteiro suburbano,

sem máculas, no amor purificado,

por Nossa Senhorinha da Assunção.

 

É a lenda do senhor que é ser humano,

que acolhe sua escolha sem passado,

nas bocas da Favela Coração."

"Ícaro"

 

2009, abril 15 - A pintura à óleo "Ícaro" foi exibida no blog O silêncio dos versos, ilustrando o poema "La cena", de Manuel Díaz Martinez, postado por Lilina Jasmin.

"Semeador"

 

2009, março 26 - A pintura acrílica "Semeador" foi exibida no blog Tatuagem, ilustrando o poema "Ao meio dia, inteira" da poeta Carmen Fossari.

Fragmento:

 

"Nem ao filete do sol

Ensolarando este jardim

Que entre o muro e o jardim

Colhem meus olhos tu

Que do amor plantas

Os mistérios ,docemente

Como a portão aberto para a vida."

"Carregadores"

 

2009, março 13 - A pintura à óleo "Carregadores" foi exibida no blog "Poética e cotidiana", ilustrando poema de Bertold Brecht, "Perguntas de um operário letrado". Fragmento:

 

"Em cada página uma vitòria.

Quem cozinhava os festins?

Em cada década um grande homem.

Quem pagava as despesas?

 

Tantas histórias

Quantas perguntas."

"Sátiro à noite"

 

2009, março 11 - Foi exibida no blog Ciranda do esquecimento, ilustrando o poema "Licantropia", da poeta Laurene Veras.

 

"Rasga

a pele

que te engasga

 

Sibila

e troca de casca

 

Arrebenta pontos

abre cicatrizes

 

Puxa os fios soltos

arde em magentas

rejeita os matizes

 

 

Sê fera

medra no inadiável

e mira

o espelho inquebrantável

 

de ti."

"Espaço interior"

 

2009, março 09 - A pintura acrílica "Espaço interior" foi exibida no blog Lendo poemas, ilustrando o poema "Espaço lírico" do poeta Cassiano Ricardo, editada/postada por Jefferson Bessa

"Mulheres no varal"

 

2009, março 06 - A pintura acrílica "Lavadeiras" foi exibida no blog Blog da Laura, ilustrando poema de Pedro Bloch. Postado por Laura Peixoto.

 

“Nossa jaula

somos nós mesmos,

que vivemos

polindo as grades

em vez

de libertar-nos.”

"Monumento ao trabalhador rural"

 

2009, março - A escultura "Monumento ao trabalhador rural" foi homenageada em poema por Freddy Diblu, através da poesia "Um causo campesinho". Fragmento:

 

"Quer Zé Negrim ave-marias

Um alvorecer todo de pipiras

Retrato dele à vela de sete dias

A meninada de olhar assuntado

Violas dedilhadas no trato caipiras"

 

(ver a íntegra da poesia)

"Pipa II"

 

2009, fevereiro 07 - Foi exibida no blog Longitudes, ilustrando o poema "Dê corda", da poeta Nydia Bonetti.

"Dê muita corda

Deixe seu sonho voar

Ele tem pressa

Ele não pode esperar

Morre de esperar demais."

 

2009, janeiro 02 - A pintura à óleo "Anjo caído" foi exibida no blog Clevane_em_Pessoa, ilustrando o poema "Anjo caído" de autoria de Clevane Pessoa, em diálogo criativo. Fragmento:

 

"abrir a boca de espanto,

cair das própria altura, em pleno vôo de reconhecimento,

e sentar-se desanimado, cansado de lutar

por uma humanidade falida e inconstante..."

 

2009, janeiro 03 - A pintura e o poema foram republicados no blog Mhário Lincoln do Brasil.

Poesias de 2008

"Mulheres no varal"

 

2008, dezembro 06 - A pintura mista "Lavadeiras" foi exibida no blog Lavando calcinhas, ilustrando o post "Lavadeiras", poema de Anabel Andrés. Postado por Lia.

"Boteco"

 

2008, dezembro 04 - Foi exibida no blog Cativa do Deserto, ilustrando o poema "Conversa póstuma", de autoria de Miguel do Rosário. Publicados por Camilla Lopes. Fragmento:

 

"de que adianta morrer

se deixas teu cheiro

e contas não pagas

em hotéis baratos

da praça tiradentes?" [...]

"Poeta meditando"

 

2008, novembro 21 - Foi exibida no blog Viva a poesia, ilustrando o poema "Epitáfio para la tumba de um poeta", de José Hierro, editada pelo poeta e professor Sílvio Persivo.

 

"Toquei a criação com a minha testa.

Senti a criação com a minha alma.

As ondas me chamaram para o fundo.

E logo as águas se fecharam. "

"Beija-sapo"

 

2008, novembro 18 - Foi exibida no blog Coluna Cultural Telescópio, do poeta e editor Every Carrara, ilustrando o poema "Verbo de Ligação" de Neida Rocha:

 

"A vida é vaga.

A morte é certa.

O Sol é seu.

O medo é meu.

O ninho é nosso.

A noite é longa.

A morte é certa.

A vida é breve."

"Amantes"

 

2008, novembro 18 - Foi exibida no Blog do Mikael, ilustrando o poema "Os acrobatas" de Vinícius de Moraes.

"Camarim"

 

2008, outubro 21 - Foi exibida no blog Recanto das Letras, ilustrando o poema "Camarim", de autoria da poetisa Miriam Dutra:

 

"Encantam-me luzes

e neons futuristas

de um camarim.

 

Colo na face a máscara rosada,

arte do make-up-folhetim.

 

Desastre....

 

Nenhuma fantasia ficou bem em mim...."

"Mergulho"

 

2008. outubro 10 - Foi exibida no blog Versos e Perversos, ilustrando o poema "Cremado", de Luciano Fraga.

 

"Do alto da minha soberbia

sou cinzas

sem jardins,

sem mares ou ventos,

sozinho,

rio de mim sem rodeios

em meus pensamentos,

assim

como poderei me espalhar?"

"Mesa de bar"

 

2008, setembro 26 - A pintura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog Bar do Escritor, do poeta e editor Giovani Iemini

Amantes

 

2008, setembro 14 - Minha pintura à óleo "Amantes" foi exibida no site "Overmundo", ilustrando a poesia "Credo", de autoria de Saavedra Valentim.

 

 

"Acreditei em seu amor

Feri-me profundamente.

 

A lâmina de sua traição

Perfurou órgão vital da minha morte!

Fratura exposta de um coração dilacerado,

Peito aberto, alma fechada.

 

Encarcerado, ainda,

Talvez sempre o seja,

Sentença de um tribunal tendencioso,

Que o vitimado condena!

 

Mortalmente ferido,

Amor ainda exala,

Esse coração desavergonhado,

Mesmo esnobado, pisoteado.

 

Mar de lágrimas rubras

Manchou minh’alma límpida,

Jorrou-me fervente na face,

Abriu ferida, dor imensa.

Restou profunda cicatriz,

Certificado de desilusões vividas,

Vida mortificada em vida.

 

Abduzida a outros sonhos,

A outros amores, desamores.

Rosa escarlate, pétalas macias,

Cujo néctar oferece barato

A qualquer zangão, sedento.

 

Doçura outrora,

Fel agora,

Veneno amanhã!

 

Tento livrar-me das amarras,

Mas suas garras cravam-me,

Como uma águia voraz,

E conduz-me ao alto,

Ao etéreo, ao divino,

Em seu ninho dividido.

 

Sem piedade conduz-me

Ao espaço sem destino.

 

Resgata-me do passado,

Aprisiona-me no eterno,

Tortura-me no presente.

 

Com futuro incerto,

Com uma única certeza:

Eu, simples mortal,

A mendigar uma gota desse néctar,

Que provoca delícias aos ”Deuses”,

Em troca, oferendas de puro ouro,

Contraste ao meu pobre amor pobre,

Com certeza, opaco aos seus olhos,

Visto ser metal barato, que não reluz."

"Beira do rio"

 

2008, setembro 04 - Foi exibida no blog HF diante do espelho, ilustrando o poema "Cascata", da poetisa Hercília Fernandes.

 

"Há um travo na garganta

e um travão nos olhos.

 

Um metro de lâmina

e uma granula de ópio.

 

Há uma palavra não-dita

e um silêncio gritante.

 

Uma ponte escondida

e um chinelo azul verdejante.

 

Há uma roda viva

e um mar morto

 

Uma verdade esculpida

e um cavalo solto.

 

Há coisas para serem ditas

umas - outras – melhoradas...

 

Uma lágrima fingida

um riacho cheio d'alma:

 

sebo

nervo

alheio

 

em cascata."

"Poeta meditando"

 

2008, setembro 03 - Foi exibida no blog "Transversal do tempo", da poetisa Renata Maria, ilustrando o poema "Ficção":

 

"Tentei ser triste num país sem nome.

Voltei de lá sem saber o que é saudade.

Fui para minha terra onde sorri é invenção.

E o poeta de lá sou eu sim, senhor."

"Forró"

 

2008, agosto 31 - Foram exibidos o poema e a pintura no blog Enfim! É o que tem pra hoje, do filósofo e editor Paulo Braccini.

"Ninfas dançando"

 

2008, julho 22 - Exibida no blog Tatuagem, da poeta Carmen Fossari, onde ilustrou a poesia "Ilha feminina". Fragmento:

 

"O mundo feminino

Abre-se de úteros

Como as folhas em pétalas

Que amanhecem

Jardins, mundos, infâncias, flores

O universo adulto do corpo amoroso

Comportando outro corpo

Da luz lasciva de todos os tatos

Os sentidos, a intuição

O homem barro macerado

Que habita seu mundo

De dança e música"

"Burquinha"

 

2008, julho 17 - Foi exibida no blog Achamarte, da poetisa e editora Clevane Pessoa de Araújo, ilustrando o poema "Burquinha":

 

"Bom o tempo-que-rola

nas bolinhas-de mundo-miniatura.

Cada bola-de-gude parece uma planeta,

uma beleza de olhar.

Longe uma voz chama:

-"Menino, venha já para casa"...

O susto aponta o tempo-que passou

num instante, como-é-que-pode?

Meninos debandam.

Uns, transidos de medo, sabem que vão apanhar.

Mas amanhã...ah, o mundo encantado

recomeça..."

 

2010, maio 30 - A poeta Clevane Pessoa republicou esta poesia no site da Unión Hispanoamericana de Escritores, em uma coletânea intitulada "Quando poetizo pinturas de João Werner - alguns poemas meus e obra dele". As poesias foram criadas a partir de 3 de minhas gravuras, "Burquinha", "Parada de ônibus" e "Angelina se mutila".

"Parada de ônibus"

 

2008, julho 17 - Foi exibida no blog Achamarte, da poetisa e editora Clevane Pessoa de Araújo, ilustrando o poema "Parada de ônibus":

 

"A idade se repete nas filas

dos ônibus.

A ansiedade, a agonia, o medo do atraso,

a vontade de chegar em casa,

a necessidade de fugir,

o passeio esperado,

o desejo de abraçar os bem-amados,

tudo é somado, pedaços de conversa,

celulares e retalhos de assuntos,

expostos quais frutas em banca de feira.

nenhum pudor em xingar, reclamar, se desculpar:

cada um tem sua musiquinha, uns jogam ,

outras consultam recados...

E o tempo urge, ruge,, a turma/turba reage,

um coletivo passou sem parar.

"É porque não pago mais passagem", treme o idoso

ao desabafar.

Alguém tem cólicas, uma das mulheres se encolhe ,

cai ao chão e começa a dar à luz.

Um trombadinha aproveita a confusão

e bate a carteira de alguém.

Fulaninho nasce ali mesmo:

um dia ele também estará numa fila, esperando

ônibus.

Na parada em movimento.

O dia quer dormir, a noite começa a esperar

também...

E com ela, os trabalhadors da noite, os boêmios e os

insones

a esperar outros ônibus..."

 

2010, maio 30 - A poeta Clevane Pessoa republicou esta poesia no site da Unión Hispanoamericana de Escritores, em uma coletânea intitulada "Quando poetizo pinturas de João Werner - alguns poemas meus e obra dele". As poesias foram criadas a partir de 3 de minhas gravuras, "Burquinha", "Parada de ônibus" e "Angelina se mutila".

"Salto"

 

2008, julho 09 - A pintura digital "Salto" ilustrou o blog ULTIMAGOTAD, texto da artista radassi. Fragmento:

 

"Ausencia ou presença?

E o tempo?

RESPONDE?"

"Casal III"

 

2008, junho 01 - Imagem publicada na Revista Eletrônica Conexão Maringá, ilustrando o poema "Modo de amar" da poetisa Astrid Cabral. Trecho do poema:

 

"[...] Amor como açudes sangrando

ou caudais e tempestades

despencando dilúvios.

E não me falem de ruínas

nem de cinzas, nem de lama. [...]"

Moça nua

 

2008, junho 01 - Imagem publicada na Revista Eletrônica Conexão Maringá, ilustrando o poema "Redentoras", do poeta Erorci Santana. Trecho do poema:

 

"[...] As que não são vilãs, nem heroínas,

nem escravas, nem rainhas, nem fundamentais;

algo mais que a sina feminina

ou a maioridade que a elas se negou.

Não se diga “é bela esta mulher”

porém bonita sua própria condição. [...]"

"Sátiros e ninfas"

 

2008, março 31 - Poeta: Manuel Bocage, Poema: "Epitáfio para um sátiro", Blog: Pirulin lulin lulin, postado por Laurene Veras

 

"Lá quando em mim perder a humanidade

Mais um daqueles, que não fazem falta,

Verbi-gratia — o teólogo, o peralta,

Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:

 

Não quero funeral comunidade,

Que engrole "sub-venites" em voz alta;

Pingados gatarrões, gente de malta,

Eu também vos dispenso a caridade:

 

Mas quando ferrugenta enxada idosa

Sepulcro me cavar em ermo outeiro,

Lavre-me este epitáfio mão piedosa:

 

"Aqui dorme Bocage, o putanheiro;

Passou vida folgada, e milagrosa;

Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro".

"Poeta meditando"

 

2008, março - Foi exibida na Revista Eletrônica Conexão Maringá, ilustrando poema "Recusa poética", do poeta: Ricardo Mainieri.

 

"A poesia foi recusada

quando buscava emprego.

Simplesmente queria mostrar-se

aos olhos sensíveis

sem remuneração nem aplausos." (fragmento)

"Forró"

 

2008, fevereiro 27 - Foi exibido no site Recanto das letras, ilustrando o poema "Forró na fazenda", da poetisa Sônia Maria Cidreira de Farias. Fragmento:

 

"O forró lá na fazenda

vai até as altas horas

Invadindo a moenda

Sacudindo as senhoras!

 

Até o galo vem dançar

co'a galinha carijó

Esta a cacarejar...

dá um nó em seu gogó!

 

A égua e o cavalo

gostam de se esfregar

E no meio do embalo

já começam a namorar!

 

....

 

Se você quer ser feliz

seja simples por favor

Ouve a vida que lhe diz...

"Só cultive o amor"!"

"Sinuca"

 

2008, fevereiro 05 - Poetisa: Casti, Blog: Teia de palavras.

 

"O jogo na mesa

Um taco

Noite inteira

Conduzindo aspirações

Para a caçapa

Vontade numa tacada

Certeira

Matreira

Firmar a ponteira

Desce uma talagada

Da pinga de primeira

Ponto final..."

"Amantes"

 

2008, fevereiro - Poeta: Américo Teixeira Moreira, Revista Eletrônica Conexão Maringá, Poema: "O Corpo Restituído"

 

"Vacilante e mordente cais dissipada como

se fosses um estalido,

um sopro adormecido pela minha baba

opiária. Então amorosamente beijo

o teu sexo desvairado na simbologia

da passagem do sagrado para o profano

de uma identidade, de um novo caminho."

(fragmento)

"Esperando clientes III"

 

2008, janeiro 19 - Poetisa: Casti, Blog: Teia de palavras.

 

"Os carros passam lentamente, observando a mercadoria, avaliando e alimentando o desejo... Coxas, seios, bocas à mostra, oferta do “móvel” que tem para todos os gostos taras e fetiches. Negociações e acordos, ela quer o dinheiro, ele quer o resgate do desejo que por algum tempo foi sepultado..."

"Boteco"

 

2008, janeiro 07 - Poeta: Lipe Du, Blog: Poesia vã.

 

"O abrigar de uma nuvem...

Céu ensolarado e mais um dia de curtição.

Sem um sundown

Pedimos sombra, pelo amor de deus!

e tentamos tapar-lhe

Sol!

Sugerimos isso e aquilo outro

Bate-boca amigável

Conta-se a novidade de ontem

O noticiado que apenas um viu e se

encarregou de passar...

Antenas!

A louca foi presa,

O ministro fez uma piada infeliz...

Queremos mais e mais,

Ali na esquina mais um copo

e mais música

e um boteco que acaba de abrir serve de refugio aos nossos anseios de fim de semana

Tanta expectativa pra dois únicos dias

Queria é mais"

"Abstrato"

 

2008, janeiro 04 - Poeta: Carmen Fossari, Blog: Tatuagem, Poema: "Vento", reproduzido aqui apenas um fragmento:

 

V

Ventania na litania

Impalpável das membranas

Úteras que te constroem desde sempre

Argamassa de pesadas dores

Umbilical cordão da humanidade

Que aterra teu invólucro e te faz

Presa de ti mesmo

Desde o lado que mastigas

As migalhas da escuridão de outras pessoas

O olho que vislumbra da ampla claridade

A centelha oclusa em breu

Ao canto alojada sendo de outro ser

A tua mesma cicatriz de escuridão

Tento eu tentáculos atravessar

A cortina férrea, onde fincas teu estar.

Talvez eu mesma em crendo a claridade

Por tentar transpor esta barreira

Seja da instransponível mediação

A luz oclusa aterrada ao que passou. [...]

Poesias de 2007

"Moça"

 

2007, novembro 6 - Poetisa: Casti, Blog: Teia de palavras:

 

"Vivia assim... Sacudida pelo despertar do relógio, no trem lotado e também pelas dificuldades que existiam depois da porta. Era impiedosamente sacudida, pelo homem que com ela sobrevivia... Sacudia no Samba de Fevereiro, sacudia a roupa para secar no varal. Finalmente, não mais agüentando tanta sacudidela, num dia comum de semana, sacudiu da janela do último andar onde trabalhava, espatifando-se no chão num embate final."

Favela

 

2007, novembro 06 - Poetisa: Casti, Blogue das artes

 

"O abrigo desordenado

Improvisado

Favela

Menino descalçado

Duro percalço

Driblando a vida

A bola

Rolando na viela

A realidade revela

Bala zunindo

Indiscriminada

Pra muito homem

Pouca vela..."

"Amantes"

 

2007, outubro 15 - Poetisa: Maria Luiza D'Errico Nieto, Blog: Recando das letras

Poema: "Meu querer"

 

"Meu querer...

é sonho de amores

toma forma de flores

veste-se de cores

banha-se de olores

desfruta-se em delícias

na troca de carícias

da ovelha em balidos

á espera do lobo

para soltar mais gemidos."

"Trio de amantes"

 

2007, setembro 04 - A pintura digital "Trio de amantes" foi exibida no blog Literatura, amor e erotismo, ilustrando a poesia "Boceta", de autoria de Karina Calado.

 

"da entrada à entranha

dessa eterna

morada

da morte diária

molhada

de mim

desde dentro

o tempo

acaba

 

entre lábio e lábio

de mucosa rósea

que abro

e me abra

ça a cabe

ça o tronco

o membro

acaba o tempo"

"Ícaro"

 

2007, maio 12 - Foi exibida no blog Cantares de amigo, ilustrando o poema "Ícaro", do poeta Al Berto (avelaneiraflorida)

 

"Aprendeu a separar o nocturno zinabre

do transumante desejo e poro a poro o dia

larga sobre a pele os perfumes da terra

e o tempo cobre-se de cardos em cinza

 

tem o olhar escondido na inquietação da luz

guarda no peito o sossego dormente das pedras

um ombro de sombra dá-lhe frescor à boca

 

mas se ao morrer o abrissem ao meio

nada encontrariam

nem vísceras nem ossos nem sangue

apenas poalha de água

e a dor da infindável travessia"

"Serpentes voadoras"

 

2007, maio 04 - Poetisa: Maria Ostra, Maria vai com as Ostras, Poema: "A cobra"

 

"despe

a

pele

a

pouco

e

pouco

barulho

:p"

Poesias sem data

"Abanando café"

 

Poeta: Antônio Manoel Abreu Sardenberg, Site: Sardenberg Poesias, Poema: "Semeador"

 

"Semeie, semeador!

Lance no sulco a semente,

Deixe que a chuva e o calor

Façam ela germinar,

Dar fruto e alimentar

A mesa de muita gente.

Semeie, semeador,

Com suas mãos calejadas,

O grão do trigo, a mostarda,

Soja, arroz e feijão.

Semeie, assim, a esperança

De transformar o Brasil

Na mais sólida nação...

Semeie, semeador,

Jogando a cana na cova,

Pois com isso fica a prova

Que você adoça a vida

Fazendo-a menos sofrida

E muito mais saborosa...

Semeie, semeador,

Milho, algodão e café,

Semeie com muita fé

Mostrando pro mundo inteiro

Que você é o celeiro

Que mantém a vida acesa

Dando pão ao mundo inteiro!"

"Mulheres no varal"

 

Poetisa: Anabel Andrés, Poema: "Vozes bugras", blog: Livro de cabeceira

 

"São vozes de resistência

Vozes que trazem a reverberação de antigas vozes

Indígenas, africanas, ibéricas:

Vozes raízes

Vozes escravizadas, fugidas, rebeladas, indomadas,

por mais abusadas que tenham sido

Vozes mestiças: caboclas, cafuzas, mamelucas, mulatas

Vozes camponesas, urbanas, suburbanas

Que continuam a ecoar

em cada mulher deste Brasil

São vozes geradas no ventre da Grande Mãe

Vozes de guerreiras

Que nunca deixam de sonhar

E de celebrar a vida

Vozes que o tempo não há de calar

Há de festejar"

"Forró"

 

Poetisa: Casti, blog: Teia de palavras, Poema: "Fio assimétrico"

 

"Dá um “cheiro”

“Arretado”

Faz uma rima

Com sorte

Arreganha

Um sorriso

Luz do archote

Lasca um beijo

No cangote

Pesa o passeio

Da mão

No corpo

Antes redoma

Agora resolve...

Toma

Doma

Do sul

Ao norte..."

"Minina Barreno"

 

Poeta: Casti, Blog: Teia de palavras, "Fio assimétrico"

 

"E ela resolveu em dia comum colocar mais tempero na panela... Mexeu nos frascos procurando cheiro forte, cores vivas e uma inquietante receita começou a borbulhar no caldeirão... Algumas vezes era preciso tirar o avental, troca-lo por pérolas e saltos... A futilidade em medida proporcional ao cotidiano era essencial para não deixar o cheiro da cebola provocar lágrimas além das necessidades..."

"Amantes"

 

Poetisa: Maria Luiza DErrico Nieto, Blog: Recanto das letras, Republicada no blog: Literatura: amor e erotismo, de Karina Calado, Poema: "Somos únicos"

 

"Nesta emoção pujante

um sonho se faz real

Na cumplicidade dos amantes

em abraço sensual...

 

Corações pulsando amor

dois em unicidade

Vidas em sintonia

agora e na eternidade...

 

Somos assim... únicos

corpos e almas reticentes

Existências devotadas

a este amor ardente..."

"Moça dormindo"

 

Poeta: Benílson Toniolo, Site: revista eletrônica Conexão Maringá, Poema: "Esposa"

 

"Meu olho cravado na treva do teu gozo

Sobre as pernas te sustento madrugada afora

Um alfabeto inteiro pra traduzir-te um sussurro

Que exala da ressecada saliva

Desenha o balé das ondas com teu dorso descoberto

E as estrelas dos teus centros se dilatam

Cegamente vagueiam e arfam os poros

Um sol imenso escancara o riso fácil que buscavas

 

Repousa então o caule inerte do teu corpo

Sobre a tênue luz da minha pele libertada"

"Janta"

 

Poetisa: Casti, Blog: Teia de palavras, "Fio assimétrico"

 

"Prato fundo

Janta minguada

Temperada em silêncio

Vela chorada

No breu da solidão

Lida infinda

Onde o diabo

Não perdeu as botas

Onde a fome se aloja

Na barriga

Dos irmãos...

Família grande

Pai autoritário

Coração duro

Mandacaru puro

Com tempo certo

Antes da janta

Agradecendo

Difícil vida

Murmurada

Em decorada

Oração..."

"Abstrato"

 

Poeta: Clodomir Monteiro, Site: Revista eletrônica Conexão Maringá, Poema: "O pai a flecha a gosto"

 

"botão da paternidade botânica

sinal do desenho certeira flecha

durante a vida educa e dirige

pai quase sempre martim - pescador.

busca comida outonando amor

flecha de parto filho pai revive" (fragmento)

"Lavadeira"

 

Poetisa: Casti, Blog: Teia de palavras, Poema: "Fio assimétrico"

 

"Tanta roupa

Olha o sabão

Orçamento

Pouco tostão...

Esfrega

O futuro

Cheiroso

Preocupado

Em bolhas

De sabão."

As obras de arte expostas aqui são de autoria de João Werner. O uso destas imagens de baixa resolução é gratuito. Basta, apenas, citar a minha autoria.

contato João Werner (43) 3344-2207

 

werner.joao@gmail.com

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"Em nosso país, a liberdade de expressão é a maior expressão da liberdade, porquanto o que quer que seja pode ser dito por quem quer que seja.", Ministro do STF, S.Ex. Carlos Ayres Britto