Gravuras de João Werner ilustram 200 poesias
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- Estas gravuras, pinturas e esculturas que apresento nesta página foram escolhidas por
poetas, ensaístas e editores através da internet para ilustrar seus artigos e poesias.
Um poeta procura uma imagem no Google ou no Bing sobre, por exemplo, 'boteco', ou sobre 'forró' ou sobre 'mulher nua', quem sabe? Encontra as minhas gravuras em sua pesquisa. Gosta delas e as utiliza para ilustrar o seu blog ou site.
Deste início fortuito, às vezes tenho a sorte de iniciar um diálogo internético-criativo.
Das poesias que aqui apresento, seus criadores tiveram a gentileza de citar a minha autoria, por isto os encontro. Suponho que os que se utilizaram de minhas imagens
sem citar-me são em número bem maior. -
Links nesta página
Ilustrando poesias em 2013
Ilustrando poesias em 2012
Ilustrando poesias em 2011
Ilustrando poesias em 2010
Ilustrando poesias em 2009
Ilustrando poesias em 2008
Ilustrando poesias em 2007
Poesias sem data
Veja também Gravuras que ilustram contos, artigos e ensaios
Pintura ilustrando publicação impressa
"Fronteiras, Poemas", livro de Cida Sepúlveda
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A gravura digital 'Moça dormindo' ilustrou a capa do livro 'Fronteiras, Poemas', de Cida Sepulveda. Campinas (SP), Editora Pontes, 2008. 74 pp.
"Entre risos e lágrimas", livro de Edena Codato
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João Werner ilustrou a capa do livro "Entre risos e lágrimas", de Edena Codato, Curitiba: Secretária de Cultura de Cambé, 1987. 98 pp.
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Gravuras e pinturas ilustrando poesias em 2013, na internet
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2013, março 28 - Minha pintura à óleo "Forró" foi exibida no Facebook
Atos de poesia, ilustrando
poesia de Yrto Mourão.Ô peão, que trabalho bonito!
Bate a estaca, faz a massa
Quebra a pedra
Levanta o prédio
"Parioca" de valor
Vem de longe pra vencer
Pra morar numa favela
E fazer filho pra morrer
Ô peão, você é descartável
Sacrifício, fé no santo
Muita pinga
Toma esporro
Do mestre, do engenheiro
Puxa a faca prum pedreiro
Se leva uma justa causa,
Vai festejar num puteiro
Ô peão, gira, brinca, criança
Açoitado, mal vestido,
analfabeto
Vive na obra
Você tem prazer em Deus
E num caldo de mocotó
Dança junto com o capeta
Misturando samba e forró. -
2013, março 14 - Minha pintura "Pipa" foi exibida no
Blog do Ditim,
ilustrando a poesia "Pipa vai", de Benedito Gomes Rodrigues."A pipa pipocada de cores
Esvoaçou no céu, tranquila.
Escutei rumores de seu paradeiro,
Nas terras distantes doutra vila.
Levou com ela mensagens,
De paz, acordo, infantil sonhar,
Dum menino que nem eu,
Atrepou sua esperança no ar.
Eu, com efeito, observo o céu,
Ante a vida daquela simples pipa,
E ouso me ver em seu lugar...
Um dia talvez..."
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2013, janeiro 21 - Minha pintura à óleo "Boteco" foi exibida no blog
abecedário, ilustrando a poesia "Sentado no bar...".
"Sentado no bar…
À frente tenho um copo
Cheio de impressões digitais
De pessoas sem palavras nos dedos.
Refugiam-se, qual ermitas,
No recanto das recordações.
Danço com eles canções
Que cantam vida ingerida.
Em mesas afastadas
Vislumbram-se esgares
Dos muitos sentidos pêsames
Que a existência lhes foi dando.
Tantos copos tresmalhados
Desvendando o mistério do último trago.
Sentado no bar...
Ouço canções de maldizer,
Felizes por me construírem o caixão
E me bordarem a mortalha
Com pontos crucificados a néon.
Um piano cujas teclas, libertas,
Circulam entre os clientes.
Alternam notas
Que se recusam a ficarem detidas
Soprando sons em liberdade.
As mágoas, sim
Estão em cativeiro
E olham através dos olhos de um Barman
Impotente ao momento da vontade
Que tinha em aceder ao pedido
De um cocktail de rejeição.
Sentado no bar...
O som do piano entra-me no copo
(Qual assassino com vitima à vista
continua impune depois de me envenenar)
Algemo-lhe as teclas
Embrenho-me no nevoeiro do cigarro
E dou mais um trago.
O coração empresto-o ao pianista
Para acelerar tudo o que a música chora.
Escuto-o...
Numa suprema demência
As notas passam
Entre os poros e o horizonte.
Semicerro as pálpebras
E olho em direcção à porta
Que nunca me deixa chegar
À verdade da razão.
Levanto-me do bar…
E dou independência à alma.
Saio…
Afasto com as mãos o som do piano
Reparo que a minha cara foge da loucura
E trémulo guardo os restantes segredos
Que os muitos copos vazios me contaram.
No fim tudo se dissipa num chamamento:
-Táxi!
-É para?
(Como se chama a vida onde vivo?) -
2013, janeiro 20 - Minha pintura à óleo "Amantes" foi exibida no blog
Espero que o
Facebook aceite, ilustrando a poesia "A vida em truques de ilusionismo!!".“Antevisao de uma história caricata
todos os holofotes apontados a um regresso
dizem que é uma reinvenção
mas é apenas mais uma ilusão
dos pobres iludidos
dos pobres sentidos
hó passes que nunca foram válidos!!
Adivinham-se encantos que nunca foram encantados
vales verdes que nunca foram bordados
mantas frias que nunca foram forradas
valentes homens que nunca foram começos nem fins
apenas fizeram parte da vida em que nunca houve jardins
e tudo acaba por ser uma pobre noticia que ninguém leu
este é o mundo que não é meu nem teu."
Gravuras e pinturas ilustrando poesias em 2012, na internet
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2012, dezembro 26 - Minha pintura digital "Boteco" foi exibida no blog
Liberomundi,
ilustrando a poesia "O que é viver?", de Makenzo Kobayashi.
Viver é ser livre
Amar é fazer sexo
Liberdade é ser imoral
A vida é uma festa
A noite é uma farra
A bebida é o vinho
Insuportável é ser perfeito
Pecado é a perfeição
Liberdade é conhecer o mundo
Viver é pecar
Viver é aproveitar
Viver é festejar
Viver é ser livre
Viver é ter sexo
Viver é ter mulheres
Viver é beber vinho
Tolice é não aproveitar nada! -
2012, dezembro 23 - Minha pintura digital "Poeta meditando" foi exibida no
blog
Pássaro unitário, ilustrando a poesia "Antes do pôr do sol".
Cuido em encontrar poesia no agora.
No copo de bebida lagrimejando sobre a mesa.
No gole de sede sombreando este sol.
A vidraça da janela deixa a luz clarear o pó dos meus versos.
As letras trocadas imprimem as gravuras do meu viver.
E vem de longe um perfume nostálgico de horizonte.
E vem descompassado, sorridente entre os abraços de um polvo.
O que vai sobrar eu escrevo a mão
Para alimentar a fogueira serenada do esquecimento.
Esse mago do infinito em expansão
Carregado da magia soberana de maquiar tudo de finitude.
Canto em três acordes minha balada de incertezas.
Canto indiferente à fragilidade pedinte de todas as certezas
Sustentadas e exaltadas pelo assombro tenebroso
Do cão do revólver erguido contra essa tal felicidade.
Só ouço a voz sem eco detonada pela verdade.
A verdade com seu bisturi imparcial
Amputando a gangrena vaidosa de todas as flores
Enfermas do aplauso enegrecido da mentira que afaga.
Não temas a amargura nobre poeta em prosa
Esse banquete se encontra armado à espera de cada um
É a nota dissonante que apara em um arquejo de sabedoria
As arrestas pobres de toda a soma das melodias.
Meu verso se nega a escancarar seus dentes na cara do mundo
Enquanto Raimundo continua batendo na porta fechada dos mil jardins
Suplicando imundo e sem cor uma ajuda pelo amor do teu deus.
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2012, dezembro 10 - Minha pintura acrílica "Bar" foi exibida no blog
Literatura em foco, ilustrando
a poesia "O baranguerreiro ideológico".
Odeio esses caras que só comem mulher bonita
Ficam escolhendo
Pensando
A bunda dessa é caída
Essa é gorda
Aquela é magra
Essa tem narigão
Aquela tem cabelo ruim
Essa não tem peito
Aquela não tem bunda
Todas têm defeito
Quase todas são barangas
Esse negócio de avaliar muito é coisa de mulherzinha [...] -
2012, outubro 29 - Minha pintura acrílica "Sátiro e ninfa" foi exibida no blog
Andorinha livre,
ilustrando a poesia "O sátiro e a ninfa", de autoria de PortalMatrix.
Sob o manto noturno, surgi desnuda a dama da noite.
Busca um beijo, prelúdio de se dar,meiga e ardentemente.
Arquétipo apriorístico de todas as fêmeas pintadas de cio,
que se repletam de imagens primordiais, personare de si.
Baila como cortesão desejada,com trejeitos sensualizados.
Em dança de acasalamento, quer o mais apto,para seu escolhido,
ela observa tudo atentamente,procura atributos de virilidades.
Não se importa com moralidades, seu desejo é incontrolável
nunca se farta de prazer e como uma aranha, come os machos,
um a um, no afã de encontrar aquele que a ela complete na cópula.
Em um dado momento ela olha e ver em sua janela, um sátiro.
Como ninfa, o chama à se deitar,na esperança de mais um devorar.
Ela toma a iniciativa,como sempre, gosta de ser a alfa na cama.
O sátiro inesperadamente sussurra em seu ouvido palavra doces,
ela tenta resistir, e como serpentes as línguas se enroscam e ela ofega.
Seu ouvido é seu ponto erógeno, está sub julgado à mercê
Ela geme, e tenta reassumir a relação, mas já é tarde de mais
o sátiro já lhe tem, e com a boca na vulva,lhe suga gentilmente
Ela grita,e se contorce, e em um arrobo de excitação, chora....,
começa a gozar multiplamente até se exaurir cansada.
Agora apaixonada e completamente saciada, está presa
Acende a luz,o sátiro dá uma risada e como um raio reluzente
transforma-se em Eros o Deus do amor.
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2012, outubro 27 - Minha pintura digital "Moça dormindo" foi exibida no blog
Skombrus,
ilustrando a poesia "4 moments".Quão bela me vês, carrasco que me enganas com beijos mortais, negros de amor, sangue e desejos...
Quantas súplicas no palco da morte, na leveza do meu corpo apunhalado com teus insanos orgasmos bêbados...
Fantasias moribundas entre minha boca e suas mundanas bundas nas avenidas da querência insólita...
Desnuda e só, te espero por toda a noite, ladrão de mulheres, fetiche engaiolado na palma de minhas mãos... -
2012, outubro 26 - Minha pintura digital "Carregador" foi exibida no blog
pequenitudes, ilustrando o poesia de Inês Mota.
fui buscar umas maravaias no baxio e me moiei. bem que mãe disse que ia chover.
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2012, outubro 20 - Minha pintura digital "Homem na sarjeta" foi exibida no
blog Papo de sarjeta, ilustrando
a poesia "Pela sarjeta".
Larga vala
Espelha
(sem dó)
A esfinge do ser
À prova
Macula sombras
(bestas disfarçadas)
Dissolve o tempo
Em débeis sementes
Desprende
A alma da esfera
E recria
Discursos vogais
Velhas palavras
Dúbios sentidos
De olhares inchados
De corpos retidos
E falas infamadas
Ao revés
Do meio fio
Uma sombra convence
O amanhecer
Póstumas lembranças
Relíquias escondidas
Embarcam nas bocas-de-lobo
Despedaçam
desaparecem
Ficam os olhares
Perseguindo vazios
Na mente das serpentes
(piscam rubis)
Larga vala
Pensão da escória
Luxúria da derme
Que acolhe e recolhe
Podres vômitos sociais. -
2012, outubro 16 - Minha pintura acrílica "Minina barreno" foi exibida no blog
Fragmentos de
uma vírgula, ilustrando a poesia "A dona", de Tadeu Francisco.
Eram três pontos finais...
e nada mais.
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2012, outubro 11 - Minha pintura acrílica "Serpentes voadoras" foi exibida
no blog
Fragmentos
de uma vírgula, ilustrando a poesia "Um segundo mundo", de Tadeu Francisco.
Passa,
em toques,
Um segundo...
E permanece um mundo. -
2012, agosto 28 - Minha pintura digital "Supermercado" foi exibida no blog
Fragmentos de uma vírgula, ilustrando a poesia "A rotina e o pensamento",
de Tadeu Francisco.
Enlatado desespero
me ensine tal discórdia:
A que mata um dia inteiro
A que ama e vai embora.
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2012, agosto 27 - Minha pintura digital "Clube de levitação II" foi exibida
no blog Fragmentos
de uma vírgula, ilustrando a poesia "Meu lugar", de Tadeu Francisco.
Vou
àquela poesia
todo dia. -
2012, agosto 24 - Minha pintura acrílica "'Coieno argudão'" foi exibida no
blog Fragmentos
de uma vírgula, ilustrando a poesia "Terra de todos", de Tadeu Francisco.
Lá
Minha poesia existiria
E justo seria.
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2012, agosto 10 - Minha pintura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog
Chá de fita...,
ilustrando a poesia "Boteco", de Douglas Campigotto.
Na mesa do bar
Não te encontrei
Não vi ninguém
Com o garçon
Fiz confissão
Na mesa do bar
Com meus amigos
Chorei amores
Joguei com a sorte
Perdi a mão
Já fui traído
Já fui ferido
Brinquei com a morte
Sofri de paixão
No fundo do copo
Te procurei
Não te achei
Caí no chão
Não te esqueci
Eu me perdi
Te peço perdão -
2012, agosto 02 - Minha pintura digital "Moça dormindo" foi exibida no blog
Comendo
palavras & comidas, ilustrando poesia de Luciana Machado.
Todas as noites
Me desempoeiro por dentro e por fora
Me lavo de todo mal
Me dispo de roupas e imperfeições
Me resgato e me purifico
Uso meu melhor perfume
Pra esperar você em sonhos que eu não me lembrarei
-
2012, julho 24 - Minha pintura digital "Violeiro" foi exibida no blog
Baú de ilusões, ilustrando a poesia "Elegia para um minuto de morte a cada dia"
de Luiz Alberto Machado.
"Não tenha medo, eu sou de paz e a minha presença tornou-se invisível ou já não é suportável! Vou-me embora, até sempre.
Eu sigo só, nem olhe pra mim, atenção! A minha estrada é minha, teimo só. E caminho como que moribundo embora saudável no dia derramado. E insisto gemendo noitedia. E persigo o meu dia como se fosse pelas trevas do hades. E persevero como um animal selvagem ferido. Eu vou. E não tenho nada. E enfrento as garras de ímpetos hostis. Não tenho nada e somente a carne definhada dos sobreviventes das epidemias patológicas do inventário humano acompanham insones minha caminhada. Não tenho nada e sou resistente das chagas avulsas nas mãos misturadas que me oferecem abrigo nos músculos que não podem com as pernas que não andam e as mãos egoístas que arremessam catarros e baratas nos esconjuros guardados nas pragas do tempo.
Não tenho nada e cuspo versos pelos infernos de todos os recantos do meu corpo! É só o que tenho e mais nada. E para mim isso é tudo porque me basta uma palavra para poder usufruir dos espelhos do horizonte e renascer das mortes a cada dia." -
2012, julho 23 - Minha pintura digital "Goiabeira" foi exibida no blog
Eber Josué,
ilustrando a poesia "Diabo de menino", do autor.
Eita, que novamente lá se vai
Em desabalada corrida
O diabo do menino.
Nunca se aquieta, o malandro;
Não tem tempo que o pare,
Nem altura que o limite.
É o próprio bicho carpinteiro
E que adora se trepar
Seja n’árvore ou no que for.
Se não for Deus em pessoa
É seu mais danado anjo
Que cuida desse tinhoso.
Só mesmo ao cair da noite
É que se acaba a pilha
Do menino endiabrado.
E se não é policiado,
De tal modo enlameado
Vai se achar sob as cobertas.
Mas quando se prega o olho,
Caia chuva ou tempestade,
Caiam-se raios, trovões;
Venha-se abaixo o mundo
Que dormirá como um anjo
O diabo do menino.
-
2012, julho 23 - A poeta e editora Yaya Portugal publicou a poesia "Amor mau",
a propósito de minha exposição de pinturas digitais "Bad Love",
Artes e Escritas.
A ironia é vendida na esquina,
Com desconto prévio do horror
Que virá a seguir: droga dita
Sem amor consome em torpor;
Abstinência explícita, a vida,
Escancara e agride ao pavor
Dos pedestres, nessa corrida,
De um gemido tétrico à dor!
De figura frígida e fria,
Minissaia e corpete incolor
Na expressão facial de afasia
De precários gestos sem cor.
A tristeza veste esse cinza
Na mulher do pior desamor;
Minimiza a morte que ensina
A seguir, de angústia e terror. -
2012, julho 10 - Minha pintura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog
Minhas
poesias, ilustrando a poesia "Incorrigível boemia".
os botequins
sempre abrem
abrem e fecham
fecham e abrem
os botequins
sempre
e sempre
e sempre...
e sempre há neles um cantor
com o sentimento ferido
e o coração rasgado
pelo cutelo do abandono
cantando e cantando e cantando
a canção que não se deixa findar
diferentemente de mim
que sou apenas um pobre ouvidor
e vivo reclamando da vida
horas e horas a fio
quase sempre embriagado
sentado à mesa amargurado
ouvindo e ouvindo e ouvindo
a canção que não pode se findar
-
2012, junho 22 - Minha pintura acrílica da década de '80 "Maternidade" foi
postando no blog
Distracting
pages, ilustrando a poesia "Maternidade".
Guardou de um dia pra outro o amor que tinha em casa. Aqueceu a comida e agradeceu porque naquela noite ela havia aprendido a ser mãe.
Pra sobreviver.
E só. -
2012, junho 19 - Minha pintura à óleo "Amantes" foi exibida no blog
Andradetalis, ilustrando
a poesia "Amar", de Carlos Drumond de Andrade, postado por andradetalis.
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
-
2012, junho 17 - Minha pintura acrílica "Lavadeiras" foi exibida no
blog do Bollog,
ilustrando a poesia "Lavadeiras de rio"."Agachadas no beiral
Lavam ao sol ou relento
E roupas voam no varal
Como pipas ao vento
Na água bolas de sabão
Panos na pedra a quarar
Dor e bolhas na mão
Água nos olhos a minar
Quão sofrido esse penar
Um viver de servidão
Não se pode a alma lavar
Só espremer o coração." -
2012, junho 09 - Minha pintura digital "Poeta meditando" foi exibida no blog
Filtro de sons e sonhos, ilustrando a poesia "Poeta meditando", de Clevane
Pessoa.
Meditando
Ame ditando
poetize amando
dite o fruto,
o constructo
da inspiração
expresse a aura
da alma, do soma,
da palma, da mão,
capte o ritmo
do coração
em acalmia
e aproveite
a inspiração...
Ruídos de um mundo
sempre em construção
não lhe atrapalharão,
pois um mundo de nuvens
e de flocos de algodão
cercam seu imaginário...
Re-la-xe...
Se busque, se ache.
Medite:
encontre o ahmisha
- a não violência de Gandhi -
preencha-se no Nirvana
e retorne para a mágica plena
da criação.
Esse, é um nada que é tudo
e está dentro de você!
-
2012, maio 25 - Minha pintura à òleo "Burquinha" foi exibida no blog
A vaquinha animada, ilustrando a poesia "The Children play", de M. Leonor
Costa.
The Children play
In the schoolyard
Bounce, jump and sing
Crop the future in the bag
Whether rain or shine
Energy-charged
Grow day by day
Always with great joy
Children carry
The future back
They are the hope
From our bets
The child's play
Living the moment
Run for anything and everything
But do not run against the wind
Adults should
With children learn
Living the present moment
For life does not get lost. -
2012, abril - A poeta Rosane Villela, escreveu série de poesias em diálogo criativo com
obras de João Werner. Não publicadas ainda. Para esta pintura, a poesia é "Voz".
Que voz é essa que ressoa em mim,
como se meus tantos eu a fosse,
assim, emprestada,
numa tarde serafim?
-
2012, abril - A poeta Rosane Villela, escreveu série de poesias em diálogo criativo com
obras de João Werner. Não publicadas ainda. Para esta pintura, a poesia é "Osso
de água".
Hoje estou híbrida.
Frígida em cripta.
Frita por cima.
Crua por dentro.
Vermelha molhada
orbitada em pensamentos.
Hoje estou híbrida.
Osso de água.
Vontade espetada.
O corpo farelos.
A cabeça bandeja.
Me deixa,
não queixa.
O dia está melado. -
2012, abril - A poeta Rosane Villela, escreveu série de poesias em diálogo criativo com
obras de João Werner. Não publicadas ainda. Para esta pintura, a poesia é "Entardecer
no campo".
A jade luz
traz ao seresteiro
a música dos pastos,
o mugir do horizonte calado,
a palha trançada,
de cócoras, paciente,
e o olhar no além,
muito além
dos buracos dos dentes.
-
2012, abril - A poeta Rosane Villela, escreveu série de poesias em diálogo criativo com
obras de João Werner. Não publicadas ainda. Para esta pintura, a poesia é "Ótica
de amigo".
Texturas de porém na alma
Carregava despropósitos.
O definido engolido
Era esquisito.
Mas na casca,
Eu via o rosa. -
2012, abril - A poeta Rosane Villela, escreveu série de poesias em diálogo criativo com
obras de João Werner. Não publicadas ainda. Para esta pintura, a poesia é "Ponto
de vista".
Meditação.
Mera ilusão?
Pondera a alma leviana
ou enxerga submarinamente?
-
2012, abril - A poeta Rosane Villela, escreveu série de poesias em diálogo criativo com
obras de João Werner. Não publicadas ainda. Para esta pintura, a poesia é "Cadafalso".
No jejum da noite
o meu pé em falso
descalça o pêndulo.
Registra o precipício. -
2012, abril - A poeta Rosane Villela, escreveu série de poesias em diálogo criativo com
obras de João Werner. Não publicadas ainda. Para esta pintura, a poesia é "Trapo".
Sofria caracol,
enrolado para dentro.
Fora, ninguém via...
-
2012, abril - A poeta Rosane Villela, escreveu série de poesias em diálogo criativo com
obras de João Werner. Não publicadas ainda. Para esta pintura, a poesia é "Trago-te".
Trago-te
A dança dos cílios cabisbaixos
No copo da fantasia
O corpo, folha seca
Aguando ventanias
A dobra de uma boca
Em mãos à-toa
Trago-te de mim
O que não levaram. -
2012, abril 06 - Minha pintura à óleo "Orfeu" foi exibida no blog Vocabulum
Fractus, ilustrando a poesia "Ilustrador" do poeta Murillo diMattos.
O dia deve estar cinza
mas eu vejo tudo branco
já não entendo a minha língua
já não consigo ser tão franco
O que digo eu não sinto
minha pele está sem tato
não quero dizer que minto
mas é inverdade que sou fato
Eu sonho amores por demais
Eu invento beijos no dia a dia
mas é aí que sei que a paz
não cabe na ilusão da fantasia
Tenho que botar os pés no chão
Tenho que viver sem ser poeta
a poesia pede cnção
mas meu poema não é a coisa certa
-
2012, março 08 - Minha pintura digital "Lavadeira" foi exibida no "Blog
da Elian", ilustrando poesia "Fugaz visão", de Elian.
Retida na retina
A fugaz visão
Da lúdica menina
Brincando no jardim...
A mãe cantarola
Enquanto esfrega a roupa
Entre os dedos desidratados
Pela barra do sabão...
Um cãozinho dorme preguiçoso
No alpendre da varanda
Enquanto o gatinho
Tenta sem sucesso
O passarinho pegar...
Algumas rosas perfumadas
Hortências coloridas
Jasmins branquinhos
Palmas...para as flores no jardim...
A mãe cantarolando
Sem máquina de lavar
A filha brincando
Sem máquina de brincar
E os animais...convivendo...
De tão fugaz fugiu-me a visão
Descolou-se da retina
A lúdica menina cresceu
E hoje ela sou eu... -
2012, março 02 - Minha pintura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog
Produção marginal, ilustrando a poesia "Cada descoberta uma revolução",
de Nicolau Ponte.
Nesta noite, nesta mesa de bar
Ao lado de meus amantes
Bebemos e brindamos
Pra esconder nossas limitações
Ainda assim, creio nessa energia cósmica
Quando estou com esses teimosos
Que não perdem a ingenuidade
Que fazem de cada gole uma descoberta
E de cada descoberta uma revolução
Sem nome, sem métrica
E as vezes sem direção
Afinal
Estamos construindo no caminho
Entre mortos, feridos e perdidos
Seguimos
Adiante
Seguimos
Viva a revolução!
-
2012, fevereiro 19 - Minha pintura digital "Menino" foi exibida no blog
Lugares da Palavra, ilustrando a poesia "Visita", de Aureliano.
Todo dia, um vento
visita-me o pensamento.
Ora revoa,
ora refresca.
Às vezes agita,
outras atordoa.
Muitas vezes é festa
com alegria de floresta.
Por momentos me faz refém,
também noutra feita,
me afasta, rejeita
Enfim, janela aberta
sai assobiando,
menino inzoneiro
em direção incerta. -
2012, janeiro 29 - Minha pintura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog
A tela da
reflexão, ilustrando a poesia "Escrevo para tu".
Resumo:
chorar não deve ser medida cautelar
quando estás
a mesa
de uma
taberna,
engolindo
bebidas
degustando
tua feridas
e sendo engolido
pela solitude,
chorar não deve ser
a medida cautelar
e não deve ter
efeitos
terapêuticos
e deve expressar
apenas
o quesito
do sentimento
da existência humana,
e é neste momento
que necessitas
da canção narrativa
do abraço dado
e aquecido
com o lado
de dentro
do peito.
-
2012, janeiro 20 - Minha pintura digital "Casal III" foi exibida no blog "Das tripas coração", ilustrando a
poesia "O aprendiz", de João Pedro.
Desejava uma clareza sempre igual.
Que zelasse eternamente consciente.
E vogasse, mesmo sem ter vento…
Mas de uma alegria, extrai um tormento.
Como algo transparente, que esquece de repente,
o que julga ser banal.
Ainda não te disse, mas não sei ser feliz…
Nessa matéria, estudei só para aprendiz.
No entanto, é estranho…
Se tudo o que tenho, foi conquistado com amor.
Hoje, o meu coração, desenhou um poema.
Sobre este tema, ganhou-lhe inspiração…
Foi por ti, mais bela flor, fruto de paixão. -
2012, janeiro 09 - Minha pintura digital "Moça dormindo" foi exibida no blog "O imaginário", ilustrando
a poesia "Canção noturna" da poeta Márcia Sanchez Luz.
Não quero mais que digas ter amor
por mim, quando bem sei que só me queres
para enfeitar teu corpo com prazeres
que ao fim me causam sofrimento e dor.
Não quero estar contigo e meu frescor
te dar inteiro. Eu sinto que me feres
porque desejas mais de mil mulheres
por garantia, para o teu louvor.
Esquece o que vivemos, eu te peço!
Foi tudo uma ilusão desenfreada
que agora finda e a paz é o meu ingresso
à vida que me espera mais ousada.
Isto é o que pagas pelo desapreço,
por me fazer chorar de madrugada
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2012, janeiro 02 - Minha pintura à óleo "Jovem anarquista" foi exibida no blog "Fragmentos de uma vírgula",
ilustrando a poesia "Negativo - a contra cultura", de Tadeu Francisco.
Quando o A vem para negar,
A falta não existe.
É apenas mais um A
Descrevendo a louca linha.
Quando o "Des" também a nega,
do desdém extraio a forma
E me ouso um poeta
cantador das várias covas.
Gravuras e pinturas ilustrando poesias em 2011, na internet
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2011, dezembro 28 - Minha pintura digital "Pescador" foi exibida no blog
Bondelectra and wine, ilustrando a poesia "Barca bela", de Almeida Garrett.
"Pescador da barca bela,
Onde vais pescar com ela.
Que é tão bela,
Oh pescador?
Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Oh pescador!
Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela...
Mas cautela,
Oh pescador!
Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela,
Só de vê-la,
Oh pescador.
Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela
Foge dela
Oh pescador!" -
2011, dezembro 13 - Minha pintura à óleo "Forró" foi exibida no blog
Meus sonhos de vida, ilustrando a poesia "Hoje é dia do forró!".
Quem não se balança
Quem não se sacode
Quem não cai na dança
Hoje aqui
Nessa brincadeira
Nessa tremedeira
Quero vê poeira subir
O tingue-tingue do triangulo
No ronca-ronca da sanfona
No tungo-tungo do zabumba vem ver
Nessa brincadeira
Nessa tremedeira
Quero vê poeira subir
Hoje é dia de folia
Hoje é dia de forró
Tem xamego a noite inteira
Nunca vi coisa melhor
-
2011, novembro 18 - Minha escultura em resina "Amantes", foi exibida no blog "Le Monde Dans Mes Yeux", ilustrando a poesia "Terra prometida", de Márcio Ferraz.
"Amantes"
Em cada fio de cabelo
Deslizando em minhas mãos
Tenho de ti a melhor sensação
No brilho do teu olhar
Eu me rendo completamente
Como uma manhã luminosa
Uma questão de sentimento
Quem sabe você sinta
No seu coração
Tudo que tenho para lhe dar
Paixão, calor e afeto
Campos verdes me levam até você
Lendas e tradições
Sorria cada sorriso vale a minha vida
Coloque seu maior desejo, eu amarei
Sem sonhos não há realidade
Isto é tudo um resumo da felicidade
Tentando apenas não pensar
A minha terra prometida em ti
O melhor preço é aquele que pagamos com amor
Fique comigo está noite. -
2011, novembro 12 - Minha pintura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog
Geléia General, ilustrando a poesia "Da madrugada de sábado para os boêmios
da sexta", de Herculano Alencar, postado por Clóvis Campello.
O gelo a derreter minha tristeza
no copo de uísque.. a solidão...
a derreter o resto de ilusão
que senta, frente a mim, em outra mesa.
Garrafas, sob o tom azul turqueza
do teto deste bar sem freguesia,
parecem conhecer a melodia
em que min'alma ainda vive presa.
Um bêbado, solene, anuncia
alguma coisa sóbria e esvazia
o copo que dormiu a noite inteira.
E eu olho pro gelo e vejo a lua,
que se escondeu de mim na mesma rua
em que o sol brilhou na sexta-feira.
-
2011, outubro 13 - Minha pintura digital "Homem na sarjeta" foi exibida no
blog TooYoungToDie,
ilustrando a poesia "Sargeta".
"Você não pode sentir o que não pode tocar.
Ou pode tocar aquilo que não sentirá?
Como pode, saber o gosto amargo do que nunca tocou sua boca?
Atravessar a ponte inexistente.
Cobrar o que ninguém tem.
Sentir o aroma dos perfumes que não foram fabricados.
Isso é o que te mata por dentro, mesmo sem existir sequer 1 lâmina a te cortar.
Os amigos se foram, mesmo sem um motivo material.
Tudo o que diziam é que ele fora uma besta carnal.
E a sequela ficou, a cicatriz não fechou.
Aonde está o câncer que não te matou?
Aonde está você agora? Só dentro de ti ele te achou.
E de que importa, se nada te apavora?
O tanto que quis, e nada conseguiu.
És a prova viva de que a ruína só chega, aqueles que tem bom coração.
A sarjeta, é claro, será pra sempre o seu novo habitat." -
2011, outubro 06 - Minha pintura à óleo "Trouxa de roupa" foi exibida no blog
Escritos de Lucinda, ilustrando a poesia "Maria, a doida".Quem foi que te disse que aqui tem pouso
Vai-te daqui com seus molambos encardidos
Quem sabe seu Benedito se apieda de ti
Te empresta o paiol para uma noite dormir.
Maria se vai com seus teres em trouxa
Gingando seu corpo, gordo, sujo, imundo!
Cai aqui, se levanta pra cair, mais suja ficou!
Olhos de rosto que o tempo deu um tapa, coitada.
Mãe, pai ninguém sabe quem são, que importa?
Diz nascida de uma noite de tormenta, agonia.
Não teve amor, logo não sabe do que se aventa
Coitada da Maria, tão gorda, tão suja, tão só.
Janelas e portas se fecham quando aponta Maria,
Menino corre pra dentro que lá vem Maria
Maria da Glória, do Carmo, de Fátima?
Quem é Maria? Ninguém sabe não.
Seu Benedito não acolhe pra noite de chuva
Maria de não sei o quê, só sabem que é louca, doída?
A chuva engrossa, o céu desmorona, trovão,
Na cabeça de Maria a trouxa se rompe, estrondos.
Coitada da Maria carrega dolente... Expia,
Pesadamente a saga de suas Marias...
A visão se turva ,o corpo fraqueja ,geme
Seu cão late sentido, dorido, urgente.
Na beira da estrada por chuva lavada, cavada
Encontram Maria amontoada na vala
Vala da vida, seu leito de morte
Morre Maria! Coitada, sozinha!
Quem foi que morreu?
Ninguém não... Foi apenas Maria,
Maria? Maria? O que é Maria?
-
2011, outubro 05 - Minha pintura digital "Moça nua" foi exibida no blog
Olasmos, ilustrando
a poesia "Doação".
"Receve meu sexo aberto
disposto para o teu
meu corpo posto para teu favor
meu amante, meu amado
numa cópula sagrada
vibrante, úmida e intensa
iremos nos assossegar." -
2011, julho 15 - Minha pintura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog
RELB-Losofando,
ilustrando a poesia "Um chopp - uma mesa".
"Um chopp
Uma mesa
E seu olhar perdido
E sua boca presa
Uma hora pro almoço
É o tempo
Do recreio do teu mirar
Que confessa o cansaço que teve
De tudo que teve de olhar
Que busca
No infinito que já cansou dele
Qualquer coisa
Por que valha lutar
Um chopp
Uma mesa
E seu olhar perdido
E sua boca presa"
-
2011, junho 15 - Minha gravura digital "Sátiro entre cogumelos" foi exibida
no blog "Pescador
de pensamentos", ilustrando a poesia "Errando demasiadamente errando",
de autoria de Adriano C. Tardoque.
Necessário.
Experiencia,
Contraditório,
Vivência.
Consciente,
inconsciente,
humano,
demasiadamente!
Quantas vezes o tempo me permite errar?
Quantas chances terei eu de tirar proveito,
Das escolhas que faço, ou tenho desfeito,
Na insanidade mestra do "ter que acertar"?
Pois se me for negada, a faculdade do erro
Abre alas, então, para o carro fúnebre passar,
Convoca os músicos negros para o jazz, tocar,
E abre a cova funda, para meu enterro. -
2011, junho 09 - Minha gravura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog "Milton
Martins & Temas Livres", ilustrando a poesia "Poeta beberrão",
de Milton Martins.
Ah ! poeta falsificado
triste e doido beberrão;
rei da histeria tola
o que pensas da poesia ?
Julgas que diante dos copos ,
da garrafa vazia,
encontraras a musa do amor ?
enganado estás meu caro medíocre !
a musa imaculada que buscas,
aquela que o verdadeiro poeta canta,
não está no brilho d’uma garrafa,
Ilustre beberrão !
Porque a musa doce e bela
a pura e límpida impressão,
É a alma limpa que chama
É o espírito são que revela...
Ilustre beberrão.
-
2011, junho 14 - Minha pintura à óleo "Carregadores"
foi exibida no blog "Imagens,
poesias e informações", ilustrando poesia de Bertold Brecht. Postado por Maria
José Speglich.
"Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?" (fragmento) -
2011, maio 25 - Minha gravura giclée "A vida, etílica, é muito melhor" foi exibida no blog "As ideias de um Renato", ilustrando a poesia "Dona de mim", de autoria de Renato Souza:
A vida, etílica, é muito melhor
Você me deixa louco, me tira do sério
Me faz perder a cabeça
Fazer e dizer coisas que sem ti nunca faria, nunca diria
Me torno outro junto de ti
Somos uma dupla e tanto
Mas no fim sou eu quem sempre leva a pior
Acordo largado, jogado num canto
Sozinho
Me deixa pra trás, se esquece de mim
E mesmo assim eu volto, procuro novamente seus braços
Seu colo quente a me acolher
Me pede para entrar e sem pudor algum eu te possuo
Submissa
Me deixa no controle
Me engana
Sou teu dono e você na espreita, louca para virar o jogo
E vira
Me vence
Me deixa prostrado, caído, humilhado no chão
Aos seus pés, suplico mais um dose
E você me rejeita
Tão dona de mim
Me coloca na cama e às vezes nem nela, nunca canto no chão frio ou no desconfortável sofá da sala
E eu acordo ainda sonado, aos prantos, com a cabeça a explodir
Sozinho, ainda sob seus efeitos
Defeitos
Levanto
Juro nunca mais te procurar
Sou fraco
No mesmo dia já estou lá, de quanto a sua espera
Sempre rainha, soberana e dona de mim
Mais uma dose, é claro que eu estou a fim
Seco a garrafa para fugir e lá é você quem eu encontro
E isso se torna um circulo vicioso
Eu fugindo e te encontrando
Você me ignorando e me aceitando
E eu jurando nunca mais me embriagar.
-
2011, maio 23 - Minha pintura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog
Iara poesias, ilustrando
a poesia "Amigo?".
"Boa noite amigo Pedro,
Quanto tempo não te vejo.
Tem noticias de Maria?
Sofro toda noite
Sem a sua companhia
Ainda ontem eu a vi
Linda como sempre
Cabelos soltos,
Olhos brilhando,
Mas não perguntou por ti.
Ela não disse nada,
Que sente saudades minhas,
Que gostaria de me ver,
Ou se chegou a me esquecer?
Sinto amigo Antonio,
Mas Maria estava bem,
Conversamos longo tempo,
Não falou teu nome
E me chamou de "meu bem".
Eu sabia amigo Pedro,
Que isso ia acontecer
Ia chegar o dia
Que minha linda Maria
Ia deixar de me amar.
Sei que é triste amigo Antonio
Mas isso às vezes acontece
Uma briga, uma discussão
Machuca o coração
E o amor assim falece
Eu sei, isto é verdade
Agora já é tarde
Perdi a mulher que amava
Só me resta desejar
Que encontre alguém pra amar
Amanhã a continuação desta história contada em poesia, voltem viu?
Beijos com carinho." -
2011, maio 23 - Minha pintura digital "Homem na sarjeta" foi exibido no blog
Poeta de rua,
ilustrando a poesia "Sobre a paixão".
"A paixão é como a embriaguez.
Alguns tanto a ela se entregam,
que acabam por acordar na sarjeta.
Ainda assim,
quem dera acordássemos
todos os dias nessa condição..."
-
2011, maio 05 - Minha pintura acrílica "Semeador" foi exibida no blog
Lusofonia poética, ilustrando a poesia de Miguel Torga.
Na terra negra da vida,
Pousio do desespero,
É que o Poeta semeia
Poemas de confiança.
O Poeta é uma criança
Que devaneia.
Mas todo o semeador
Semeia contra o presente.
Semeia como vidente
A seara do futuro,
Sem saber se o chão é duro
E lhe recebe a semente. -
2011, maio 04 - Minha pintura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog
Momentos literários, ilustrando a poesia "Poema tirado de uma notícia de jornal",
de Manuel Bandeira.
"João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem númeroRepublicado de: 2010, março 25, no blog de Bruna Marques.
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado."
-
2011, abril 21 - Minha escultura "Maternidade" foi exibida no blog "Rua das Pretas", ilustrando a poesia "Arte
poética" de António Ramos Rosa:
Se o poema não serve para dar o nome às coisas
outro nome e ao seu silêncio outro silêncio,
se não serve para abrir o dia
em duas metades como dois dias resplandecentes
e para dizer o que cada um quer e precisa
ou o que a si mesmo nunca disse.
Se o poema não serve para que o amigo ou a amiga
entrem nele como numa ampla esplanada
e se sentem a conversar longamente com um copo de vinho na mão
sobre as raízes do tempo ou o sabor da coragem
ou como tarda a chegar o tempo frio.
Se o poema não serve para tirar o sono a um canalha
ou ajudar a dormir o inocente
se é inútil para o desejo e o assombro,
para a memória e para o esquecimento.
Se o poema não serve para tornar quem o lê
num fanático
que o poeta então se cale." -
2011, março 16 - Minha pintura à óleo “Boteco” foi exibida no blog
Marlos Ross,
ilustrando a poesia "De ontem em diante".
De ontem em diante serei o que sou no instante agora
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia
Quem surgiu primeiro? o antes, o outrora, a noite ou o dia?
Minha vida inteira é meu dia inteiro
Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro!
Minha mochila de lanches?
É minha marmita requentada em banho Maria!
Minha mamadeira de leite em pó
É cerveja gelada na padaria
Meu banho no tanque?
É lavar carro com mangueira
E se antes, um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa... da puta tiro a roupa
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro...
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem
-
2011, março 10 - A poeta Clevane Pessoa escreveu o poema "Hostoriazinha de amor",
inspirada pela minha exposição "Motel barato".
Mulher que foi botão de rosa , filha de mãe carinhosa
e pai que não foi machista
cuidada, orientada, bonequinha mimada.
casa-se com brutal perseguidor
o que persegue- a- dor
com prazer,
para subjugá-la.
Marca-a com ponta de cigarro,
chuta-lhe a barriga prenhe
e ela perde o rebento,
arrebentada.
Foge na madrugada.
Chove,ela escorrega, fere os joelhos, torce o pé.
Moço bonito oferece ajuda.
leva-a ao motel barato.
Limpa-a, banha-a, com mágicos dedos de prestigitador
- o -que afasta a dor-
e lhe faz amor.
Depois disso, convida-a para ser moelo vivo, tela viva
e os dois trabalham numa vitrina
onde trocam olhares apaixonados.
Depois,quando a loja do prazer se fecha, ali em Amasterdã, para onde figiram
por temer represálias do carrasco, ele a leva ao motel barato
-pois ainda não têm um lar-
e retira toda a sua arte naquela pele de seda.
Cria outra, invisível aos olhos comuns, com os dedos de criador,
o que anulou a dor,
Agora, esse espaço encardido , com puídas cortinas
pink ,azulejos amarelados e pretos no rejunte, e cheiros fortes
é agora,o paraíso,
de um grande amor, retrato
e nem parece um motel barato... -
2011, março 09 - Minha pintura digital "Homem na sarjeta" foi exibida no blog
A mansão
de miss Katrina, ilustrando a poesia "O pagamento", de Katrina de Salem.
"Nada tenho! Brada o tolo
Remexendo-se na lama
Toda vida desgraçou
Com vícios e parvoíce
Fez os queridos chorarem
Fez dos excessos a lei
Nas noites tornou-se luxúria
Nos dias era avareza
Mas sábio é o tempo!
Que lhe tomou a beleza
Deu-lhe em troca a velhice
E um bom punhado de dores
O viril grosseiro e prepotente
Amanhã é um cão na sarjeta
Gritando: Nada tenho na vida!
Como o mais infeliz miserável
Todavia vem a morte lhe tocar
“Te enganas meu caro amigo
Ainda tens o trançado de tripas
Que te dão a imerecida vida”
As lágrimas que caem hoje
São por descuido e vulgaridade
Feliz aquele que do mundo se guarda
Pra dele não partilhar essa paga."
-
2011, março 01 - Minha gravura digital "Enxugando os cabelos" foi exibida no
blog "Artes e escritas",
ilustrando a poesia "Nudez" de Yayá.
Pegar gravetos como se peixes fossem
Ao mar. Recolhe avencas em infusão,
Aquece ao estar sem horas visando montes,
Em águas mornas, doces sais de imersão.
Paixão d’uns anjos nus nas preces desse ontem,
Aguarda e banha-se em ato de oração
Da seiva em flor, na busca da ultimação
D’ amor fiel numa indizível corte.
Da sorte, nada diz e cala-se a fonte
Em gesto pródigo, fineza e perdão
Na fé que roga, implora e nega um afronte.
Que seja um banho preguiçoso. Não conte
Ao mal das águas dessa libertação
E faz desfeita a mágoa no horizonte. -
2011, fevereiro 21 - Minha gravura digital "Ninfas dançando" foi exibida no
blog "Viagem ao centro da tela",
ilustrando a poesia "Ritmo e sintonia" de Ermes Le Fou.
Em um instante ela começa
e já não sou mais quem eu era antes.
Perco os sentidos, me descontrolo.
Eu canto, danço, me liberto.
O mundo a minha volta se transforma
diante de meus olhos como que por mágica
e a energia começa a fluir de todos os lados.
Todos meus movimentos parecem ganhar vida própria.
Não sei por quanto tempo ela se estende.
Cinco, dez, vinte minutos...
Isso realmente não importa.
Ela vai me dominando como quem não quer nada
e logo toma controle de todo meu ser.
O som se torna cada vez mais alto e me pergunto
se ele vem do mundo para mim, ou de mim para o mundo.
O som se torna cada vez mais alto e é delirante a sensação de liberdade.
Liberdade essa que me entrego sem medo, sem pensar...
Tudo é vibração, tudo é ritmo
Tudo é energia, tudo é cinética
Tudo se interliga
Sou o ar, sou o som, sou o céu, sou o chão.
Como um balanço que vai perdendo a força
Ela vai diminuindo o ritmo até cessar...
Aos poucos retorno ao meu corpo.
Meu espírito encontra o caminho de casa.
A realidade retoma sua harmonia costumeira
e eu mal posso esperar para retomar a minha harmonia!
-
2011, fevereiro 21 - Minha pintura à óleo "Amantes II" foi exibida no blog
Luso-poemas,
ilustrando a poesia "Eu queria ser".
Eu queria ser um poema.
Até poderia ser mudo;
mas de cariz bem depravado,
para não importar-me
com o que a más línguas
viessem a falar de mim.
Divertir-me-ia com elas.
Pudicas horrorizando-se
comigo, eu fazendo sexo
num amor despudorado
numa vitrine de shopping
Queria mostrar toda verdade
e liberdade das posições
numa cama; sem hipocrisia,
sem censura as exposições.
E sorrir das caras atônitas,
vendo-me em performances
como se fora um grande artista.
Queria ser um poema picante,
ou um amante de amor freelance.
Eu queria ser um romance... -
2011, fevereiro 09 - Minha pintura digital "Frigobar incluído" foi exibida
no blog Véu atelier teatral,
ilustrando poesia.
a noite, como outras, joga seu manto
infinita como tantas
tanto quanto
-
2011, janeiro 30 - Minha gravura digital "Homem na escuridão" foi exibida no "Blog do Bourdoukan", ilustrando
o texto "Ecce Homo", do autor.
A humanidade é uma ave de asas partidas
Que vaga no Universo rumo ao desconhecido
Em busca de um sentido para a vida.
Tem o alucinado por guia.
Navega uma rocha movida pela soberba,
Pela arrogância e pela paixão.
O eu é, o ele não é. Um louvor à imperfeição.
A humanidade é um espelho embaçado
Alimentado pelo desespero e pela incerteza.
Fome e ódio não permitem pensar no amanhã.
A natureza não cria indigentes.
O destino, uma profundidade insondável,
Uma porta da qual só você tem a chave.
Do destino, homem algum escapou.
Nada é definitivo, nem a morte.
Vontade de viver, vontade de poder,
Eis a verdadeira dimensão do homem
Para atingir o eterno e superar o infinito.
Maior que o infinito menor que o imenso.
Procure o intermediário entre o
Saber e o ignorar e terá
O invisível sustentando o visível,
A essência superando a existência.
Não há limite para o possível.
Saber questionar é viver,
Aceitar o dogma é anular-se.
Quem pode entender a razão humana?
O homem é algo que precisa ser superado.
Brutalidade e ganância movem o planeta.
O homem animal doméstico do homem.
O que é o homem?
Ele é aquele que troca a alma pelo lucro
Ignorando o que a história ensina.
Onde houver opressão haverá Revolução
Eis o Homem. -
2011, janeiro 17 - Minha pintura digital "Amantes IV" foi exibida no blog
Ensaios sobre a poesia,
ilustrando a poesia "Abrigo".
Teu corpo é meu abrigo
Entre laços e abraços
Afago e carinho
Meu ninho...
Onde encontro a paz
Relaxo meu corpo, cansado
Da luta, da vida...
Mãos fortes me acariciam
As bocas quentes se saciam
Abrigo
Teu coração é meu abrigo
Entre águas e ventos
Puro sentimento
Sou mais eu contigo...
-
2011, janeiro 16 - Minha pintura digital "Homem na sarjeta" foi exibida no
blog Favela
Diodatti, ilustrando a poesia "Conformidade", de Rimbaud.
Estou tão feliz
Por Navegar neste monte de merda!
Muito obrigado
Pela saborosa catarrada
Qu’escorre pela minha face.
Sua bota acerta meu fígado
Mas eu tenho forças para cantar:
A vida é bela
Não há do que reclamar.
Um momento senhor explorador!
Deixe-me limpar o suor da tua tez
Pronto! Continue a nos fustigar!
Isso! Agora vá e violente minha mulher...
Depois de tudo isso
Deixe qu’eu explodo os miolos mortos
De minha vazia cabeça.
Gravuras e pinturas ilustrando poesias em 2010
-
2010, dezembro 30 - A poeta Clevane Pessoa escreveu uma poesia inspirada nestas minhas
Ninfas:
Trilogia, tríade, trio de mulheres gráceis, as três graças
não se tornem des/graças,
mas promessas de fertilidade
e possam chamar a chuva.
Sempre no gerúndio, en/cantando,
dançando,
atraindo,
num continuum de graciosidade.
Mulheres atemporais, gregas, romanas, egípcias
wiccanas, indígenas, hodiernas a celebrar a liberdade de ser.
A música, cada um ouça a que soa, ressoa
em seu self , em seu coração e alma
e vibre através dos poros.
A música ensinada às criaturas
pelo movimento das águas,
pelo tatalar das asas,
pelas travessuras da brisa,
pelo ritmo do capim e do trigo,
pela viagem incessante das nuvens grávidas
ou engravidando,
é um presente :
basta seguir um ritmo e dar vazão à alegria
de estar para ser,
vivo e resiliente... -
2010, dezembro 08 - Minha pintura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog
Arrepare, ilustrando a poesia "No bar com um poeta", de autoria de Jessé
Costa.
"- Seu poeta, gente fina,
Só tu podes me salvar
O caso é que dei pra amar
A uma linda menina
Mas eu não quero essa sina
Pois tenho medo, senhor,
Que amor anda co’a dor
E dor só machuca a gente
Por isso me oriente
Pr’eu me livrar desse amor
- Meu amigo sofredor,
Matar um amor é fácil
Tu só tens que ir ao Lácio
E procurar pela flor
Que seja preta de cor;
E assim que a encontrar
Faça um chá, deixe esfriar
E tome num gole só
Que então desfaz-se o nó
E tu deixas de amar!
- Vije! É, deixa pra lá...
Que viagem da mulesta
Não tem forma mais modesta
Pra se deixar de amar?
- Tem outra qu’é se matar
Mas essa né tão correta
Tem também a outra seta
Que foi o que me ocorreu
O meu amor só morreu
Quando dei pra ser poeta!
Pegue o amor que te afeta
Sacuda ele no chão,
Faça dele inspiração
Pra qualquer coisa concreta
Invente de ser poeta,
Seresteiro ou pintor
Só não deixe esse tumor
Inchar no seu coração;
Porque senão, cidadão,
É tu que morre de amor!"
-
2010, outubro 26 - Minha pintura acrílica "Homem e natureza" foi exibida no
blog "Bacanal - O canal dos Bacantes",
ilustrando a poesia "Ipso colore", de Marcelo Farias.
"O próximo instante é incolor
poderá ser colorido
ou ficar mesmo sem cor " -
2010, setembro 30 - Minha gravura digital "Escolhendo feijõ3s" foi exibida
no site "Recanto
das Letras", ilustrando a poesia "Vida em bula" de Jorge Luiz da Silva
Alves:
"O escopo de minha existência gradua-se no colorido das tarjas ou na posologia das horas: manhã, drágeas; tarde, gotas; noite, xaropes. Um pico mal dado e, se ao invés de capturar veias romper artérias, o estertor significará o epílogo do sofrimento e o início do alívio. Na pior das hipóteses, estação de transferência para a Linha Negra das penitências.
O alvo do meu sofrimento será atingido pela rombuda seta da fraqueza interior – construído que fora por minha alma dissoluta...
...e pelo total desrespeito ao meu corpo!"
-
2010, setembro 30 - Minha pintura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog
Arroto de
pequi, ilustrando a poesia "Caboclo tá manso".
Eu que não só Chico
Caboclo de responsa
Não causo rebuliço
Dinheiro, Não tenho,
Mulher se foi ...
E você não vá sofrer de amor
Por mais forte que seja
E se tudo acabou
Não há razões para esquecer
A tristeza e o amor
Todos os poemas endereçados a ti,
As mandingas de amor,
O amor colocado em prova
Mal inflacionaram os sentimentos
Vou abusar das bebidas
Por que talvez ébrio
Tragam momentos de esquecimentos
E deslembraças -
2010, setembro 18 - Minha pintura acrílica "Florista" foi exibida no blog "hana-haruko",
haikai de Haruko:
"O sol beija as níveas
florezinhas encantadas:
noivas, primavera."
-
2010, setembro 18 - Minha pintura acrílica "Florista" foi exibida no blog "hana-haruko",
ilustrando poema de Clevane Pessoa:
"Encantada e inquieta com o mistério e as promessas das sementes,
Haruko , que traz no nome o milagre da floração,
planta, depois de revolver a terra marrom
e adubá-la diariamente de forma orgânica,
com cascas e raspas,
um punhado delas,um presente,
do que não conhecia a origem.
Revê ao sol, a meninota estender a mãozinha gorducha:
_Toma Haruko, é para plantar...
E ela o fez.
Seu suor, em pérolas líquidas, também caía ao solo
quando trabalhava
as inchadas sementinhas e seus embriões, prestes a brotar.
E uma vez chorava enquanto cantava
-pois não é que beberam tudo que ela externava com o coração ferido
por alguém que tinha partido?
E a magia da germi/Ação continuava:
tegumento, endosperma, óleo, amido, proteínas.
Brotos brotaram em direção à luz.
Uma festa de verdes.
E agora, entra setembro e o ciclo se inicia:
níveas flores se abrem, todas juntas,em celebração irmanada.,
Haruko tem agora, completamente encantada
-e encantadora- sua primavera particular!" -
2010, setembro 20 - Minha gravura digital erótica "Trio de amantes" foi exibida
no blog "Maracujá
com açúcar", ilustrando a poesia "Pica-flor" de Gregório de Matos,
postado por Nina Sampaio.
"A uma freira que satirizando a delgada
fisionomia do poeta lhe chamou "Pica-Flor".
Se Pica-Flor me chamais,
Pica-Flor aceito ser,
Mas resta agora saber,
Se no nome que me dais,
Metei a a flor que guardais
No passarinho melhor!
Se me dais este favor,
Sendo só de mim o Pica,
E o mais vosso, claro fica,
Que fico então Pica-Flor."
-
2010, setembro 02 - Minha pintura à óleo "Menina catando feijão" foi exibida
no blog désopiler,
ilustrando a poesia "obturação".
cuidado com a pedra no feijão...
-
2010, agosto 23 - Minha pintura à óleo "Lavadeiras" foi exibida no
Blog do Soane,
ilustrando a poesia "Samba no tanque".
Dança lavadeira
Samba no tanque
Hoje é sexta-feira
Você vira sereira
Pelo menos um instante
Lava camisa e a calça do patrão que
Domingo é dia de pedir a comunhão
Dança lavadeira
Samba no tanque
O que quintal é sua casa
E o terreiro o seu palanque
Você vira sereia
Pelo menos um instante...
-
2010, agosto 18 - Minha gravura digital "Poeta meditando" foi exibida no blog "Lua dos
apaixonados", ilustrando a poesia "A poesia e o poeta" de autoria
de M@ José.
"Deus criou a poesia
Para ser apreciada
Em qualquer hora do dia
Deve ser admirada.
Do nada o poeta cria
Expressando seu sentimento
Mostrando sua sabedoria
Gerada do pensamento.
Oh! Poeta que tanto ama!
E sensibiliza os seus leitores
Utiliza palavras e proclama
Amor a tantos amores.
Nas idéias do poeta
Em tudo tem poesia,
A emoção é completa
Conquistando a simpatia." -
2010, julho 24 - Minha pintura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog
Salve, César,
ilustrando a poesia "O espelho do mar".
Oh, meus irmãos dos bares,
subprodutos cristalizados da vida,
não há mesmo como recusar a bebida,
quando o álcool é bússola maior.
Pobres irmãos, meus irmãozinhos dos bares,
se deixarem de beber,
morrerão do mesmo jeito:
sem espasmos, mas ainda atormentados
pela consciência patética de espantalho.
Oh, meus remendos.
Oh, meus retalhos:
sem nenhum esplendor (da vida),
vocês são a ferida,
o talho.
-
2010, julho 08 - Minha pintura à óleo 'Orfeu' foi exibida no blog
Verso
e prosa, ilustrando a poesia 'Anacoluto' de Dom Quixote.
O meu verso adolescente
É pra você
Torto e sonso
Esse meu verso
Que enviesa quando olha
De soslaio
Se apruma
E faz pose de adulto
Esse verso
Adolescente
Que implica com a sua pose
Implica por não saber
Como lidar com você
Como lhe dar esse verso
Me dar assim pra você
De presente
De repente
Ou relance
Esse verso
Adolescente -
2010, julho 06 - O poeta Freddy Diblu fez uma releitura da 'Canção do exílio' de Gonçalves Dias.
Toda riqueza provém de violência
'Minha terra tem carteiras,
Onde canta o jabá;
As rapinas que aqui rodeiam,
Não saqueiam como lá.
Nosso ao léu tem mais estrelas,
Nossas praças têm mais atores,
Nosso zé-povo tem mais lida,
Nessa lida mais "mordedores".
Em chiar, sozinho, ao açoite,
Mais quelelê encontro eu lá;
Minha terra tem carteiras,
Onde canta o jabá.
Minha terra tem no 171 "doutores",
Que tais não encontro eu cá;
Em chiar – sozinho, ao açoite –
Mais quelelê encontro eu lá;
Minha terra tem carteiras,
Onde canta o jabá.
Não permita Deus que eu corra,
Sem que me revolte por lá;
Sem que refute os usurpadores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda reviste as carteiras,
Onde canta o jabá.'
-
2010, julho 05 - Minha gravura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog "Sabedoria", ilustrando a poesia "Mesa
de bar", de Rita Rovai Castellan.
"A mesa do bar
Não para de rodar
Não é cachaça, é gente a passar
Poetas e mais poetas
Brincantes da noite
Brincando com a noite
Burburinho
Confusão
Não
Apenas, paixão
No ar, nas palavras, nas faces, nas risadas
Nas calçadas
Na esperança de uma nova estrada
Que me leve para meu novo eu
Por que esse.... já se perdeu." -
2010, junho 18 - Minha pintura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog Poesias de Nelson Ferreira, ilustrando a poesia "Triste passado".
Mesa de bar"Oh, moço sente aqui ao meu lado!
não repare, mas já estou meio embriagado,
as lágrimas que caem do meu rosto,
são por recordar meu triste passado!
A tempos conheci uma garota.
e por ela fiquei apaixonado,
Deus abençoou nossa união.
Hoje vivo na bebida e mal trajado.
Tive um filho com minha amada,
mas no parto ela morreu.
Desnorteado pelo fato acontecido,
em outras mãos este menino cresceu.
Hoje vagando pelas ruas,
vivendo com migalhas de pão,
a procurar por meu filho,
e pedir -lhe o seu perdão.
Por que um homem ama tanto,
E não tem este amor por toda vida?
perde a esperança de tudo,
e entrega seu corpo à bebida?
Preciso encontrar meu filho,
Pra dar a ele um forte abraço,
dizer que quero deixar esta vida,
contar a grande dor que passo.
Falando do passado pra ele,
o homem começou a chorar,
levantou-se da cadeira e disse:
__"Sou seu filho, venha me abraçar!
Eu o perdoo meu velho,
Sua lágrima me convenceu,
Hoje sou um homem honrado,
sei o quanto você sofreu.
Daqui pra frente estaremos sempre juntos,
me formei e sou advogado,
Sou casado e tenho um lar,
e seus netinhos ficarão contentes ao seu lado".
-
2010, junho 02 - Minha gravura digital 'Casal III' foi exibida no blog
Lima Coelho,
ilustrando a poesia 'Na moldura do soneto', de autoria de Freddy Diblu.
'Amor é a incompletude do prazer
Fulgor e inquietude de alma acesa
É virtude de dor, amiúde e coesa
Tem a ver com perpetuidade do ser.
Sus! Mas é furor que produz beleza
Que exala assaz o torpor de felicidade
E se conduz a grandeza na efemeridade
– O que mais faz juz por delicadeza!
O Amor cai bem demais em lua nova
Bem com vinosidade em flux de ais
E com afinidade à meia-luz de alcova.
Ademais, vai além de orgasmos plurais:
É bem de entusiasmos originais, que inova.
Amor? Quem o prova não se satisfaz, jamais!' -
2010, junho - Minha pintura digital 'Mergulho' foi exibida no blog
Tuda Pap.el el.etrônico, ilustrando a poesia 'Mergulho', de Plínio Aguiar.
'Abaixo da superfície de arrepio da nesga de mar
Que vejo sentado no sofá na sala na manhã
Devem estar peixes, diversas cores, tamanhos,
Formatos diferentes no padrão de nado e guelras,
Escamados e encourados com listras e pintas
Que não eliminam a possibilidade de desejo.
Abaixo da superfície de arranhões da faixa de mar
Que sinto nos olhos parados estariam começo
E fim, vulcões, serpentes e pentes de sereias
Verdes, o próprio enigma de estar o que poderia
Não estar no trocadilho de horas enferrujadas,
dados do polifemo, Ulisses, regressos calados.
Abaixo da superfície de violência de sobra de mar
Que noto entre copas de árvores funciona usina,
Vultos submergindo-se originados de albumina
Mergulhando no verbo pronunciado em encontro
De águas, espuma, sonhos, argila. Guitarras
Emergem surpresas presas à quilha do último beijo.'
-
2010, maio 21 - Minha pintura acrílica "Amantes" foi exibida no blog
Valise de
Cronnópio, ilustrando a poesia "Yo no lo sé de cierto", de Jaime Sabines.
Yo no lo sé de cierto, pero supongo
que una mujer y un hombre
algún día se quieren,
se van quedando solos poco a poco,
algo en su corazón les dice que están solos,
solos sobre la tierra se penetran,
se van matando el uno al otro.
Todo se hace en silencio. Como
se hace la luz dentro del ojo.
El amor une cuerpos.
En silencio se van llenando el uno al otro.
Cualquier día despiertan, sobre brazos;
piensan entonces que lo saben todo.
Se ven desnudos y lo saben todo.
(Yo no lo sé de cierto. Lo supongo) -
2010, maio - O poeta Freddy Diblu escreveu a poesia 'Excêntricos corruptores',
irmã gêmea, mas letrada, desta minha 'Favela'.
'Friiia... ssssom-bria... sorrateiramente!
Sois vós
que sorrides espectros satânicos
lacrimejais peçonhos exóticos
Sois vós
que cuspirdes tributos lancinantes
escarrais juros ebola
Sois vós
que arrotardes peculatos macabros
vomitais verdinhas infectas
Sóis vós
que assoviardes militantes
mercenários
espirrais paus-mandados sectários
Sois vós
que mijardes mísseis aterrorizantes
evacuais borras radioativas
Sois
de quem desabrocham bocas-do-lixo
assanham-se déspotas sanguinários
Sois
a quem enfureçam mãos hediondas
atiçam barbáries gangrenáveis
Sois
por quem sentenciam autos-de-fé
alastram cárceres barras-pesadas
Vós!
quando prostituístes a paixão
corrompestes o amor
sequestrastes os sonhos
Vós que sois
A b j e t o s
Parasitas, marotos
vermes nas chagas
Só vós
o mau-olhado atroz
a fedentina dos esgotos.'
-
2010, abril 24 - Minha gravura digital 'Moça nua' foi exibida no blog 'Prosa e verso
de boteco', ilustrando a poesia 'Nesta rua', de Zenaide Negrão.
'Nesta rua...
Num tempo primeiro
de primeiros passos
passo a vida em coloridos
ladrilhos de pedrinhas de brilhantes.
Num segundo momento
o tempo do sofrer se faz presente
e a vida se torna cimentada
e junto aos brilhantes
brotam espinhos.
Num último momento do meu tempo
os brilhantes, o sofrer e os espinhos
estão todos reunidos
numa ínica rua
num único bosque
numa única vida
num único coração.
Lá
Solidão...' -
2010, abril 05 - Minha gravura digital 'Procurando na escuridão' foi exibida
no blog Caos ordenado,
ilustrando o ensaio 'Meia-noite', postado por Martín Langou.
'os inimigos, quando atacam, parecem unir-se no ataque / aparecem todos juntos, de surpresa, ao cair da noite / querendo me pegar no contra-pé / testes de firmeza para uma prática forçada e, quiçá, maltratada / quando a luz se vai, fica sua ausência, oportuna quando vista como uma passagem / vamos, cavaleiro, que a luta é grande e a vitória só é possível sobre si mesmo / 'um leão por dia', berra a espada, sedenta por mais sangue que se transforma em suor da libertação... de si / instigado para mais luta, relutante quanto à própria força e a brecha no alto do cume do túnel que, por um simples raio de intuição, mostra a aurora já tão próxima / Ao amanhecer, tudo estará limpo e serei, novamente, eu e Eu, apenas.'
-
2010, março 30 - Minha pintura à óleo "Boteco" foi exibida no blog
O sonho
de uma sombra, ilustrando a poesia "Filosofia de bêbado".Ô, meu amigo,
Cerveja bem,
Campari bem as coisas
E champanhe meu raciocínio:
A vida é Drurys,
Mas dá muitas vodkas;
Eu vinho de longe,
Só com um ponche nos ombros,
Estava kaiser desanimando,
Mas encontrei uma caipirinha
Ao passear no chopp,
E me Amaretto nela.
Seu nome é Natasha e,
Apesar de já ter 51,
Estou vivendo uma paixão aguardente.
Por isso repito:
Cerveja bem:
Nem tudo é rum,
E sempre pinga
Álcool de bom. -
2010, março 24 - Minha gravura 'Casal' foi exibida no blog
Notícias do Sertão, ilustrando o post 'Poema 'Quase um alento'',
de autoria de Graça Graúna e postado por Simone Cabral.
Sonho, acordo e enloucresço.
Penso: a vida seria desolada
se não houvesse canções de amor.
Não digo, só penso:
você é quase o meu alento
ou quase tudo que eu quero
Vamos deixar o nosso nome na porta
viver o momento
e seguir a canção.
-
2010, março 20 - Minha gravura digital 'Ninfa' foi exibida no blog
O imaginário, ilustrando
a poesia 'Soneto para o Dia Mundial da Poesia', de autoria de Márcia Sanchez
Luz.
'Vem pra cá, minha Poesia!
Diz o que devo fazer
durante estas noites frias,
quando é difícil viver!
Traz de volta o som que havia
nas notas do alvorecer,
nos semitons de outros dias
que me faziam vencer
manhãs de rondas infindas
(entre emoções e razões)
dentro de meu existir.
E assim o dia que brindas
será de intensas paixões
num corpo inteiro a sorrir.' -
2010, março 12 - Minha pintura acrílica 'Leda e o cisne' foi publicada no blog 'Recanto das Letras',
ilustrando a poesia 'Ritos de passagem', de Jorge Luis da Silva Alves (fragmento)
'Agora batizada no fogo das vontades, Valéria abriu-se, farfalhante, para o céu sem lume, exigindo na soberania dos seus novos desejos:
"Vem, que eu quero você."
Principesco, real, o cisne deslizou nas águas escuras da incerteza futura, abarcando Valéria para a gloriosa viagem das revelações.'
-
2010, fevereiro 24 - Minha pintura digital "Moça dormindo" foi exibida no blog
Inútil paisagem,
ilustrando a poesia "Repouso".Calado soa o silêncio
colado ao meu ouvido
- zumbido.
O som soa coado
- silêncio.
O som coado dobrado
- ressoa.
Repousa o espaço entre
- parado.
Nem futuro, nem passado
- presente.
De movimento ressente
o tempo estagnado.
A mente sente e atalha
- trabalha.
O corpo relaxa e pousa
- repousa. -
2010, fevereiro 02 - Minha pintura digital "Casal III" foi exibida no blog
Eme
Nguimba, ilustrando a poesia "sabe Deus a razão do amor".
"a semente doce sorridente
os sábios Os beijos
mexe e mexe mais a alma contente
os sentimentos são tormentos?
é iminente a cor da felecidade
oh Lua o desenho nos olhos brilhantes
toca e toca mais
a doçura é surra mental afinal
no ponto cantante
o amor é também racional
no ponto Geométrico
mas obcecados os beijos e carícias
no ponto dançante
então que seja assim Deus é Poder
a semente doce sorridente
ama e ama mais a vida
divina é a vida
roça que roça a Magia
quanta alegria
abençoado beijo e seja Deus
A ponte do desejo"
-
2010, janeiro 30 - Minha pintura à óleo "Menina catando feijão" foi exibida
no blog Eu passarin,
ilustrando a poesia "Poesia incidental II".
Uma unha no asfalto
ainda vive
arranha.
Um pneu solitário
sai da estrada
grogue.
(assim é morrer?)
um quase olho
fechado
sonha.
Do alto
- e acima de qualquer poema -
corvos espreitam
o inevitável. -
2010, janeiro 26 - Minha pintura digital 'Casal' foi exibida no blog
Graça Graúna, ilustrando a poesia 'Quase
um alento', de Graça Graúna.
'Sonho, acordo e enloucresço.
Penso: a vida seria desolada
se não houvesse canções de amor.
Não digo, só penso:
você é quase o meu alento
ou quase tudo que eu quero.
Vamos seguir a canção
e deixar acontecer.
"Pra quê rimar amor e dor?"
Você é quase meu alento
Vamos deixar o nosso nome na porta
e seguir a canção.'
- 2010, janeiro 24 - Minha pintura digital "Poeta meditando" foi exibida no blog Aquela menina com uma flor, ilustrando a poesia de Carlos Drummond de Andrade.
-
2010, janeiro 02 - A gravura digital 'Mesa de bar' foi exibida no blog
Prosas da Amazônia XXI, ilustrando
a poesia 'Amigo meu', de autoria de David Carneiro.
'Sei que tu erraste e erraste feio amigo meu
E que, como um menino, vais pedir perdão
Como entre prantos segues para tua amada
Que te diz agora em desengano
Preferir a tudo a solidão
Amigo meu qual foi teu crime?
Artigo 115: Apaixonar-se por outro alguém
Não te renego e nem te julgo
Pois eu te confesso mau adulto
Já sofri de amor também
Agora sei que te reviras na tua cama
E que um nome chama quando não crê
Que tu fizeste por uma lira
Enfeitiçado por uma gira
Teu grande amor tanto sofrer
E eu que te olho e nada falo
Fico calado, sentindo a dor do teu penar
Que hoje anda errado e anda errante
Na busca ingrata e incessante
De um tão distante perdoar
E este mundo que agora tanto fala
Que só te julga e te condena por traição
Não carrega metade do amor que arde
Calado e doído
Dentro do teu coração.'
Gravuras e pinturas ilustrando poesias em 2009
-
2009. novembro 10 - Minha gravura decorativa digital "Vaso com flores" foi exibida no blog Recanto das letras, ilustrando a poesia "O SUICíDIO (para minha amiga N...)", de autoria de Maria Martha:
Vaso com flores
"Sobre seu corpo brotarão flores que minhocas deixarão viver.
Lamento, amiga.
Vá com Deus." -
2009, novembro 05 - Minha gravura digital "Moça nua" foi exibida no blog "Partos de Pandora",
ilustrando a poesia "Adormece", de autoria de Violeta Teixeira.
"Adormece! A morte abre a porta. Deixa-a entrar!
Sentar-se-á. Olhar-te-á. Que importa! Dormes.
Dormes. Serena, como a boneca de porcelana,
Despenteada. Pernas quebradas, mas a abraças,
E sonhas a criança. Essa mesma! Abraça-a!
A morte, tenta acordar-te. Atropós prepara-se
Para cortar a trama tecida. Dorme! O corte é doce.
Acordarás outra. Orquídea roxa. Pedra granítica.
Música nas veias de fontes, antes, secas. Dorme!
Abraça a boneca de porcelana! Essa mesma!
A da criança! A sepultada, no poema. Eterna!"
-
2009, novembro 01 - Minha pintura à óleo "Boteco" foi exibida no blog
Rocknaldo,
ilustrando a poesia "Amizade banheiro bar".E as gavetas se abrem pra desabafar
e voam papéis pelos ares a se revelar.
E até mesmo o saleiro vem a te olhar, no olhar.
com olhos de quem nunca viu e nem mais verá.
Amizade Banheiro Bar
Amizade Banheiro Bar
Um trago, um desabafo, a fumaça a girar, no ar.
O gelo rodando no copo a esperar
...
...
...
Amizade Banheiro Bar
Amizade Banheiro Bar
Copos vazios,
corpos tardiam,
garrafas e taças.
Viva agora risos,
pois quem sabe amanhã ressaca.
...
O psicológico do ser humano é algo interessante,
vendo assim que a dor eterna da perda comparada com a dor da distância vai além,
mas sem parar pra pensar que essa medíocre distância
possa estar sendo eterna também. -
2009, novembro 01 - A gravura digital "Menino" foi exibida no blog "Partos de Pandora",
ilustrando a poesia "O que é o ser?", de autoria de Violeta Teixeira.
"Sentada. Descalça. Mergulho as pernas, nas levadas
Das regas de morangueiros e de mangueiras,
Cuja terra seca suplica chuva. Subitamente, uma pergunta
Se insinua, dorida, nos corredores escuros, da sua mente,
Olho para as nuvens despenteadas pelo vento, com gestos
Ternos, em busca de uma fuga. Mas a pergunta penetra-me
Nas veias, inunda-me, transborda, quebra os diques
Indefesos da garota. As pernas, essas, navegam nas águas,
Aparentemente, ingénuas, como barcas seguras do rumo
Traçado. Olho, de novo, para o céu cinzento. Desaba-me
Sobre os ombros, pesado, inclemente. Que sei eu do Universo?
Porque me estou na Terra? Quem me deu o Ser? Se me sou?
Tremem-me as pernas. Indefesa, os meus dedos lavram
Lamas, arrancam ervas, mas torturam-me as trevas
Do conhecimento. Por que me estou no ali? Donde vim?
Resposta alguma que me satisfaça! Aprendera, cedo,
Que não havia deus algum. Que, na natureza, nada se criava,
Nada se perdia, mas tudo se transformava. Logo era um bicho
Da terra. Logo, a ela voltaria, como os pássaros que amava,
E nunca destruía os seus ninhos, porque se eternizavam
Nos filhos. Sim! Já havia aprendido, precocemente, é certo,
Mas tudo me fora dito, sem eufemismos, sem um gesto de afecto.
As águas das regas continuam. As pernas? As pernas? Da garota
Rebelde? Permanecem mergulhadas nas águas frias, mesmo no agora
Do escrevo. Anoitece! Agradeço as raízes do legado paterno,
Embora, tenham sido plantadas, no solo inocente da criança, que
Deixou , cedo, de o ser, se alguma vez o foi. Apago o olhar desse
Tempo? Como o fazer? Sempre aceso, como o cigarro que fumo,
O vinho que bebo, para anestesiar o cio, as palavras que teço.
Como amortalhar a madrugada? Embriago-me! Drogo-me.
«Cada um tem o seu ópio». Aperto as pálpebras. Cego-me?"
-
2009, outubro 31 - Minha escultura em resina "Amantes" foi exibida no site
Recanto das letras,
ilustrando a poesia "Tu e eu" de autoria de Helena Luna.
"Todo dia em nós mesmos nos perdemos
em momentos de amor - pura paixão.
é por ele, pelo amor, que nós vivemos,
bate sempre forte, firme, o coração.
Nada há que se compare à emoção.
São instantes, para mim, doces,
supremos.
Todo dia em nós mesmos nos perdemos
em momentos de amor - pura paixão.
Abraçados no meu leito amanhecemos,
corpos juntos, meus seios em tua mão,
como fossem delicados crisantemos
a vibrar em colorida floração.
Todo dia em nós mesmos nos perdemos." -
2009, outubro 20 - Minha pintura acrílica "Homem e natureza" foi exibida no
blog
Nemeton, ilustrando a poesia "Primavera e matéria".
"Rendo-me ao paraíso
De pequenas vontades
E mínimos prazeres
Que enfeitam os dias doces
De primavera.
Tudo se faz demasiadamente
Simples
No acontecer do querer
Que me sustenta.
Sinto-me vivo em cada coisa
Que conquisto e faço
Em lúdico exercício
De físico e concreto
Pensar das coisas
em simbólicos paradoxos."
-
2009, outubro 03 - Minha pintura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog
História &
curiosidades, ilustrando poema de Manoel Bandeira.
"João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no morro da
Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado." -
2009, outubro 02 - Meu entalhe em madeira "Alegoria à vida do 'Lugar sem Nome'"
foi exibido no blog
Inspirar poesias,
ilustrando a poesia "entalhe".
Teu grito ecoa e eu replico a dor. Guardo esse nome que sibilo em sons, prá sempre. E longe é perto e mesmo longe estás aqui em mim. Entalho um rosto em minha pele. Incrusto um nome e intacta, cravo essa memória em Cedro. Um cheiro e um monastério. Silente eu ouço a tua fala ausente. Tátil é o contorno do teu rosto que ainda guardo os traços. Entalho a cena e pigmento em cedro o pó. Em negro tinjo a dor que hora sentes à forja e o fogo com que grafas a inteireza desse teu momento. Na textura da madeira entalho os lábios teus. E os olhos são de apóstolo fiel. Entalho em mim sinais de tua passagem pela terra. E se há uma vida que se apressa em ir, eu paro o tempo e esmago a dor e a morte. Entalho em mim a contrição desse abandono. Arregalados olhos espalho ao vento toda essa iniquidade. Entalho em versos o meu desejo. Traço que em verdade a ti ainda cobiço vivo. Sopro a poeira que a madeira lança. Sopro-te prana clamando à ti, de volta a própria vida. Meu colo é teu abrigo e teu sorriso nesse peito amigo eu sei, as vezes chove. O meu desejo é que mais vida tenhas e ainda tenhas tempo para amar. Se sangram de tuas mãos as chagas, eu sei que é por elas que tu viverás, mesmo que morras qualquer dia desse tempo. Canto essa cantiga de ninar e encanto a noite e deito o dia. Em meus braços teu calvário é meu caminho. Choro a madeira no entalhe do formão. Ainda que tua vida e obra sangrem talhos, empunharei a lança e espantarei as dores. Esse é meu rito por tua vida e aqui eu esfacelo o torrão-morte que te espreita. Em tua defesa evoco a ira. Do punhado do teu medo eu faço morte em pó. E sopro prana e viverás!
-
2009, setembro 16 - Minha gravura digital "A almofada vermelha" foi exibida
no blog Ela nua é
linda", ilustrando diversas poesias. Editor e poeta Luiz Alberto Machado.
ASTROLÁBIO
Tua língua, hábil instrumento...
Usa-a com precisão
Mapeando os astros, presentes na imensidão do céu do meu desejo
Descobre no recôndito do meu corpo galáxias a serem exploradas
Astros que lampejam luz, excitantes faíscam...
P.a.c.i.e.n.t.e.m.e.n.t.e explora...
Entro em um voraz desvario que me consome... E assim...
Todos os novos astros que descobre têm apenas um nome: ‘Prazer’ -
2009, setembro 15 - A poeta Clevane Pessoa escreveu a poesia "Alegoria para Angelina".
"Angel de quatro braçosver a poesia na íntegra 2010, maio 30 - A poeta Clevane Pessoa republicou esta poesia no site da Unión Hispanoamericana de Escritores, em uma coletânea intitulada 'Quando poetizo pinturas de João Werner - alguns poemas meus e obra dele'. As poesias foram criadas a partir de 3 de minhas gravuras, 'Burquinha', 'Parada de ônibus' e 'Angelina se mutila'.
Mina energia entre traços,
Traça grafismos no ar.
Começo da era, Eva primeva,
todo final é recomeço,
ciclos espiralados,
arcos de cores nos céus,
círculos concêntricos na água
onde bate a pedra da lua
ao olhar do arremessador."
-
2009, setembro 06 - Minha pintura à óleo "Sinuca" foi exibida no blog
Página do Perninha, ilustrando
a poesia "Exílio", de Anderson Farias.
"A ruptura
A descostura
A queda dura da muralha
A união
A amargura
A percepção da nossa ditadura
O Exilio
O maurilio
Nego bom que já morreu
A liberdade
O livre arbitrio
Eu tô confuso por soltar um sorriso
A escuridão
O meu conflito
Matava minha fome matando mosquito
O 38
O bar do cuca
miolos meus espalhados na sinuca" -
2009, agosto 29 - A gravura digital "Colhendo laranjas" foi exibida no
Blog da Professora, ilustrando
a poesia "Laranja rosada", de autoria de Luciana Carreiro Fernandes.
"Laranjas são como crianças.
Estão em quase todo o lugar.
Laranjas são lindas.
Redondas.
Cor-de-laranja.
Lembra do sol.
Quente. Que brilha intenso. Radiante.
Como o sorriso e os olhos da criança.
Laranja ativa o humor.
Dá energia.
Trás alegria.
Todo mundo gosta de suco de laranja!
Laranjas são ricas em vitamina C.
Uma vitamina que reforça nosso organismo.
Precisamos dessa vitamina,
Assim como eu preciso de crianças…
Então arranja as laranjas.
Pode chupar ou fazer suco.
Coloca na receita do bolo.
Fazer bom uso para que a criança seja:
Cor-de-laranja rosada.
E não falte nas aulas.
Trazendo alegria e saúde.
Como a laranja me trás."
-
2009, agosto 12 - A pintura digital "Poeta meditando" foi exibida no blog "Partos de Pandora",
ilustrando a poesia "é este o meu ofício", de autoria de Violeta Teixeira.
"é este o meu ofício. O grito. O grito do bicho
Da terra. Do corpo da terra, peregrino, sem fé,
Ao rés do vazio, morto de frio, a espera
De um signo, que frutifique nos espinhos.
Espera ilúcida e única do caminho que ilumine
O silência, súbito, vinho, para a embriaguez
Das palavras da vida e da morte. A brasa rubra
De uma pedra coze-me o pão do poema.
é este o meu ofício. O grito faminto
Do corpo da terra. Do bicho da terra. Grito!
Invoco, com avidez, a voz que tarda a ser voz,
Que tarda a ser tear. Trêmula e indevisa, início
O tecer do tempo voraz, mas este tudo faz
Para abafar a nudez do grito. Pudor absurdo, Porque,
sempre está a escuta o leitor, sabendo,
Sem o dizer que, talvez o grito sufocado
Dê à luz, numa obscura e pura madrugada,
Um cântico ferido, mas tecido de amor,
O mesmo será dizer o lugar branco da morte." -
2009, julho 29 - A pintura à óleo "Mergulho" foi exibida no blog
Noturno citadino, ilustrando
a poesia "Pular de um quinto andar?", de autoria de Giuliano Quase.
"não seja ridículo.
olhe lá embaixo.
quantos metros cê acha que tem daqui lá?
é bem capaz mesmo. é muito pouco, não vê?
desta altura, cara, o máximo que vai te acontecer é quebrar uma perna. ou as duas. pode ser que o femur se esmigalhe uma costela fure o pulmão o joelho salte da parada e fratura exposta aquela sanguerada toda e você lá agonizando eu aqu'incima desesperado pronto morreu...
quem sou eu pra te dizer, cara,
o que pode e o que não pode se só tentando?
mas de ponta cabeça.
assim de coco no chão:
toc
pode que pode ser:
e bau bau."
-
2009, julho 28 - Minha pintura digital "Amantes IV" foi exibida no blog
Arco da velha, ilustrando
a poesia "Poesia".
"Teus brincos de coral
Teus olhos de luz
Nuvem via jeira
Pálpebra turquesa
Embriaguei na flor
Cheirando (a)mar
Em tuas pernas
Ressuscitei." -
2009, julho 19 - Minha pintura digital "Poeta meditando" foi exibida no blog
A poesia
de Gilberto Maha, ilustrando a poesia "Constatação".
Pensei até em me mudar
Pensei até renunciar
Pensei até esconder segredo
Pensei em não continuar
Pensei até não mais amar
Pensei porque eu tive medo
Medo do ciúme atroz
Medo do que pensariam de nós
Medo do contra feito
Medo da minha própria voz
Medo do que viria após
Medo de não estar sujeito
Sujeito estar ao revés
Sujeito contra as marés
Sujeito da perseverança
Sujeito do calado ao convés
Sujeito da cabeça aos pés
Sujeito de homem à criança
Criança de abandono infindo
Criança acordado e dormindo
Criança ao próprio abandono
Criança a tudo resistindo
Criança do homem sumindo
Criança de um homem sem dono
Dono da mentira e da verdade
Dono da falta de caridade
Dono das injúrias enfim
Dono da pobreza e da prosperidade
Dono do bem e da maldade
Dono do que não existe em mim
-
2009, junho 07 - A pintura digital "Cristal" foi exibida no blog "Noturno citadino", ilustrando o poema "valor e cultura", de Giuliano.
"O copo de cristal por si não é belo.
Pode ser um objeto.
Talvez sua beleza esteja na moldura do contexto." -
2009, maio 31 - A pintura digital "Colhendo laranjas" foi exibida no blog "Intertextualidades.'Estou vivo e escrevo
sol'", ilustrando a poesia "Laranjas de maio", de Luís Filipe
Pereira.
"Amanhã
Quando vier o vento
Deslizar na ave de água
Adstrita à madrugada
Seguirei o som das laranjas
Sob o sol macio de maio
Amanhã
Quando cair a janela
Como folha desfeita
Na foz dos dedos
Encontrarei nas ervas
Uma jangada de verdura
Afagando-me os joelhos
Ficarei com os fios dos jardins
Amá-los-ei no poema com os periféricos
Pulmões dos nomes
Dóceis de árvores
Amanhã
Entre os gomos do mar
Cerca dos corais das laranjas lentas
E os polegares
Que inclinados no ígneo vento da voz
Irão percutir
Pingo a pingo
O bando de águas
Que virá beber
Nas cascas vazias
Dos meus bolsos"
-
2009, maio 01 - A pintura à óleo 'Jovem anarquista' foi exibida no blog
Que mundo
doido, ilustrando a poesia 'Anarquista (?!)', de autoria de Sidney Crivelari.
Fragmento:
Rebelde,
Radical,
Excomungado,
Anarquista
Se lutar pela justiça,
Contra o abuso do poder comprado,
Este poder infame,
Retalhado de mentiras.
Se lutar pelos nossos direitos
É ser anarquista,
Então Mamãe,
Seu filho é um anarquista (?!)' -
2009, maio 01 - A pintura à óleo "Sinuca" foi exibida no blog
Bar do Bardo, ilustrando três poemas, "Três
cenários suburbanos", de autoria de Henrique Pimenta.
"Bolero misturado com samba
"O cara vai à zona de pijama.
A linda se apaixona pelo cara.
Os dois, pois, se aconchegam numa cama
e, após, pois, se chamegam numa tara
de gosto duvidoso. O par se gama,
repete o ritual, ele não para,
deseja que deseja e faz a fama.
é a lenda da menina que dispara
da vida de puteiro suburbano,
sem máculas, no amor purificado,
por Nossa Senhorinha da Assunção.
é a lenda do senhor que é ser humano,
que acolhe sua escolha sem passado,
nas bocas da Favela Coração."
-
2009, abril 28 - Minha pintura digital "Lâmina" foi exibida no blog sobreventos, ilustrando a poesia "lâmina".
Lâmina"A espada do ‘guerreiro branco’ corta o vento insistente. Do encontro, a lâmina se gasta e o vento muda de direção. Estarão certos?" - 2009, abril 15 - A pintura à óleo "ícaro" foi exibida no blog O silêncio dos versos, ilustrando o poema "La cena", de Manuel Díaz Martinez, postado por Lilina Jasmin.
-
2009, abril 13 - Minha pintura acrílica "Menina catando feijão" foi exibida
no blog
Os deslimites
da palavra, ilustrando a poesia "Catar feijão" de João Cabral de Mello
Neto.
"Catar feijão se limita com escrever:
jogam-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na da folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.
Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebra dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a com risco." -
2009, março 26 - A pintura acrílica "Semeador" foi exibida no blog
Tatuagem, ilustrando o poema "Ao meio dia, inteira" da poeta Carmen Fossari.
"O outono espiou sobre teu ombro esquerdo
E os sol já mais ameno
Tentou adentrar em raios na casa casca do caracol,
Dentre todos, o único que atingira estar
Ao topo do muro, entre o portão
E a parede alta
Aos outros, no muro aos musgos ressecados,
Trouxera o vendaval de chuva a umidade
E entre o lamaçal e a poça d´água a procissão de lesmas
Nem tão lerdas, nem tão certas
Caracoleando ao muro um mostruário
De incrustados estarem,nada mais vivaz
Que ali estarem ( antenas recolhidas).
Apenas ao topo no sol inesperado
Era de incomodo, a deixar a casa toda transparente
Do caracol ao cachecol em teu pescoço
Avisto ao ombro esquerdo o filete de sol
Ensolarado, meio zonzo sem saber onde adentrar
Se na casa sob o muro em caracol,
Se ao cachecol macio em seda que te envolve
Ao dilema do sol , sorrio eu
Pouso meu estar
não em muros
Se de pedras ou de ventos
Nem de caracóis em procissões
Nem ao filete do sol
Ensolarando este jardim
Que entre o muro e o jardim
Colhem meus olhos tu
Que do amor plantas
Os mistérios ,docemente
Como a portão aberto para a vida."
-
2009, março 14 - A pintura à óleo "Carregadores" foi exibida no blog "Poética e cotidiana", ilustrando
poema de Bertold Brecht, "Perguntas de um operário letrado". Fragmento:
"Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Sò tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sózinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?
Em cada página uma vitòria.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?
Tantas histórias
Quantas perguntas." -
2009, março 11 - Foi exibida no blog
Ciranda do esquecimento,
ilustrando o poema "Licantropia", da poeta Laurene Veras.
"Rasga
a pele
que te engasga
Sibila
e troca de casca
Arrebenta pontos
abre cicatrizes
Puxa os fios soltos
arde em magentas
rejeita os matizes
Sê fera
medra no inadiável
e mira
o espelho inquebrantável
de ti."
-
2009, março 09 - A pintura acrílica "Espaço interior" foi exibida no blog
Lendo poemas, ilustrando o poema "Espaço lírico" do poeta Cassiano Ricardo,
editada/postada por Jefferson Bessa.Não amo o espaço que o meu corpo ocupa
Num jardim público, num estribo de bonde.
Mas o espaço que mora em mim, luz interior.
Um espaço que é meu como uma flor
Que me nasceu por dentro, entre paredes.
Nutrido à custa de secretas sedes.
Que é a forma? Não o simples adorno.
Não o corpo habitando o espaço, mas o espaço
Dentro do meu perfil, do meu contorno.
Que haja em mim um chão vivo em cada passo
(mesmo nas horas mais obscuras) para
Que eu possa amar a todas as criaturas.
Morte: retorno ao incriado. Espaço:
Virgindade do tempo em campo verde. -
2009, março 06 - A pintura acrílica 'Lavadeiras' foi exibida no blog
Blog da Laura, ilustrando poema
de Pedro Bloch. Postado por Laura Peixoto.
"Nossa jaula
somos nós mesmos,
que vivemos
polindo as grades
em vez
de libertar-nos."
-
2009, março - A escultura "Monumento ao trabalhador rural" foi homenageada em poema por Freddy Diblu, através da poesia "Um causo campesinho". Fragmento:
Monumento ao trabalhador rural
"Quer Zé Negrim ave-marias(ver a íntegra da poesia)
Um alvorecer todo de pipiras
Retrato dele à vela de sete dias
A meninada de olhar assuntado
Violas dedilhadas no trato caipiras" -
2009, fevereiro 07 - Foi exibida no blog
Longitudes, ilustrando o poema "Dê corda", da poeta Nydia Bonetti.
"Dê muita corda
Deixe seu sonho voar
Ele tem pressa
Ele não pode esperar
Morre de esperar demais."
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2009, fevereiro 02 - Minha pintura digital "Passista" foi exibida no blog
Em busca do phino, ilustrando a poesia "Pedido de demissão (alô bateria)".
A morena
enlouqueceu a
bateria, e a cadência
foi ficando para trás -
2009, janeiro 29 - Minha pintura digital "Casal III" foi exibida no blog
Confraria
alternativa, ilustrando a poesia "Broken hearts".
"Sem mais nem menos a vida ficou amarga, tudo era motivo de briga.......
ninguém mais se entendia......
O desejo perdeu lugar para a certeza do fim......
O drama começa......
O elo se rompeu.....O amor virou ódio.....
Os amantes tornaram-se meros conhecidos..... Cada um segue seu destino em busca de novas "aventuras"....
Alivio....Dor....Esperança......
Os sentimentos se confundem.....
O tempo da nova busca se aproxima !!!!"
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2009, janeiro 02 - A pintura à óleo 'Anjo caído' foi exibida no blog
Clevane_em_Pessoa, ilustrando o poema 'Anjo
caído' de autoria de Clevane Pessoa, em diálogo criativo. Fragmento:
'abrir a boca de espanto,
cair das própria altura, em pleno vôo de reconhecimento,
e sentar-se desanimado, cansado de lutar
por uma humanidade falida e inconstante...'
2009, janeiro 03 - A pintura e o poema foram republicados no blog Mhário Lincoln do Brasil.
Gravuras e pinturas ilustrando poesias em 2008
-
2008, dezembro 23 - Minha pintura digital "Poeta meditando" foi exibida no
blog Fragmentos da
alma, ilustrando a poesia "O poeta".
"Um poeta deve ter dor
E dor onde ninguém saiba.
E deve sentir todas as dores e todos os amores que há no mundo.
Deve ter a escuridão, e deixar explodir todas as estrelas. Deve fazer nascer luz.
Deve entender de partos.
Um poeta tem que conhecer perfumes e odores.
Deve descrever sobre a Dolores e amar as suas dores.
Um poeta tem que ser forte e ardente.
Frágil e quente.
Um poeta tem que agir com a verdade, mesmo que para isso, use o fingimento.
Deve ser nobre como a beleza e plebeu como a tristeza.
Tem que usar das lágrimas para mostrar a alma.
E usar do sorriso para mostrar o destino.
Um poeta tem que salvar vidas, através da sua elegia ou da sua pornografia.
Tem que adorar o nada e o tudo.
Deve ser o próprio silêncio e ter em si todas as palavras.
Um poeta deve cortar os pulsos com flores e sobreviver com pedras.
Tem que andar no ritmo das correntezas dos rios e se escaldar nas areias como as ondas.
Deve saber observar o belo e entender o torpe.
Um poeta deve ver além do verde e do azul, tem que ver o cinza que há por trás de tudo.
Deve enxergar com as mãos e o coração e sentir com os olhos e abraçar com a alma.
Um poeta deve ter em si a eternidade e jamais ostentá-la.
Deve acariciar e bater com as suas palavras.
E deve ferir com o seu silêncio.
Um poeta deve saber chorar compulsivamente ao ver o sonho do outro quebrado, e gritar silenciosamente quando o seu sonho for derrubado.
Tem que transbordar os olhos de lágrimas, todos os dias, ao ler um poema, e alegrar-se profundamente ao nascer de qualquer semente.
Um poeta deve ferir-se com a insensibilidade e vangloriar-se com as raridades sensíveis.
Deve sentir os antepassados nos bosques e praças, e respeitar os seus espíritos.
Um poeta deve ver o sol nascer e nesse momento matar sua soberba.
Deve ver o sol se pôr e aguar o orgulho de si mesmo.
Um poeta tem que olhar nos olhos. Olhar simplesmente nos olhos; nem mais para baixo, nem mais para cima.
Deve proteger os apaixonados, mesmo aqueles enganados.
Um poeta tem que admirar os rituais e jamais julgá-lo.
Não precisa dançar o compasso da vida, mas deve entendê-lo.
Um poeta tem que saber que, as crianças e os velhos sabem mais que as suas rimas.
Deve gargalhar dos ecos.
Esbravejar das injustiças.
Um poeta tem que ser divinamente humano.
Compreender o divino, sentindo o humano.
Um poeta deve saber que não sabe. E ter consciência que entende.
Deve ser louco para que os deuses o proteja.
E deve ser lúcido para que o Deus o respeite.
Deve ter brilho no olhar e uma cor opaca nos lábios.
Dedos das mãos alongados e pés firmes.
E o poeta deve esquecer todas essas regras e ser simplesmente poeta." - 2008, dezembro 06 - A pintura mista "Lavadeiras" foi exibida no blog Lavando calcinhas, ilustrando o post "Lavadeiras", poema de Anabel Andrés. Postado por Lia.
-
2008, dezembro 04 - Foi exibida no blog
Cativa do Deserto, ilustrando o poema "Conversa
póstuma", de autoria de Miguel do Rosário. Publicados por Camilla Lopes. Fragmento:
"de que adianta morrer
se deixas teu cheiro
e contas não pagas
em hotéis baratos
da praça tiradentes?" [...] -
2008, dezembro 03 - Minha pintura digital "Trio de amantes" foi exibida no
blog Decaminho
rebolo, ilustrando poesia de Shakeaspeare.
Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.
-
2008, novembro 26 - Minha pintura acrílica da década de ‘80 "Homem pássaro"
foi exibida no blog Zingador, ilustrando a poesia "Amor".
"Ah esse amor em meu peito
Me consome, me gasta, me revigora
Sinto que levito, estremeço
Subo, subo e as vezes não há como descer,
Apenas deslizar
Nesse caminho, não me findo, não me vou e vou
Estou emanando, rindo, gracejando
O amor me deixa como sou
Leve, fácil de entender
Inteirado, mexo em tudo
Não tiro nada do lugar
O amor me prende
Relaxa-me e me deixa sem ar e depois me oxigena
Noutros momentos de solidão
O amor me transmite o pensar e adianta o sonhar
Esquecer, juntar outros sentimentos
Me encharco, me encho
Transbordo palavras,
Derramo lágrimas
Esvazio, gozo.
O amor me enaltece, lança-me por aí
E aqui estou, por onde for." -
2008, novembro 21 - Foi exibida no blog
Viva a poesia, ilustrando
o poema "Epitáfio para la tumba de um poeta", de José Hierro, editada pelo
poeta e professor Sílvio Persivo.
"Toquei a criação com a minha testa.
Senti a criação com a minha alma.
As ondas me chamaram para o fundo.
E logo as águas se fecharam."
-
2008, novembro 21 - Minha pintura acrílica "Favela" foi exibida no blog
Verdade
é, se lhe parece, ilustrando a poesia "Na terra do sabiá", de Pégasus.
"Na terra onde canta o Sabiá
Não tem sanhaço que resista, nem pinta-roxo
Que permaneça na esperança de viver em segurança.
Tem pardal chorando mendicância,
Assum preto discriminado...
Mas a gente vai levando, dando jeito aqui e acolá,
Na boa terra onde canta o Sabiá.
Por mais terra que percorra não encontro gente como lá!
Mas não tem joão-de-barro com moradia,
Nem ninhaço de tuiuiu, vira-bosta não aposta
Que pasto busque o que há,
Na boa terra onde canta o Sabiá...
A asa branca já se despediu de lá,
Com fome e na miséria...
Fugi com as andorinhas para o norte frio,
Mas bem-te-vi vai ficando, esperando
Com toda a fama e lama!
Sabiá, vai levando." -
2008, novembro 18 - Foi exibida no blog
Coluna Cultural Telescópio, do poeta
e editor Every Carrara, ilustrando o poema "Verbo de Ligação" de Neida Rocha:
"A vida é vaga.
A morte é certa.
O Sol é seu.
O medo é meu.
O ninho é nosso.
A noite é longa.
A morte é certa.
A vida é breve."
- 2008, novembro 18 - Foi exibida no Blog do Mikael, ilustrando o poema "Os acrobatas" de Vinícius de Moraes.
-
2008, outubro 28 - Minha pintura digital "Poeta meditando" foi exibida no blog
Leituras, ilustrando
a poesia "O poeta".
O poeta escreve, debruçado, esquecido, alienado,
Inventa novos mundos, irreais, irracionais,
Escreve sobre sonhos, seres que habitam nas suas ilusões, mundos de emoções
Poeta sonhador.
O poeta escreve, olhando em volta, atento, revoltado,
Retrata realidades, seres que sofrem dificuldades,
Escreve sobre pobreza, racismo, fome, trabalho
Poeta relator.
O poeta escreve, sorridente, apaixonado, emocionado,
Descreve alegrias mundanas, cores, pessoas, flores, sabores,
Escreve sobre vida, nascimento, esperança, tolerância
Poeta optimista.
O poeta escreve, embriagado, coração apertado, desamor,
Conta-nos a profundidade da dor, amargura, noite interior,
Escreve sobre a morte, o frio, desesperado e só
Poeta triste.
O poeta escreve concentrado, brincando, ouvindo a música das palavras,
Rima animado, produzindo ecos e sons,
Escreve sobre tudo, sobretudo para rimar
Poeta cantor.
O poeta escreve enamorado, outras vezes desiludido,
Conta-nos paixões, encontros, amores, também desencontros,
Escreve sobre amor etéreo ou carnal, platónico ou real
Poeta amante.
O poeta pega nas palavras, uma a uma,
E constrói sonhos, verdades, alegrias, tristezas, ritmos ou paixões…
As palavras pegam no poeta, com cuidado,
Misturam-se no seu interior, saem palpitantes,
Fazem-se necessidade do poeta em se expressar, em comunicar.
Já tudo foi dito, as palavras vagueiam bem por cima de nós,
Nebulosas memórias da verdade ou luminosos espectros da vontade.
Já tudo foi dito.
Por isso o poeta pega nas palavras e diz tudo de novo, de outras formas…
As palavras pegam no poeta para que as relance e ninguém esqueça.
-
2008, outubro 27 - Minha pintura digital "Fada verde" foi exibida no blog
A fada verde, ilustrando a poesia "Depois".
Essa é rapida
esta é atoa
esta é minha
sem correção, tentando escrever
escrever, trabalhar, atrapalhar, viver
Depois da TV venho aqui denovo
trabalhar, atrapalhar
Depois de TeVer caio em mim denovo
trapacear, arrecadar
E quando acho que estou chegando lá...
Tenho mais umas 8 quadras pra andar. -
2008, outubro 21 - Foi exibida no blog
Recanto das Letras,
ilustrando o poema "Camarim", de autoria da poetisa Miriam Dutra:
"Encantam-me luzes
e neons futuristas
de um camarim.
Colo na face a máscara rosada,
arte do make-up-folhetim.
Desastre....
Nenhuma fantasia ficou bem em mim...."
-
2008. outubro 10 - Foi exibida no blog
Versos e Perversos, ilustrando o
poema "Cremado", de Luciano Fraga.
"Do alto da minha soberbia
sou cinzas
sem jardins,
sem mares ou ventos,
sozinho,
rio de mim sem rodeios
em meus pensamentos,
assim
como poderei me espalhar?" - 2008, setembro 26 - A pintura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog Bar do Escritor, do poeta e editor Giovani Iemini
-
2008, setembro 17 - Minha pintura digital "Homem na sarjeta" foi exibida no
blog Overmundo, ilustrando
a poesia "Pela sarjeta", de Fátima Venutti. Republicado em 2008, agosto 14
no blog "Último beijo".
"Larga vala
Espelha
(sem dó)
A esfinge do ser
À prova
Macula sombras
(bestas disfarçadas)
Dissolve o tempo
Em débeis sementes
Desprende
A alma da esfera
E recria
Discursos vogais
Velhas palavras
Dúbios sentidos
De olhares inchados
De corpos retidos
E falas infamadas
Ao revés
Do meio fio
Uma sombra convence
O amanhecer
Póstumas lembranças
Relíquias escondidas
Embarcam nas bocas-de-lobo
Despedaçam
desaparecem
Ficam os olhares
Perseguindo vazios
Na mente das serpentes
(piscam rubis)
Larga vala
Pensão da escória
Luxúria da derme
Que acolhe e recolhe
Podres vômitos sociais." -
2008, setembro 16 - Minha escultura em cimento "Amantes" foi exibida no blog
Poesia para poucos, ilustrando a poesia "Representação do amor na idade da pedra
esculpida".
Lasco pedra
e parto ao meio
o cio que veio
e agora espera
do amor o casco.
Tasco pedra
no vazio do prato
e dou a comida
mais cabo que rabo
lambendo os cascos.
Masco os fumos
das fêmeas
na língua do frêmito
que evapora no calor
das horas gozosas.
No cume do molde
me vejo em névoa
na ponta da pedra:
escultura ou só barro
quente em orgasmo?
Findo e fundo o afã,
não há respostas
por quê acamados
da fúria até a calma
amantes, cio e pele.
-
2008, setembro 14 - Minha pintura à óleo 'Amantes' foi exibida no site 'Overmundo', ilustrando a poesia 'Credo',
de autoria de Saavedra Valentim.
'Acreditei em seu amor
Feri-me profundamente.
A lâmina de sua traição
Perfurou órgão vital da minha morte!
Fratura exposta de um coração dilacerado,
Peito aberto, alma fechada.
Encarcerado, ainda,
Talvez sempre o seja,
Sentença de um tribunal tendencioso,
Que o vitimado condena!
Mortalmente ferido,
Amor ainda exala,
Esse coração desavergonhado,
Mesmo esnobado, pisoteado.
Mar de lágrimas rubras
Manchou minh’alma límpida,
Jorrou-me fervente na face,
Abriu ferida, dor imensa.
Restou profunda cicatriz,
Certificado de desilusões vividas,
Vida mortificada em vida.
Abduzida a outros sonhos,
A outros amores, desamores.
Rosa escarlate, pétalas macias,
Cujo néctar oferece barato
A qualquer zangão, sedento.
Doçura outrora,
Fel agora,
Veneno amanhã!
Tento livrar-me das amarras,
Mas suas garras cravam-me,
Como uma águia voraz,
E conduz-me ao alto,
Ao etéreo, ao divino,
Em seu ninho dividido.
Sem piedade conduz-me
Ao espaço sem destino.
Resgata-me do passado,
Aprisiona-me no eterno,
Tortura-me no presente.
Com futuro incerto,
Com uma única certeza:
Eu, simples mortal,
A mendigar uma gota desse néctar,
Que provoca delícias aos "Deuses",
Em troca, oferendas de puro ouro,
Contraste ao meu pobre amor pobre,
Com certeza, opaco aos seus olhos,
Visto ser metal barato, que não reluz.' -
2008, setembro 04 - Foi exibida no blog
HF diante do espelho, ilustrando
o poema "Cascata", da poetisa Hercília Fernandes.
'Há um travo na garganta
e um travão nos olhos.
Um metro de lâmina
e uma granula de ópio.
Há uma palavra não-dita
e um silêncio gritante.
Uma ponte escondida
e um chinelo azul verdejante.
Há uma roda viva
e um mar morto
Uma verdade esculpida
e um cavalo solto.
Há coisas para serem ditas
umas - outras – melhoradas...
Uma lágrima fingida
um riacho cheio d'alma:
sebo
nervo
alheio
em cascata.'
-
2008, setembro 03 - Foi exibida no blog "Transversal do tempo", da
poetisa Renata Maria, ilustrando o poema "Ficção":
"Tentei ser triste num país sem nome.
Voltei de lá sem saber o que é saudade.
Fui para minha terra onde sorri é invenção.
E o poeta de lá sou eu sim, senhor." - 2008, agosto 31 - Foram exibidos o poema e a pintura no blog Enfim! é o que tem pra hoje, do filósofo e editor Paulo Braccini.
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2008, julho 22 - Exibida no blog
Tatuagem, da poeta Carmen
Fossari, onde ilustrou a poesia "Ilha feminina". Fragmento:
"O mundo feminino
Abre-se de úteros
Como as folhas em pétalas
Que amanhecem
Jardins, mundos, infâncias, flores
O universo adulto do corpo amoroso
Comportando outro corpo
Da luz lasciva de todos os tatos
Os sentidos, a intuição
O homem barro macerado
Que habita seu mundo
De dança e música
O feminino,nossa identidade
carregamos na hitória
Tantas estórias de dores
Que um ser, por qualidade
De gênero amalgamou
Nas paredes do mundo
Nãos imperativos,
Revelações semanticas
do femina
A fome
A dor
A pobreza
A miséria
A intolerância
A guerra
Mas o tecido involucrável
Descobrindo em nudez
A palavra mulher
Tece em desejos
A paz
A alegria
A fartura
A riqueza
A tolerância
A criação
Aos mapas ortográficos
As veias onde pulsam
O ser feminino, Mulher
O masculino ser, Homem
Indicam a geografia
De país algum
Que não o construído
De ventos e sonhos
De vísceras e suores
De esperanças e lágrimas
Ao fogo que acende
As almas, quando anoitece
O corpo abrirá seus braços
Aos abraços
Femininamente amorosos
Ao masculino homem
Tão frágil quanto a fragilidade
que enunciou da mulher
pelos confins dos tempos." -
2008, julho 17 - Foi exibida no blog
Achamarte, da poetisa e editora Clevane Pessoa de Araújo, ilustrando o poema "Burquinha":
"Bom o tempo-que-rola
nas bolinhas-de mundo-miniatura.
Cada bola-de-gude parece uma planeta,
uma beleza de olhar.
Longe uma voz chama:
-"Menino, venha já para casa"...
O susto aponta o tempo-que passou
num instante, como-é-que-pode?
Meninos debandam.
Uns, transidos de medo, sabem que vão apanhar.
Mas amanhã...ah, o mundo encantado
recomeça..."
2010, maio 30 - A poeta Clevane Pessoa republicou esta poesia no site da Unión Hispanoamericana de Escritores, em uma coletânea intitulada 'Quando poetizo pinturas de João Werner - alguns poemas meus e obra dele'. As poesias foram criadas a partir de 3 de minhas gravuras, 'Burquinha', 'Parada de ônibus' e 'Angelina se mutila'.
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2008, julho 17 - Foi exibida no blog
Achamarte, da poetisa e editora Clevane Pessoa de Araújo, ilustrando o poema "Parada
de ônibus":
"A idade se repete nas filas
dos ônibus.
A ansiedade, a agonia, o medo do atraso,
a vontade de chegar em casa,
a necessidade de fugir,
o passeio esperado,
o desejo de abraçar os bem-amados,
tudo é somado, pedaços de conversa,
celulares e retalhos de assuntos,
expostos quais frutas em banca de feira.
nenhum pudor em xingar, reclamar, se desculpar:
cada um tem sua musiquinha, uns jogam ,
outras consultam recados...
E o tempo urge, ruge,, a turma/turba reage,
um coletivo passou sem parar.
"é porque não pago mais passagem", treme o idoso
ao desabafar.
Alguém tem cólicas, uma das mulheres se encolhe,
cai ao chão e começa a dar à luz.
Um trombadinha aproveita a confusão
e bate a carteira de alguém.
Fulaninho nasce ali mesmo:
um dia ele também estará numa fila, esperando
ônibus.
Na parada em movimento.
O dia quer dormir, a noite começa a esperar
também...
E com ela, os trabalhadors da noite, os boêmios e os
insones
a esperar outros ônibus..."
2010, maio 30 - A poeta Clevane Pessoa republicou esta poesia no site da Unión Hispanoamericana de Escritores, em uma coletânea intitulada 'Quando poetizo pinturas de João Werner - alguns poemas meus e obra dele'. As poesias foram criadas a partir de 3 de minhas gravuras, 'Burquinha', 'Parada de ônibus' e 'Angelina se mutila'. -
2008, julho 09 - A pintura digital "Salto" ilustrou o blog
ULTIMAGOTAD,
texto da artista radassi. Fragmento:
"Tudo mesmo tem um por que?
Tudo pode acontecer?
As coisas acontecem por acaso?
Ou porque está escrito?
E o descaso vem ao acaso?
Enfrentar vale mesmo apena?
Saber o que vai acontecer é bom?
Ou não saber e ´´seja o que Deus quizer´´é melhor?
Aventura ou desventura?
Apropiar ou aprovar?
Criticar é ajudar?
E se agravar a situação?
Ausencia ou presença?
E o tempo?
RESPONDE?"
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2008, junho 16 - Minha pintura digital "Lâmina" foi exibida no blog
Nada agradável,
ilustrando a poesia "Lâmina querida".
"Levante-se é hora
Precisamos achar um lugar melhor pra nos esconder
Decida-se
Eu preciso saber eu preciso saber hoje a noite
doce e divina
minha navalha
doce e divina
lâmina brilhante
Paciência minha querida
Podemos passar a vida toda esperando aqui
Talvez dessa vez
Eu espero ter chance de dizer adeus
Dia após dia
cortando
Dia após dia
Mas de qualquer jeito
doce e divina
minha navalha
doce e divina
lâmina brilhante
Paciência minha querida
Podemos passar a vida toda esperando aqui
Talvez dessa vez
Eu espero ter chance de dizer adeus
doce e divina
lâmina brilhante...
Eu particulamente acho uma coisa ridicula...
Mas estou em fase........." -
2008, junho 01 - Imagem publicada na Revista Eletrônica
Conexão Maringá, ilustrando o poema "Modo de amar" da poetisa Astrid Cabral.
Trecho do poema:
"Amor com tremor de terra
abalando montanhas e minérios
nas entranhas da minha carne.
Amor como relâmpago e sóis
inaugurando auroras
ou ateando faíscas e incêndios
nas trevas da minha noite.
Amor como açudes sangrando
ou caudais e tempestades
despencando dilúvios.
E não me falem de ruínas
nem de cinzas, nem de lama. "
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2008, junho 01 - Imagem publicada na Revista Eletrônica
Conexão Maringá, ilustrando o poema "Redentoras", do poeta Erorci Santana.
Trecho do poema:
"Sejam as mulheres como as rosas
ou como as aquarelas,
quando estão conosco, quando não,
quando vibram, quando alegram,
quando doem, quando vêm e quando vão,
quando sobem as ladeiras,
quando descem passarelas.
Tragam com elas os incorruptíveis
sinais da beleza, ainda que se saiba
impossível sua erupção
fora da alma feminina, do corpo da mulher,
esse vulcão que trabalha nosso desatino,
faz a nossa inelutável rendição.
Ainda que se pense em mar, em céu,
no incrível arco multicor, no ar
que impregna a flora e balança
os frutos verdes após a chuva.
E até no rodopio do ciclone,
que louva Deus bailando
sua aterradora e tresloucada dança,
nas noites austrais, nas auroras boreais,
numa explosão de luzes no setentrião.
Nada disso ou tudo isso sequer
supera uma lembrança de mulher.
Fora de seu riso e de seu colo,
não há razão de ser, nem como florescer
a magia, a poesia, o êxtase, a canção.
Chame-se então deslumbramento
a essa compulsória devoção.
E nesse diapasão lírico,
celebro as que se foram,
cuja ausência confrange o coração,
as que esperam e acenam da janela, aquelas
que virão mitigar a dor de existir,
reinventar a fúria sagrada do amor.
As que passam majestáticas
e a gente acompanha com o olhar refém.
Aquelas que apesar de entusiasmo e de desvelo
só nos dão o seu desdém.
As que não são vilãs, nem heroínas,
nem escravas, nem rainhas, nem fundamentais;
algo mais que a sina feminina
ou a maioridade que a elas se negou.
Não se diga “é bela esta mulher”
porém bonita sua própria condição.
Surpreendam sempre como o plenilúnio,
o arco-íris, o solstício de verão,
Não falte nesse comovido poema
uma voz aveludada, uma mecha de cabelo,
os opulentos seios das hollywoodianas,
as pernas de garça das nordestinas,
a imensa tristeza das chinesas de pés pequenos.
Dê-se às mulheres o leme do mundo, deixem-nas
recuperar o sentido perdido da ternura,
apontar um outro rumo, à margem
da brutalidade, da carnificina masculina,
uma trégua para repensar se vale a pena
parir e amamentar mísseis e canhões.
Dê-se a elas o sonho do homem e grande
e do menino; dê-se às mulheres-mães o direito
de intervir no conselho de guerra das nações,
o direito de escolha além da irracionalidade viril
e da imbecil mutilação dos homens tolos.
Que além de toda dor e corrupção
cinja-se o corpo da mulher
ao corpo do poema, e de ambos
não se aparte a beleza suprema.
Vão é vosso esmero, estilistas da confecção!
Esse corpo de mulher, divino e magistral,
só precisa de raio solar, folha de parreira.
Mas dê-se a elas bons frascos de perfume,
batons variegados, provocantes lingeries,
vestidos de organdi.
Dê-se a elas inclusive a ilusão
de que precisam de séquito, vestais,
de algo mais que a generosidade
de suas curvas, que a seda de suas peles.
Deixem-nas pensar que podem superar
a grandeza de sua própria criação.
Sejam bem amadas as amantes,
orquestrados com cuidado seus suspiros
inebriados, os frágeis cristais e os apelos
de sua carne insaciada.
Sejam os rompantes das mal amadas
amparados com carícias em dosséis
e o fogo que elas trazem represado
arda nos flancos, ao galope dos corcéis.
Sejam como as rosas abertas,
cintilantes, despudoradas, acesas
ou como aquelas fechadas,
grávidas de promessas e belezas.
Sejam gráceis, redentoras.
Sejam salvação." -
2008, maio 18 - Minha pintura digital "Violeiro" foi exibida no
Blog
do escritor, ilustrando a poesia "Menino violeiro" de Jairo de Lima Alves.
"Vi uma coisa bonita que alegrou meu coração:
um menino violeiro num canal de televisão...
Thiago Henrique tocava movido de emoção,
a platéia toda aplaudia num gesto de gratidão.
Com sete anos apenas dedilhando uma viola,
em “ sonho de violeiro” que apareceu agora;
o menino vai tocando e a cada dia melhora...
é um dom de Deus, sem precisar de escola.
A viola vai tinindo, ele mostra o seu valor...
o sorriso de criança desabrocha com amor;
na alma a simplicidade que veio do interior,
“isso é coisa de Deus”, como disse o locutor.
O menino da viola merece o nosso carinho,
ele é um grande prodígio, tocando o seu pinho.
Faz proezas nas dez cordas, com o papaizinho...
o menino violeiro vai seguindo o seu caminho."
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2008, abril 27 - Minha pintura acrílica "Argudão" foi exibida no blog Moçambicanto, ilustrando a poesia "Gente a trouxe-mouxe".
"Argudão""Gente à trouxe-mouxe da má sorte
calcorreia a pátria asilando-se onde
não cheira a bafo
de bazucadas.
Gente que gastronomiza
desapetitosos bifes de cascas
guisados de raízes ao natural
e sobremesas de capim seco.
Gente dessedentando martírios
nos charcos se chover.
...
ou a pé descalço dançando.
A castiça folia.
Das minas." -
2008, abril 11 - Minha pintura à óleo "Boteco" foi exibida no blog "Orgasmaravalha-me", ilustrando
a poesia "bom dia, tristeza".
"bom dia, tristeza!
que tarde, tristeza!
você veio hoje me ver.
já estava ficando até meio triste
de estar tanto tempo longe de você.
se chegue, tristeza!
se sente comigo
aqui nessa mesa de bar,
beba do meu copo,
me dê o seu ombro
que é pra eu chorar:
chorar de tristeza,
tristeza de amar."
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2008, março 31 - Poeta: Manuel Bocage, Poema: "Epitáfio para um sátiro", Blog:
Pirulin lulin lulin, postado por Laurene
Veras
"Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi-gratia — o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:
Não quero funeral comunidade,
Que engrole "sub-venites" em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:
Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:
"Aqui dorme Bocage, o putanheiro;
Passou vida folgada, e milagrosa;
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro". -
2008, março - Foi exibida na Revista Eletrônica
Conexão Maringá, ilustrando poema "Recusa poética", do poeta: Ricardo Mainieri.
"A poesia foi recusada
quando buscava emprego.
Simplesmente queria mostrar-se
aos olhos sensíveis
sem remuneração nem aplausos.
Precisava ela adereços
escrita automática
provocar o estranhamento
nas entranhas dos leitores?
Ser pós, neo-barroca, intertextual?
Não poderia ser simples
refletir a sina diária
na voz do homem sufocado
pela cidade & suas seqüelas.
Não há vagas dizia Gullar
apenas feiticeiros da linguagem
e suas pirotecnias..."
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2008, fevereiro 27 - Foi exibido no site Recanto das letras, ilustrando o poema "Forró
na fazenda", da poetisa Sônia Maria Cidreira de Farias. Fragmento:
"O forró lá na fazenda
vai até as altas horas
Invadindo a moenda
Sacudindo as senhoras!
Até o galo vem dançar
co'a galinha carijó
Esta a cacarejar...
dá um nó em seu gogó!
A égua e o cavalo
gostam de se esfregar
E no meio do embalo
já começam a namorar!
....
Se você quer ser feliz
seja simples por favor
Ouve a vida que lhe diz...
"Só cultive o amor"!" -
2008, fevereiro 20 - Minha pintura digital "Lavadeira" foi exibida no blog
Cultura livre, ilustrando
a poesia "Mãe lavadeira", de Mírian Warttusch.
"Fechei os olhos, ouvindo o som do bate…bate…
E enquanto eu ainda dormia, tão quentinho,
Minha mãe já há horas enfrentava o tanque,
“Será que eu merecia ficar recolhidinho?”
Levantei depressa e resolvi que a minha mãe
Estava muito cansada de tanto trabalhar
E de fininho, fui saindo pelas ruas da favela
E cheguei à cidade resolvido a mendigar…
Estendi minha mãozinha suja de poeira,
Meus pés descalços doíam de tanto caminhar…
Alguns passavam, sem nem pra mim olhar,
Mas outros tiveram pena e na minha mãozinha,
Colocaram, sim, uma pequena moedinha,
Que levei correndo para minha mãe, a lavadeira"
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2008, fevereiro 05 - Poetisa: Casti, Blog:
Teia de palavras.
"O jogo na mesa
Um taco
Noite inteira
Conduzindo aspirações
Para a caçapa
Vontade numa tacada
Certeira
Matreira
Firmar a ponteira
Desce uma talagada
Da pinga de primeira
Ponto final..." -
2008, fevereiro - Esta pintura foi exibida na revista eletrônica
Conexão Maringá, ilustrando a poesia "O Corpo Restituído", de Américo
Teixeira Moreira.
"E ninguém saberá onde toco
quando os meus dedos súbitos
cantam no meio de uma aranha
ameaçada, a receber a feliz oferta
de um exercício silencioso.
Serás consumida como uma fértil
rosa encrespada sobre as minhas nádegas
entorpecidamente duras e o tépido
contorno das tuas coxas projectadas
de encontro ao instinto selvagem
que assim morre vivo
deliciosamente exausto como uma
pétala delicada no recolhimento
das pálpebras ensonadas.
Tudo, meu amor, está nas nossas mãos:
esta harpa tranquila e delicada
estranhamente desnudada pelo êxtase dos dedos
em busca de uma laranja posicionada
para ser repartida nos
seus gomos sumarentos de fantasia.
Vacilante e mordente cais dissipada como
se fosses um estalido,
um sopro adormecido pela minha baba
opiária. Então amorosamente beijo
o teu sexo desvairado na simbologia
da passagem do sagrado para o profano
de uma identidade, de um novo caminho.
Assim renascidos da vertigem dessacralizada
seremos a transumância dos amantes primitivos. "
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2008, janeiro 19 - Poetisa: Casti, Blog:
Teia de palavras.
"Os carros passam lentamente, observando a mercadoria, avaliando e alimentando o desejo... Coxas, seios, bocas à mostra, oferta do "móvel" que tem para todos os gostos taras e fetiches. Negociações e acordos, ela quer o dinheiro, ele quer o resgate do desejo que por algum tempo foi sepultado..." -
2008, janeiro 14 - Minha pintura acrílica "Amantes" foi exibida no blog
Site de poesias, ilustrando a poesia "Pura
sedução".
"No tom da tua voz,
Lapido meus desejos,
Rompo meus medos,
Em pura sedução!
Boca entreaberta,
A balbuciar teu nome,
Num sussurro constante,
Um apelo pertinente:
Abuses de mim!
Meus seios,
Teus montes;
Mamilos duros;
Picos do Everest,
A te implorar sucção!
Meu ventre,
Teu mapa;
Tua trilha,
Tua entrada;
Suporte do teu mastro,
E da tua bandeira Hasteada!
No tom da tua voz,
Em suma, SEDUÇÃO!"
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2008, janeiro 07 - Poeta: Lipe Du, Blog:
Poesia vã.
"O abrigar de uma nuvem...
Céu ensolarado e mais um dia de curtição.
Sem um sundown
Pedimos sombra, pelo amor de deus!
e tentamos tapar-lhe
Sol!
Sugerimos isso e aquilo outro
Bate-boca amigável
Conta-se a novidade de ontem
O noticiado que apenas um viu e se
encarregou de passar...
Antenas!
A louca foi presa,
O ministro fez uma piada infeliz...
Queremos mais e mais,
Ali na esquina mais um copo
e mais música
e um boteco que acaba de abrir serve de refugio aos nossos anseios de fim de semana
Tanta expectativa pra dois únicos dias
Queria é mais" -
2008, janeiro 04 - Poeta: Carmen Fossari, Blog: Tatuagem, Poema: "Vento", reproduzido aqui apenas um fragmento:
Abstrato
V
Ventania na litania
Impalpável das membranas
úteras que te constroem desde sempre
Argamassa de pesadas dores
Umbilical cordão da humanidade
Que aterra teu invólucro e te faz
Presa de ti mesmo
Desde o lado que mastigas
As migalhas da escuridão de outras pessoas
O olho que vislumbra da ampla claridade
A centelha oclusa em breu
Ao canto alojada sendo de outro ser
A tua mesma cicatriz de escuridão
Tento eu tentáculos atravessar
A cortina férrea, onde fincas teu estar.
Talvez eu mesma em crendo a claridade
Por tentar transpor esta barreira
Seja da instransponível mediação
A luz oclusa aterrada ao que passou. [...]
Gravuras e pinturas ilustrando poesias em 2007
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2007, novembro 30 - Minha pintura acrílica "Amantes" foi exibida no blog
A lanterna mágica,
ilustrando a poesia "Predileta".
"Minha cadeira predileta
é a que me senta kama-
sutra e goza, e treme sobre-
mesa, ultra orgasmo faz
me ter dentro, e tesa sai
de quatro.
É coisa viva e não
tela, predileta a cadeira,
pé de lata pede força
ao fazer no ato até
a força se perder." -
2007, novembro 6 - Poetisa: Casti, Blog:
Teia de palavras:
"Vivia assim... Sacudida pelo despertar do relógio, no trem lotado e também pelas dificuldades que existiam depois da porta. Era impiedosamente sacudida, pelo homem que com ela sobrevivia... Sacudia no Samba de Fevereiro, sacudia a roupa para secar no varal. Finalmente, não mais agüentando tanta sacudidela, num dia comum de semana, sacudiu da janela do último andar onde trabalhava, espatifando-se no chão num embate final."
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2007, novembro 6 - Poetisa: Casti,
Blogue
das artes
"O abrigo desordenado
Improvisado
Favela
Menino descalçado
Duro percalço
Driblando a vida
A bola
Rolando na viela
A realidade revela
Bala zunindo
Indiscriminada
Pra muito homem
Pouca vela..." -
2007, outubro 26 - Minha pintura acrílica "Moça azul" (Década de '80) foi exibida
no blog A lanterna
mágica, ilustrando a poesia "Mar de volta".
"Entre mar e pedra tocam-se
alga e espuma, eco e silêncio:
e é uma linha tênue a do grito
quando fere a pedra o mar.
São palavras as cantigas humanas,
também os gestos que esculpem a natureza
do sorriso, da lágrima, qualquer cor
guardada na memória após a ressaca.
Há uma donzela na borda do oceano,
na ponte, no alto, com olhos longe:
ela quase pode tocar o céu, quase cair no mar
tão alto, tão alto, e tão longe seu sonho.
Espera uma resposta da água, no horizonte,
espera ser parte da pedra onde repousa seu sono —
o que retorna dos dias é sua imagem refletida,
aguardando um amor que não voltará."
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2007, outubro 19 - Minha pintura à óleo "Amantes" foi exibida no blog
A lanterna
mágica, ilustrando o post "Para quando faltar o amor".
Queria eu saber o que faz um pensamento
explodir e confundir
para qualquer momento aparecer
ao que me parece ser
na possibilidade do acontecer
o objeto no ser amado a surgir
pele e coração mais que um invento:
tão real a lembrança de quem se foi
na permanência do objeto, que fica
a aparência de sua dona ali conter
e faz morrer um sonho qualquer
e, logo, dar-se em vida na palavra
trancada, antes palavra ao pé do ouvido,
motivo para um poema de amor,
na falta de quando ela se for.
Se posso dar liberdade letra-a-letra
ao meus devaneios de amor por gota-
a gota tocando meus neurônios a lembrar
que já suamos nossos corpos e sanamos
nossas dores em meio a tanto grunhido,
de tamanho cio, esse grão aos animais
da palavra incompleta que nos faz tais
a cada um que ama e rola de sexo-a-sexo.
Mas você, no fim de tudo, sumiu e ficou
o pensamento no objeto qualquer que te faz
aparecer, explodindo e confundindo,
no desejo de você onde foi a hora íntima,
na noite veloz acontecer – eu a perceber,
por assim dizer, nós sem nenhum
pensamento, como fazem os bichos
com suas naturezas e sem nenhum objeto,
apenas um e outro, apenas eu e você. -
2007, outubro 15 - Poetisa: Maria Luiza D'Errico Nieto, Blog:
Recando das letras
Poema: "Meu querer"
'Meu querer...
é sonho de amores
toma forma de flores
veste-se de cores
banha-se de olores
desfruta-se em delícias
na troca de carícias
da ovelha em balidos
á espera do lobo
para soltar mais gemidos.'
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2007, setembro 5 - Minha pintura acrílica "Nua" foi exibida no blog "Literatura:
amor e erotismo" ilustrando a poesia "Poema erótico" de Manuel Bandeira,
postado por Karina Calado.
"Teu corpo claro e perfeito,
- Teu corpo de maravilha
Quero possuí-lo no leito
Estreito da redondilha...
Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa... flor de laranjeira...
Teu corpo branco e macio
É como um véu de noivado...
Teu corpo é pomo doirado...
Rosal queimado do estio,
Desfalecido em perfume...
Teu corpo é a brasa do lume...
Teu corpo é chama e flameja
Como à tarde os horizontes...
É puro como nas fontes
A água clara que serpeja,
Que em cantigas se derrama...
Volúpia de água e da chama...
A todo momento o vejo...
Teu corpo... a única ilha
No oceano do meu desejo...
Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa, flor de laranjeira..." -
2007, setembro 05 - Minha pintura "Lavadeira" Ilustrou poema de Fernando Pessoa
no blog
da editora e poetisa Rosângela Aliberti.
"A lavadeira no tanque
Bate roupa em pedra bem.
Canta porque canta e é triste
Porque canta porque existe;
Por isso é alegre também.
Ora se eu alguma vez
Pudesse fazer nos versos
O que a essa roupa ela fez,
Eu perdeira talvez
Os meus destinos diversos.
Há uma grande unidade
Em, sem pensar nem razão,
E até cantando a metade,
Bater roupa em realidade...
Quem me lava o coração?"
Fernando Pessoa
15-9-1933
-
2007, setembro 04 - A pintura digital "Trio de amantes" foi exibida no blog
Literatura,
amor e erotismo, ilustrando a poesia "Boceta", de autoria de Karina Calado.
"da entrada à entranha
dessa eterna
morada
da morte diária
molhada
de mim
desde dentro
o tempo
acaba
entre lábio e lábio
de mucosa rósea
que abro
e me abra
ça a cabe
ça o tronco
o membro
acaba o tempo" -
2007, setembro - Minha pintura abstrata foi exibida na revista eletrônica Conexão Maringá, ilustrando a poesia "O pai a flecha a gosto", de Clodomir Monteiro.
Abstrato
"Quem gera a flecha octogonal
I
Introdução do pai outono
o pai na flecha que o define
não finda o fim de quem o tem
se quem não tem vivo o seu arco
vive a procura pela haste
arremessada sem a ponta
II
constante arte armadeira
constante a haste de madeira
provida pedra aguçada
pontuda tem inconstante ferro
flèche a origem fala mecha
penas ou barbas nesta langue
III
objeto forma da flecha
se quem ataca quer vencer
munida vem de um entalhe
adaptado à corda d`arco
o pai será bem conformado
ele objeto flecha e seta
IV
pai geometria octogonal
a quem do raio perpendicular
à corda o pai acerta geometria
flecha jungida entre esta e o arco
gera figura a outra flecha bela
da natureza parteira da vida
V
na arquitetura dos arque dutos
agulha de piramidal remate
da torre igreja obra sacro oficio
templo arquiteto demais edifícios
o pai agulha construtor profano
provê fachada santos aquedutos
VI
paterna construção mecânica
Pai curvatura viga que situa
peça obediente transversal esforço
integra inteiro o seu comprimento
à largura abaixo e acima flutua
não cria só com a terra mãe atua
VII
reina sagittaria montevidensis
na embocadura também reina flecha
do pai rebento enxerto terminal
flecha galocha a proteger a brecha
inflorescência fogo das gramíneas
pai planta aquática ornamental
VIII
botão da paternidade botânica
sinal do desenho certeira flecha
durante a vida educa e dirige
pai quase sempre martim - pescador.
busca comida outonando amor
flecha de parto filho pai revive"
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2007, setembro - Minha pintura digital "Moça dormindo" ilustrou a poesia "Esposa",
de Benílson Toniolo, publicada na revista eletrônica
Conexão Maringá.
"Meu olho cravado na treva do teu gozo
Sobre as pernas te sustento madrugada afora
Um alfabeto inteiro pra traduzir-te um sussurro
Que exala da ressecada saliva
Desenha o balé das ondas com teu dorso descoberto
E as estrelas dos teus centros se dilatam
Cegamente vagueiam e arfam os poros
Um sol imenso escancara o riso fácil que buscavas
Repousa então o caule inerte do teu corpo
Sobre a tênue luz da minha pele libertada" -
2007, agosto 21 - Minha pintura a crílica "Janta" foi exibida no blog
Teia de palavras, ilustrando poesia
de Casti
"Prato fundo
Janta minguada
Temperada em silêncio
Vela chorada
No breu da solidão
Lida infinda
Onde o diabo
Não perdeu as botas
Onde a fome se aloja
Na barriga
Dos irmãos...
Família grande
Pai autoritário
Coração duro
Mandacaru puro
Com tempo certo
Antes da janta
Agradecendo
Difícil vida
Murmurada
Em decorada
Oração..."
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2007, junho 27 - Minha pintura acrílica "Minina barreno" foi exibida no blog
Teia de palavras, ilustrando a poesia "Teias
do dia"
"E ela resolveu em dia comum colocar mais tempero na panela... Mexeu nos frascos procurando cheiro forte, cores vivas e uma inquietante receita começou a borbulhar no caldeirão... Algumas vezes era preciso tirar o avental, troca-lo por pérolas e saltos... A futilidade em medida proporcional ao cotidiano era essencial para não deixar o cheiro da cebola provocar lágrimas além das necessidades..." -
2007, junho 19 - Minha escultura "Monumento ao trabalhador rural" foi exibida
no blog Lugar Onde,
ilustrando a poesia "A velha enxada", de Jaime Umbelino.
"Foi-te cair nas mãos a velha enxada,
De teus avós herança que ficou,
E que, por falta de uso, enferrujou,
Posta de canto, só e abandonada.
Na terra, agora inculta, onde cavou,
Muita flor viu abrir, numa alvorada,
E de pão viu sair muita fornada,
Das espigas que o Sol a rir dourou...
Mas tu, que por acaso a encontraste,
Sem teres contido o espanto que mostraste,
Nem bem saberes por onde lhe pegar,
Não vás pô-la de novo no seu canto!
Tira-a do chão, como se fosse um santo,
E põe-na, com respeito, num altar..."
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2007, junho 18 - Minha pintura digital "Lavadeira" foi exibida no blog
Teia de palavras, ilustrando poesia
de Casti.
"Tanta roupa
Olha o sabão
Orçamento
Pouco tostão...
Esfrega
O futuro
Cheiroso
Preocupado
Em bolhas
De sabão." -
2007, junho 10 - Minha pintura acrílica "Trigo" foi exibida no blog "Rosângela
Aliberti", ilustrando micro-poesias "Um pouco de Poetrix VII", de
Rosângela Aliberti.
Aspiro Letras
Leio Poesias
Sem odor nem cifras
Vagando no(s) espaço(s)
...
CleptoPOEMANIAS nas cabeceiras
Passos irresistíveis...
passeios de mãos... nos versos
revirando criados-mudos
...
Caminhos da Cura
Curar a si mesmo
É preciso
Para auxiliar a quem precisa
...
Às SombraS
Quando tu permitires
caminharam... contigo
pequeninos candeeiros
...
LOUVO O PÃO
Sagrado Alimento
Pão Nosso em bagos
Letras de Esper@nça
...
Sagrado Pão Nosso de cada dia
Quinze bagos de trigo:
E S P E R A N Ç A
Poesia... Ave Marias!!!
...
Incógnitas
Nasceram Poemas
dos punhos dos Zés-Ninguém
(in)visivelmente mágicos
...
Arquivo X
Há candidatos: confesse
a ETs na orbe terrestre
- Quem não leva jeito?!
...
CICLOPE
Tirou o óculos
olhando para o espelho
morreu pulveriZado
...
Línguas de sogra
Não tenho mais 1 sogra?
tenho a língua doce
Gosto de sogras
...
Pedacinhos de coração
Para trocar letras
(minh)a caneta estará contigo
sempre livre para duetar
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2007, maio 12 - Foi exibida no blog
Cantares de amigo,
ilustrando o poema "ícaro", do poeta Al Berto (avelaneiraflorida)
"Aprendeu a separar o nocturno zinabre
do transumante desejo e poro a poro o dia
larga sobre a pele os perfumes da terra
e o tempo cobre-se de cardos em cinza
tem o olhar escondido na inquietação da luz
guarda no peito o sossego dormente das pedras
um ombro de sombra dá-lhe frescor à boca
mas se ao morrer o abrissem ao meio
nada encontrariam
nem vísceras nem ossos nem sangue
apenas poalha de água
e a dor da infindável travessia" -
2007, maio 04 - Poetisa: Maria Ostra,
Maria vai com as Ostras, Poema: 'A
cobra'
'despe
a
pele
a
pouco
e
pouco
barulho
:p'
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2007, abril 29 - Minha pintura à óleo "Mulheres no varal" foi exibida no blog
Livro de cabeceira,
ilustrando a poesia "Vozes bugras", de Anabel Andrés.
"São vozes de resistência
Vozes que trazem a reverberação de antigas vozes
Indígenas, africanas, ibéricas:
Vozes raízes
Vozes escravizadas, fugidas, rebeladas, indomadas,
por mais abusadas que tenham sido
Vozes mestiças: caboclas, cafuzas, mamelucas, mulatas
Vozes camponesas, urbanas, suburbanas
Que continuam a ecoar
em cada mulher deste Brasil
São vozes geradas no ventre da Grande Mãe
Vozes de guerreiras
Que nunca deixam de sonhar
E de celebrar a vida
Vozes que o tempo não há de calar
Há de festejar" -
2007, abril 25 - Minha pintura à óleo "Boteco" foi exibida no blog
Cultura Popular, ilustrando a poesia "A eterna dúvida":
"Certa vez eu parei perto de um bar bem longe daqui,
Se não for engano meu,
Eu pedi uma pinga com mel de pequi.
Nem me lembro se fui só pra tomar aquilo,
Ou se estava mesmo disposto a curtir.
Olhei pra todos os cantos
E reparei num bêbado ali do meu lado.
Se não me engano ele estava em pé,
Ou será que estava sentado?
Só me lembro que ele recitava uma poesia,
Com charme de menino apaixonado.
Acho que pedi outra dose
Daquilo que estava tomando,
E o bêbado ali do meu lado
Continuava recitando.
Talvez eu não tivesse nada melhor pra fazer
Ou estivesse realmente gostando.
Acho que ele falava de amor,
Talvez de um amor que ali mesmo nasceu.
Ou então poderia ser
De um amor que ali se perdeu.
Mas se não for engano meu,
Talvez eu estava o tempo todo ali sozinho
E aquele bêbado era eu."
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2007, abril 12 - Minha pintura à óleo "Forró" foi exibida no blog
Teia de palavras, ilustrando poesia
de Casti
"Dá um "cheiro"
"Arretado"
Faz uma rima
Com sorte
Arreganha
Um sorriso
Luz do archote
Lasca um beijo
No cangote
Pesa o passeio
Da mão
No corpo
Antes redoma
Agora resolve...
Toma
Doma
Do sul
Ao norte..." -
2007, fevereiro 06 - Minha escultura em cimento "Monumento ao trabalhador rural"
foi exibida no blog
Poesia para desafiar espíritos adormecidos, ilustrando poesia.
"Eu não sei, que mais posso ser um dia rei, outro dia sem comer por vezes forte, coragem de leão as vezes fraco assim i o coração eu não sei, que mais te posso dar um dia jóias noutro dia o luar gritos de dor, gritos de prazer que um homem também chora quando assim tem de ser Foram tantas as noites sem dormir tantos quartos de hotel amar i partir promessas perdidas escritas no ar e logo ali eu sei... Tudo o que eu te dou tu de das a mim tudo o que eu sonhei tu serás assim tudo o que eu te dou tu me das a mim tudo o que eu te dou Sentado na poltrona, beijas-me a pele morena fazes aqueles truques que, aprendes-te no cinema +, pego-te eu, já me sinto a viajar para, recomeça, faz-me acreditar Não dizes tu, e o teu olhar mentiu enrolados pelo chão no abraço que se viu i madrugada ou i alucinação estrelas de mil cores extasy ou paixão hum, esse odor, traz tanta saudade mata-me de amor ou da-me liberdade deixa-me voar, cantar, adormecer"
Gravuras e pinturas ilustrando poesias sem data
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Poeta: Antônio Manoel Abreu Sardenberg, Site:
Sardenberg Poesias, Poema: "Semeador"
"Semeie, semeador!
Lance no sulco a semente,
Deixe que a chuva e o calor
Façam ela germinar,
Dar fruto e alimentar
A mesa de muita gente.
Semeie, semeador,
Com suas mãos calejadas,
O grão do trigo, a mostarda,
Soja, arroz e feijão.
Semeie, assim, a esperança
De transformar o Brasil
Na mais sólida nação...
Semeie, semeador,
Jogando a cana na cova,
Pois com isso fica a prova
Que você adoça a vida
Fazendo-a menos sofrida
E muito mais saborosa...
Semeie, semeador,
Milho, algodão e café,
Semeie com muita fé
Mostrando pro mundo inteiro
Que você é o celeiro
Que mantém a vida acesa
Dando pão ao mundo inteiro!" -
Poetisa: Maria Luiza DErrico Nieto, Blog:
Recanto das letras,
Poema: "Somos únicos"
"Nesta emoção pujante
um sonho se faz real
Na cumplicidade dos amantes
em abraço sensual...
Corações pulsando amor
dois em unicidade
Vidas em sintonia
agora e na eternidade...
Somos assim... únicos
corpos e almas reticentes
Existências devotadas
a este amor ardente..."
















































































































































































