Pinturas ilustrando 7 poesias em 2014

Blog Exemplos para Arnaldo

2014, julho 17 - Meu desenho à sangüínea Amantes foi exibida no blog Exemplos para Arnaldo, ilustrando a poesia "Noites...".

Noites em branco
Noites em prantos
Noites vazias
Noites frias

Noites de sonhos
Noites de pesadelos
Noites sem fim
Noites assim

Noites quentes
Noites ardentes
Noites escuras
Noites muito duras

Noites sem sabor
Noites sem ardor
Noites sem vida
Noites perdidas

Noites sem gosto
Noites de Agosto
Noites fechadas
Noites clausura das
Noite tranquila
Noite vadia

Noites… Noites… Noites… Noites tristes
Ninguém resiste… Porque noite alegre… Não existe!


2014, julho 07 - Minha pintura digital "Dano à propriedade III" foi exibida no Blog do Fabrício Queiroz, ilustrando a poesia "Copa", de Fabrício Queiroz.

Ainda não fiz um poema para este mês,
Julho me esqueceu e os seus dedos não são de lã.

Nenhuma aurora me saudou à sua perfeição,
minhas sandálias envelhecidas
denunciam o descuido de mim.

Fã do futebol, não há glória na bola rolando,
ou nos trabalhadores que morreram amassados
pelo viés de sua construção,

ou nas famílias que choram
os tijolos derrubados.

Cansado da cidade - carregada de idiomas em suas areias,
poluída pela convenção do absurdo,
anestesiada em verde e amarelo - caminho só,

como se Julho tivesse me arrancado das convenções,
punido meu sorriso reticente com um forçado
contrato de esquecimento e solidão.


2014, junho 13 - Minha pintura à óleo "Amantes II" foi exibida no blog A vez da Maria, ilustrando a poesia "Do desejo terno, de Américo Teixeira Moreira, "O corpo restituído".

Falarei menos que um peixe, amor,
das líquidas emoções ou desejo serpenteado
sobre o que começa junto às rotas umbilicais.
Não me procures no rumo do vento
no cansaço da lua asfixiante, no mistério
ritmo da noite voltada para disponibilidade
de um sexo tecido de felicidade.
Diz-me com ternura imensa, a dor profana
a finitude do prazer de te descobrir
procuradamente na suavidade duma errância
com que te inicio no embrulho do teu calor
langoroso.
É um orvalho matinal que te rega
um suspiro húmido com sabor a algas
dos teus seios fugidios, ardente abandono
lascivo amanhecer.
Na carta que sustenta este ardor
sôfrego desejo me embala a fadiga
de te possuir com secreta evasão,
sentida excitação de me deixar aprisionar
no excesso fantasmagórico da sublimação
primitiva da vida e do amor que germina.

Página do facebook de Ruth Botelho

2014, maio 22 - Minha pintura à óleo "Anjo caído" foi exibida no Facebook de Ruth Botelho, ilustrando poesia.

Havia no paraíso por insistência divina, um anjo maldito. Assim meio mocho passado e coxo; viciado em tudo, mal humorado e sombrio, vivia assim no paraíso por insistência divina.
Protegido por Deus, mimado e acariciado, para a perplexidade de todos, havia assim no paraíso.
Amante das putas, protetor dos embriagados, zeloso dos moradores de rua e dos desocupados.
Frequentador dos bilhares, das boites e das casas das moças, havia assim no paraíso.
E toda vez que indignados os Seres de Luz, questionavam a Deus, Esse respondia:
"Amados meus é necessário algum pecado para justificar a pureza, é necessária alguma sombra, para abrilhantar a Luz. Deixem em paz o anjo coxo, embriagado e passional, é ele quem abrilhanta todas as virtudes, assim esse é o meu "pequeno dileto", é ele que me lembra a todo instante a beleza da minha criação, a magnificência que é ser humano".

Blog Caleidoscópia

2014, abril 23 - Minha pintura à óleo Boteco foi exibida no blog Caleidoscópia, ilustrando a poesia "Com...pensação".

Se é destino ser só
se é desatino este nó
que seja um tanto sem dó

no copo que bebe as horas
no leito que acolhe e chora
no verso que desandou.

Blog Há páginas tantas

2014, abril 21 - Minha pintura digital Na beira do rio foi exibida no blog Há páginas tantas, ilustrando a poesia "‘Uno’ em pecado", de MCTavarlos.

Sonhada pele de alabastro em noite escura
Um sucumbido "incesto" que perdura
Fome de alguém diferente
De um desnudo outrem indiferente
Sisudo, sorrateiro navegante de terreno templo
Afasta e achega doces vestígios de insanidade pura.
Um momento no cais
Flagrantes da historia e dos anais
Que atropela e perdura...
Amanha a tardinha
Ou quem sabe algures a noitinha
Um tremor de urgente angustiada doçura
Sentimento presente
Vontade descrente
Nesse sabor de pecado
Recalcado não recatado
Temperado, rasgado e indolente
Num suspiro aquém de irreverente
assim quente
de lubrico desejo
extravagante ensejo
e mente ausente.

Facebook Digital Omania

2014, janeiro 22 - Minha pintura digital "Moça dormindo" foi exibida no Facebook de DigitalOmania Nelsøn Aharøn Bibøw, ilustrando a poesia "Traduz-me".

Porta entreaberta clima certeiro
deslizando pelo corredor a tua essência
fome da tua presença em minhas mãos.

Minha respiração
aguça o desejo que transparece;
transpira e transborda.

Surge a vista parcial da paz
que faz dançar a cortina
em noite calma
onde levemente repousas.

Transparece a tua ternura
e explicitamente desperta
meu coração de vinho tinto
é a luz da tua face que invade
ávida ao tamanho exato da minha
alma embriagada.

Meu peito então é coberto pelo magnetismo,
seria um misto de melancolia e ilusão?