Pinturas ilustrando 12 poesias em 2013

Blog Se não canto pelo menos grito

2013, dezembro 23 - Minha pintura à óleo Boteco foi exibida no blog Se não canto, pelo menos grito, ilustrando a poesia "O maravilhoso prazer de encharcar os miolos".

E então, um dia, já velha,
descobri o maravilhoso prazer de encharcar os miolos, e,
para isso, nada como ter alguma coisa como pretexto,
nem que seja o seu tosco nascimento.
(Ariela Boaventura)


2013, novembro 19 - Minha pintura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog Caranguejo-fêmea, ilustrando a poesia "No bar".

Na mesa redonda, uma mesa-redonda.
Na fala dos homens, mulher, futebol, piada pronta,
lugar-comum. Lugar comum.

Blog A vez da maria

2013, outubro 24 - Minha pintura à óleo "Amantes" foi exibida no blog A vez da Maria, ilustrando a poesia "Amor", de Maria Teresa Dias Furtado.

Amor amado
Assim como os poentes
São rubros e as rosas,
Tão vivo é o meu amor por ti.
Com essa força atravesso
Todas as tempestades
E descubro em cada momento
A fonte da alegria.
No silêncio repito
O teu nome como um bálsamo
E sei que tu o meu repetes
como um apelo.
E o apelo não é vão
Pois com ele me dás as estradas
E os atalhos para chegar a ti.
Ao teu encontro vou
Com as rosas de Maio
Com as cerejas de Junho
Com as uvas de Setembro
E cada mês me dá para te levar
a sua novidade
Pois o amor faz novas todas as coisas.
Quando te não vejo vejo-te em todo o lado
E oiço-te em todas as vozes
Tu que és a única voz.
Em ti me refaço e me transformo
E fluo para ti como um grande rio
Na certeza de ti, que és o meu (a)mar.


2013, setembro 12 - Minha pintura digital "Homem na sarjeta" foi exibida no blog Poesia divina, ilustrando a poesia "Já fui uma sarjeta".

Já fui uma sarjeta...

Me virei pelo avesso e desfiz em mil pedaços.
Por um tempo quis sair do espaço
E Ir a qualquer lugar,
Aonde o real fosse o meu imaginário.

Tentei entender o mundo e o sentido da vida;
Devaneios vis, vãs filosofias.
Sem respostas,
Confundi minhas ideias e perdi meus ideais.

Minha própria ideologia me fez frio, insensível, inseguro...

Sob os escombros da maldade,
Sem ter noção da minha precariedade
Por um Nome eu sussurrei
Chorei... Clamei: JESUS!

Aquela amargura profunda
Só não era maior que o meu desejo de redenção
Implorei pelo Teu perdão.

Senti pulsar uma alegria;
A minha enorme apatia
Deu lugar à sinfonia, esplendorosa e linda.

Sorrisos, músicas e poesias.
Deus me deu aquilo que eu jamais imaginaria:
Maravilhosa família, uma bela mulher, diversos amigos.
E o dom de transmitir o melhor que há em mim.

Blog Fabrício de Queiroz Venâncio

2013, julho 11 - Minha pintura digital "Toda riqueza provém de violência" foi exibida no blog Fabrício de Queiroz Venâncio, ilustrando poesia "Obrigado pelo seu tempo", do autor.

A violência está acomodada nos hospitais,
nas longas filas da espera
e no pouco que ainda versa a esperança
cristalizada em barrigas vazias.

A violência está velada nas fábricas,
está junto daqueles que assinam suas digitais,
nas doenças de esforço da mão
e na indenização que recebe a família.

Está na desigualdade,
nas generalizações,
na mídia porca,
no vagabundo pedinte
e na criança que esfarela o chão.

Está sendo velada pelos garotos de rua,
idolatrada pelos paletós da nação,
lambida pelos que tem fome.

Nossos meninos gritam nas ruas:
talvez um dia encontrem a violência
amedrontada em um canto qualquer.

Nossas meninas gritam nas ruas
e isto não foi um poema.

Blog Litterattus

2013, maio 17 - Minha pintura digital "Fone de ouvido" foi exibida no blog Literattus, ilustrando a poesia "Fones de ouvidos são submarinos", de Cláudia Laureatti.

E na terra o homem substitui o burro pelo trator
Na cidade pelo homem-catador
A economia vai bem mas o povo vai mal
Essa coisa precisa ser estudada
A palavra coisa substitui qualquer coisa
para no fundo não dizer coisa nenhuma
O que toda essa coisa tem haver comigo?
Fone de ouvido é submarino

Quem manda na região manda na religião
Deus pátria e família com telão
Se você deixar esta ocasião passar
seu coração vai secar secar secar
Se não sonhar nada muda o excesso de realidade
Água pão terra e liberdade
O que isso tudo tem haver comigo?
Fone de ouvido é submarino

Blog "Literatus"

2013, abril 08 - Minha pintura à óleo "Boteco" foi exibida no blog Literattus, ilustrando a poesia "De Bebum!", de Mauzinho.

Babaca
Boboca
Babou no Baco
Da boca de Bacon
Do Balacobaco!
Bebeu da bica
Da boca
Do beco
Da baba do bobo
Bebeu da boba do babo
De bobe, de bêbo, de bebum...

Blog Com a certeza de uma dúvida

2013, abril 02 - Minha pintura à óleo "Forró" foi exibida no blog Com a certeza de uma dúvida, ilustrando a poesia "Uma dança, uma música e nós".

Pegue na minha mão.
Enrosque seus dedos nos meus.
Não seja apenas mais uma,
E eu serei todo seu.

Começou a música,
Você me gira no salão,
Não seria a princesa guiada por um patrão?
Não.

É você que me guia,
Ensina, sussurra,
Ao som da sanfona,
Do seus passos e da zabumba.

Piso no seu pé,
Você morde meus lábios,
O suor vai aumentando,
Já me sinto em seus braços.

Acredito que sou um bom aprendiz...
Aprendiz de forró,
Iniciante no amor,
Embaixo do seu cobertor.

Blog atos de poesia

2013, março 28 - Minha pintura à óleo "Forró" foi exibida no Facebook Atos de poesia, ilustrando poesia de Yrto Mourão.

Peço, que trabalho bonito!
Bate a estaca, faz a massa
Quebra a pedra
Levanta o pódio
"Parioca" de valor
Vem de longe pra vencer
Pra morar numa favela
E fazer filho pra morrer
Peço, você é descartável
Sacrifício, fé no santo
Muita pinga
Toma esporro
Do mestre, do engenheiro
Puxa a faca prum pedreiro
Se leva uma justa causa,
Vai festejar num puteiro
Peço, gira, brinca, criança
Açoitado, mal vestido,
analfabeto
Vive na obra
Você tem prazer em Deus
E num caldo de mocotó
Dança junto com o capeta
Misturando samba e forró.

blo do ditim

2013, março 14 - Minha pintura "Pipa" foi exibida no Blog do Ditim, ilustrando a poesia "Pipa vai", de Benedito Gomes Rodrigues.

"A pipa pipocada de cores
Esvoaçou no céu, tranquila.
Escutei rumores de seu paradeiro,
Nas terras distantes doutra vila.
Levou com ela mensagens,
De paz, acordo, infantil sonhar,
Dum menino que nem eu,
Atrepou sua esperança no ar.
Eu, com efeito, observo o céu,
Ante a vida daquela simples pipa,
E ouso me ver em seu lugar...
Um dia talvez..."

blog abecedario

2013, janeiro 21 - Minha pintura à óleo "Boteco" foi exibida no blog abecedário, ilustrando a poesia "Sentado no bar...".

"Sentado no bar
à frente tenho um copo
Cheio de impressões digitais
De pessoas sem palavras nos dedos.
Refugiam-se, qual ermitas,
No recanto das recordações.
DaNão com eles canções
Que cantam vida ingerida.
Em mesas afastadas
Vislumbram-se esgares
Dos muitos sentidos pêsames
Que a existência lhes foi dando.
Tantos copos tresmalhados
Desvendando o mistério do último trago.
Sentado no bar...
Ouço canções de maldizer,
Felizes por me construírem o caixão
E me bordarem a mortalha
Com pontos crucificados a néon.
Um piano cujas teclas, libertas,
Circulam entre os clientes.
Alternam notas
Que se recusam a ficarem detidas
Soprando sons em liberdade.
As mágoas, sim
Estão em cativeiro
E olham através dos olhos de um Barman
Impotente ao momento da vontade
Que tinha em aceder ao pedido
De um cocktail de rejeição.
Sentado no bar...
O som do piano entra-me no copo
(Qual assassino com vitima à vista
continua impune depois de me envenenar)
Algemo-lhe as teclas
Embrenho-me no nevoeiro do cigarro
E dou mais um trago.
O coração empresto-o ao pianista
Para acelerar tudo o que a música chora.
Escuto-o...
Numa suprema demência
As notas passam
Entre os poros e o horizonte.
Semicerro as pálpebras
E olho em direcção à porta
Que nunca me deixa chegar
à verdade da razão.
Levanto-me do bar
E dou independência à alma.
Saio
Afasto com as mãos o som do piano
Reparo que a minha cara foge da loucura
E trêmulo guardo os restantes segredos
Que os muitos copos vazios me contaram.
No fim tudo se dissipa num chamamento:
-Táxi!
-E para?

(Como se chama a vida onde vivo?)

blo Espero que o facebook aceite

2013, janeiro 20 - Minha pintura à óleo "Amantes" foi exibida no blog Espero que o Facebook aceite, ilustrando a poesia "A vida em truques de ilusionismo!!".

Antevisão de uma história caricata
todos os holofotes apontados a um regresso
dizem que é uma reinvenção
mas é apenas mais uma ilusão
dos pobres iludidos
dos pobres sentidos
Há passes que nunca foram válidos!!

Adivinham-se encantos que nunca foram encantados
vales verdes que nunca foram bordados
mantas frias que nunca foram forradas
valentes homens que nunca foram começos nem fins
apenas fizeram parte da vida em que nunca houve jardins
e tudo acaba por ser uma pobre noticia que ninguém leu
este é o mundo que não é meu nem teu."