Pinturas ilustrando 39 poesias em 2009

Novembro

Blog pi e phi

2009, novembro 26 - Minha pintura digital "Ninfas dançando" foi exibida no blog pi & phi, ilustrando poesia.

Monstro minúsculo e latente,
coração tão desgraçado,
grão semeado com a semente
do esquecido e nunca arrumado.

Monstro duma só cabeça,
dragão que vomita sua fé,
com aquela fereza certeza,
de quem acredita naquilo que não vê.

Monstro que esconde a menina
que soltamente pretende dançar,
só escutar ao seu pai cantar
aquela canção tão pequenina.

Monstro obrigada a ser monstro,
a percorrer o seu próprio caminho,
monstro do medo disposto
a fazer um grelhado entrecosto
com um medo tão mesquinho.

Monstro com corpo e nome,
que habitas na alma do tempo,
que reconheces o desconcerto
de ter esquecido aquele vento
que trouxe ate ti o teu homem.

Monstro que merece o perdão
que todo monstro merece,
monstro que no castigo cresce,
e perece na sua solidão.

Monstro isolado e vadio
do mundo e sua mudança,
monstro, a menina dança,
e seu pai no algaravio
faz que a agua do rio
nunca precise vingança.


2009. novembro 10 - Minha gravura decorativa digital "Vaso com flores" foi exibida no blog Recanto das letras, ilustrando a poesia "O suicídio (para minha amiga N...)", de autoria de Maria Martha:

"Sobre seu corpo brotarão flores que minhocas deixarão viver.
Lamento, amiga.
vê com Deus."

Gravura digital 'Poeta meditando'

2009, novembro 9 - Minha gravura digital "Poeta meditando" foi exibida no blog "Lua dos apaixonados", ilustrando a poesia "A poesia e o poeta" de autoria de M@ José.

"Deus criou a poesia
Para ser apreciada
Em qualquer hora do dia
Deve ser admirada.

Do nada o poeta cria
Expressando seu sentimento
Mostrando sua sabedoria
Gerada do pensamento.

Oh! Poeta que tanto ama!
E sensibiliza os seus leitores
Utiliza palavras e proclama
Amor a tantos amores.

Nas idéias do poeta
Em tudo tem poesia,
A emoção é completa
Conquistando a simpatia."


2009, novembro 05 - Minha gravura digital "Moça nua" foi exibida no blog "Partos de Pandora", ilustrando a poesia "Adormece", de autoria de Violeta Teixeira.

"Adormece! A morte abre a porta. Deixa-a entrar!
Sentar-se-á. Olhar-te-á. Que importa! Dormes.
Dormes. Serena, como a boneca de porcelana,
Despenteada. Pernas quebradas, mas a abraças,
E sonhas a criança. Essa mesma! Abraça-a!
A morte, tenta acordar-te. Atropàs prepara-se
Para cortar a trama tecida. Dorme! O corte é doce.
Acordarás outra. Orquídea roxa. Pedra granítica.
Música nas veias de fontes, antes, secas. Dorme!

Abraça a boneca de porcelana! Essa mesma!
A da criança! A sepultada, no poema. Eterna!"

blog do rocknaldo

2009, novembro 01 - Minha pintura à óleo "Boteco" foi exibida no blog Rocknaldo, ilustrando a poesia "Amizade banheiro bar".

E as gavetas se abrem pra desabafar
e voam papéis pelos ares a se revelar.
E até mesmo o saleiro vem a te olhar, no olhar.
com olhos de quem nunca viu e nem mais verá.
Amizade Banheiro Bar
Amizade Banheiro Bar
Um trago, um desabafo, a fumaça a girar, no ar.
O gelo rodando no copo a esperar
...
...
...
Amizade Banheiro Bar
Amizade Banheiro Bar
Copos vazios,
corpos tardiam,
garrafas e taças.
Viva agora risos,
pois quem sabe amanhã ressaca.
...
O psicológico do ser humano é algo interessante,
vendo assim que a dor eterna da perda comparada com a dor da distância vai além,
mas sem parar pra pensar que essa medíocre distância
possa estar sendo eterna também.


2009, novembro 01 - A gravura digital "Menino" foi exibida no blog "Partos de Pandora", ilustrando a poesia "O que é o ser?", de autoria de Violeta Teixeira.

"Sentada. Descalça. Mergulho as pernas, nas levadas
Das regas de morangueiros e de mangueiras,
Cuja terra seca suplica chuva. Subitamente, uma pergunta
Se insinua, dorida, nos corredores escuros, da sua mente,
Olho para as nuvens despenteadas pelo vento, com gestos
Ternos, em busca de uma fuga. Mas a pergunta penetra-me
Nas veias, inunda-me, transborda, quebra os diques
Indefesos da garota. As pernas, essas, navegam nas águas,
Aparentemente, ingênuas, como barcas seguras do rumo
Traçado. Olho, de novo, para o céu cinzento. Desaba-me
Sobre os ombros, pesado, inclemente. Que sei eu do Universo?
Porque me estou na Terra? Quem me deu o Ser? Se me sou?
Tremem-me as pernas. Indefesa, os meus dedos lavram
Lamas, arrancam ervas, mas torturam-me as trevas
Do conhecimento. Por que me estou no ali? Donde vim?
Resposta alguma que me satisfaça! Aprendera, cedo,
Que não havia deus algum. Que, na natureza, nada se criava,
Nada se perdia, mas tudo se transformava. Logo era um bicho
Da terra. Logo, a ela voltaria, como os pássaros que amava,
E nunca destruía os seus ninhos, porque se eternizavam
Nos filhos. Sim! Já havia aprendido, precocemente, é certo,
Mas tudo me fora dito, sem eufemismos, sem um gesto de afecto.
As águas das regas continuam. As pernas? As pernas? Da garota
Rebelde? Permanecem mergulhadas nas águas frias, mesmo no agora
Do escrevo. Anoitece! Agradeço as raízes do legado paterno,
Embora, tenham sido plantadas, no solo inocente da criança, que
Deixou , cedo, de o ser, se alguma vez o foi. Apago o olhar desse
Tempo? Como o fazer? Sempre aceso, como o cigarro que fumo,
O vinho que bebo, para anestesiar o cio, as palavras que teço.
Como amortalhar a madrugada? Embriago-me! Drogo-me.
"Cada um tem o seu ópio". Aperto as pálpebras. Cego-me?"

Outubro


2009, outubro 31 - Minha escultura em cimento "Amantes II" foi exibida no site Recanto das letras, ilustrando a poesia "Tu e eu" de autoria de Helena Luna.

"Todo dia em nus mesmos nos perdemos
em momentos de amor - pura paixão.
é por ele, pelo amor, que nós vivemos,
bate sempre forte, firme, o coração.

Nada há que se compare à emoção.
são instantes, para mim, doces,
supremos.
Todo dia em nós mesmos nos perdemos
em momentos de amor - pura paixão.

Abraçados no meu leito amanhecemos,
corpos juntos, meus seios em tua mão,
como fossem delicados crisântemos
a vibrar em colorida floração.
Todo dia em nós mesmos nos perdemos."

Blog "Nemeton"

2009, outubro 20 - Minha pintura acrílica "Homem e natureza" foi exibida no blog Nemeton, ilustrando a poesia "Primavera e matéria".

"Rendo-me ao paraíso

De pequenas vontades
E mínimos prazeres
Que enfeitam os dias doces
De primavera.

Tudo se faz demasiadamente
Simples
No acontecer do querer
Que me sustenta.

Sinto-me vivo em cada coisa
Que conquisto e faço
Em lúdico exercício
De físico e concreto
Pensar das coisas
em simbólicos paradoxos."

Blog "Hist ria e Curiosidades"

2009, outubro 03 - Minha pintura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog história & curiosidades, ilustrando poema de Manoel Bandeira.

"João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da
Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado."

Blog "Inspirar poesia"

2009, outubro 02 - Meu entalhe em madeira "Alegoria à vida..." foi exibido no blog Inspirar poesias, ilustrando a poesia "entalhe".

Teu grito ecoa e eu replico a dor. Guardo esse nome que sibilo em sons, pra sempre. E longe é perto e mesmo longe estás aqui em mim. Entalho um rosto em minha pele. Incrusto um nome e intacta, cravo essa memória em Cedro. Um cheiro e um monastério. Silente eu ouço a tua fala ausente. Tátil é o contorno do teu rosto que ainda guardo os traços. Entalho a cena e pigmento em cedro o pó. Em negro tinjo a dor que hora sentes é forja e o fogo com que grafas a inteireza desse teu momento. Na textura da madeira entalho os lábios teus. E os olhos são de apóstolo fiel. Entalho em mim sinais de tua passagem pela terra. E se há uma vida que se apressa em ir, eu paro o tempo e esmago a dor e a morte. Entalho em mim a contrição desse abandono. Arregalados olhos espalho ao vento toda essa iniquidade. Entalho em versos o meu desejo. Traço que em verdade a ti ainda cobiço vivo. Sopro a poeira que a madeira lança. Sopro-te prana clamando à ti, de volta a própria vida. Meu colo é teu abrigo e teu sorriso nesse peito amigo eu sei, as vezes chove. O meu desejo é que mais vida tenhas e ainda tenhas tempo para amar. Se sangram de tuas mãos as chagas, eu sei que é por elas que tu viverás, mesmo que morras qualquer dia desse tempo. Canto essa cantiga de ninar e encanto a noite e deito o dia. Em meus braços teu calvário é meu caminho. Choro a madeira no entalhe do formão. Ainda que tua vida e obra sangrem talhos, empunharei a lança e espantarei as dores. Esse é meu rito por tua vida e aqui eu esfacelo o torrão-morte que te espreita. Em tua defesa evoco a ira. Do punhado do teu medo eu faço morte em pó. E sopro prana e viverás!

Setembro

Blog "Ela nua é linda"

2009, setembro 16 - Minha gravura digital "A almofada vermelha" foi exibida no blog Ela nua é linda", ilustrando diversas poesias. Editor e poeta Luiz Alberto Machado.

ASTROLÁBIO
Tua língua, Hábil instrumento...
Usa-a com precisão
Mapeando os astros, presentes na imensidão do céu do meu desejo
Descobre no recôndito do meu corpo galáxias a serem exploradas
Astros que lampejam luz, excitantes faíscam...
P.a.c.i.e.n.t.e.m.e.n.t.e explora...
Entro em um voraz desvario que me consome... E assim...
Todos os novos astros que descobre têm apenas um nome: "Prazer"


2009, setembro 15 - A poeta Clevane Pessoa escreveu a poesia "Angelina se mutila".

"Angel de quatro braços
Mina energia entre traços,
Traça grafismos no ar.
começo da era, Eva primeva,
todo final é recomeço,
ciclos espiralados,
arcos de cores nos céus,
círculos concêntricos na água
onde bate a pedra da lua
ao olhar do arremessador."

ver a poesia na íntegra

2010, maio 30 - A poeta Clevane Pessoa republicou esta poesia no site da Unión Hispanoamericana de Escritores, em uma coletânea intitulada 'Quando poetizo pinturas de João Werner - alguns poemas meus e obra dele'. As poesias foram criadas a partir de 3 de minhas gravuras, 'Burquinha', 'Parada de ônibus' e 'Angelina se mutila'.

Blog "Página do Perninha"

2009, setembro 06 - Minha pintura à óleo "Sinuca" foi exibida no blog Página do Perninha, ilustrando a poesia "Exílio", de Anderson Farias.

"A ruptura
A descostura
A queda dura da muralha

A união
A amargura
A percepção da nossa ditadura

O Exílio
O Maurílio
Nego bom que Já morreu

A liberdade
O livre arbítrio
Eu tô confuso por soltar um sorriso

A escuridão
O meu conflito
Matava minha fome matando mosquito

O 38
O bar do cuca
miolos meus espalhados na sinuca"

Agosto

Blog "da Professora"

2009, agosto 29 - A gravura digital "Colhendo laranjas" foi exibida no Blog da Professora, ilustrando a poesia "Laranja rosada", de autoria de Luciana Carreiro Fernandes.

"Laranjas são como crianças.
estão em quase todo o lugar.
Laranjas são lindas.
Redondas.
Cor-de-laranja.
Lembra do sol.
Quente. Que brilha intenso. Radiante.
Como o sorriso e os olhos da criança.
Laranja ativa o humor.
Dá energia.
três alegria.
Todo mundo gosta de suco de laranja!
Laranjas são ricas em vitamina C.
Uma vitamina que reforça nosso organismo.
Precisamos dessa vitamina,
Assim como eu preciso de crianças
Então arranja as laranjas.
Pode chupar ou fazer suco.
Coloca na receita do bolo.
Fazer bom uso para que a criança seja:
Cor-de-laranja rosada.
E não falte nas aulas.
Trazendo alegria e saúde.
Como a laranja me três."


2009, agosto 12 - A pintura digital "Poeta meditando" foi exibida no blog "Partos de Pandora", ilustrando a poesia "É este o meu ofício", de autoria de Violeta Teixeira.

"É este o meu ofício. O grito. O grito do bicho
Da terra. Do corpo da terra, peregrino, sem fé,
Ao rés do vazio, morto de frio, a espera
De um signo, que frutifique nos espinhos.
Espera ilúcida e única do caminho que ilumine
O silêncio, súbito, vinho, para a embriaguez
Das palavras da vida e da morte. A brasa rubra
De uma pedra coze-me o pão do poema.
É este o meu ofício. O grito faminto
Do corpo da terra. Do bicho da terra. Grito!
Invoco, com avidez, a voz que tarda a ser voz,
Que tarda a ser tear. Trêmula e indecisa, início
O tecer do tempo voraz, mas este tudo faz
Para abafar a nudez do grito. Pudor absurdo, Porque,
sempre está a escuta o leitor, sabendo,
Sem o dizer que, talvez o grito sufocado
Dá à luz, numa obscura e pura madrugada,
Um cântico ferido, mas tecido de amor,
O mesmo será dizer o lugar branco da morte."

Blog Meus riscos

2009, agosto 08 - Minha pintura digital Pipa II foi exibida no blog Meus riscos, ilustrando a poesia "Pandorga".

Estrela da tarde
cauda de tiras
céu colorido.

Papel de seda
preso a vareta.
É a pandorga

dançando na brisa,
dançando junto os olhos,
dançando nas mãos das crianças.

Julho

Blog "Noturno citadino"

2009, julho 29 - A pintura à óleo "Mergulho" foi exibida no blog Noturno citadino, ilustrando a poesia "Pular de um quinto andar?", de autoria de Giuliano Quase.

"Não seja ridículo.
olhe lá embaixo.
quantos metros cê acha que tem daqui lá?
É bem capaz mesmo. É muito pouco, não vê?
desta altura, cara, o máximo que vai te acontecer é quebrar uma perna. ou as duas. pode ser que o fêmur se esmigalhe uma costela fure o pulmão o joelho salte da parada e fratura exposta aquela sanguerada toda e você lá agonizando eu aqu'incima desesperado pronto morreu...
quem sou eu pra te dizer, cara,
o que pode e o que não pode se só tentando?

mas de ponta cabeça.
assim de coco no chão:

toc

pode que pode ser:

e bau bau."

Blog "Arco da velha"

2009, julho 28 - Minha pintura digital "Amantes IV" foi exibida no blog Arco da velha, ilustrando a poesia "Poesia".

"Teus brincos de coral
Teus olhos de luz

Nuvem via jeira
Pálpebra turquesa

Embriaguei na flor
Cheirando (a)mar

Em tuas pernas
Ressuscitei."

Blog "Gilberto Maha"

2009, julho 19 - Minha pintura digital "Poeta meditando" foi exibida no blog A poesia de Gilberto Maha, ilustrando a poesia "Constatação".

Pensei até em me mudar
Pensei até renunciar
Pensei até esconder segredo
Pensei em não continuar
Pensei até não mais amar
Pensei porque eu tive medo

Medo do ciúme atroz
Medo do que pensariam de nós
Medo do contra feito
Medo da minha própria voz
Medo do que viria após
Medo de não estar sujeito

Sujeito estar ao revés
Sujeito contra as marés
Sujeito da perseverança
Sujeito do calado ao convés
Sujeito da cabeça aos pés
Sujeito de homem é criança

Criança de abandono infindo
Criança acordado e dormindo
Criança ao próprio abandono
Criança a tudo resistindo
Criança do homem sumindo
Criança de um homem sem dono

Dono da mentira e da verdade
Dono da falta de caridade
Dono das injúrias enfim
Dono da pobreza e da prosperidade
Dono do bem e da maldade
Dono do que não existe em mim

Junho

Blog "Noturno citadino"

2009, junho 07 - A pintura digital "Cristal" foi exibida no blog "Noturno citadino", ilustrando o poema "valor e cultura", de Giuliano.

"O copo de cristal por si não é belo.
Pode ser um objeto.
Talvez sua beleza esteja na moldura do contexto."

Maio

Blog "Intertextualidades"

2009, maio 31 - A pintura digital "Colhendo laranjas" foi exibida no blog "Intertextualidades. 'Estou vivo e escrevo sol'", ilustrando a poesia "Laranjas de maio", de Luís Filipe Pereira.

"Amanhã
Quando vier o vento
Deslizar na ave de água
Adstrita à madrugada

Seguirei o som das laranjas
Sob o sol macio de maio

Amanhã
Quando cair a janela
Como folha desfeita
Na foz dos dedos
Encontrarei nas ervas
Uma jangada de verdura
Afagando-me os joelhos

Ficarei com os fios dos jardins
Amá-los-ei no poema com os periféricos
Pulmões dos nomes
Dóceis de árvores

Amanhã
Entre os gomos do mar
Cerca dos corais das laranjas lentas
E os polegares
Que inclinados no ígneo vento da voz
Irão percutir
Pingo a pingo
O bando de águas
Que virá beber
Nas cascas vazias
Dos meus bolsos"

Blog "Que mundo doido"

2009, maio 01 - A pintura à óleo 'Jovem anarquista' foi exibida no blog Que mundo doido, ilustrando a poesia 'Anarquista (?!)', de autoria de Sidney Crivelari. Fragmento:

Rebelde,
Radical,
Excomungado,
Anarquista

Se lutar pela justiça,
Contra o abuso do poder comprado,
Este poder infame,
Retalhado de mentiras.
Se lutar pelos nossos direitos
é ser anarquista,
Então Mamãe,
Seu filho é um anarquista (?!)'

Blog "Bar do bardo"

2009, maio 01 - A pintura à óleo "Sinuca" foi exibida no blog Bar do Bardo, ilustrando três poemas, "três cenários suburbanos", de autoria de Henrique Pimenta.

"Bolero misturado com samba

"O cara vai à zona de pijama.
A linda se apaixona pelo cara.
Os dois, pois, se aconchegam numa cama
e, após, pois, se chamegam numa tara

de gosto duvidoso. O par se gama,
repete o ritual, ele não para,
deseja que deseja e faz a fama.
é a lenda da menina que dispara

da vida de puteiro suburbano,
sem máculas, no amor purificado,
por Nossa Senhorinha da Assunção.

é a lenda do senhor que é ser humano,
que acolhe sua escolha sem passado,
nas bocas da Favela Coração."

Abril

Blog "Sobreventos"

2009, abril 28 - Minha pintura digital "Lâmina" foi exibida no blog sobreventos, ilustrando a poesia "lâmina".

"A espada do "guerreiro branco" corta o vento insistente. Do encontro, a lâmina se gasta e o vento muda de direção. Estarão certos?"

Blog Meu sonho

2009, abril 24 - Minha pintura digital Pipa II foi exibida no blog Meu sonho, ilustrando a poesia "As pandorgas".

Os meninos soltam pandorgas ao vento
Com papel de seda e linha para orientar
A pandorga é solta ao céu azul
Ao abrir as asas parecem cavalos alados

Aos meninos propícia um momento mágico
Ao empinar a pandorga se sentem livres
Pelos movimentos das suas rabiolas
Os meninos sonham em lá estar

Os meninos voam com os pés no chão
Com eles vão suas fantasias e sonhos
Suas pipas planando no ar é emoção
A alegria estampada nos rostos risonhos

As pandorgas, pipas ou papagaios
Que a cada manhã enfeitam o céu
Parecem nos seus vaivens com os raios
Que cortam os ares fazendo escarcéu.


2009, abril 23 - Minha pintura "Amantes II" foi exibida no blog Ov3rmundo, ilustrando a poesia "Soneto depravado".

Escrevo esta poesia profana
Para mostrar a esses deuses ímpios
Que esse poeta amante silvícola índio
Alimentou-se do corpo da mulher humana

Pela nuca e orelhas foi o principio
Nos seios saciei a veleidade insana
O néctar escorrendo suguei de sua “xana”
Levando-a ao gozo; fiz-me teu vicio


Totalmente entregue aos sentidos
Pervertida. No cio e só instinto
Guiou meu pênis à sua gruta, e mais...


Fiquei por baixo dela passivo
Curtindo violentos mexidos lascivos
Juntos, explodimos como animais

Blog O silêncio dos versos

2009, abril 15 - A pintura à óleo "Ícaro" foi exibida no blog O silêncio dos versos, ilustrando o poema "La cena", de Manuel Díaz Martinez, postado por Lilina Jasmin.

Mi abuelo se sentó a la mesa con su muerto al lado.
No levanté los ojos de la sopa:
sabía que él también estaba muerto.
Mi madre tampoco levantó los ojos
a pesar de estar tan muerta como él.
Pero el muerto más muerto era Jacinto el ciego,
que no tenía ojos para ver la sopa.
Y peor aún era el caso de Donata,
que no tenía sopa para meter los ojos.

Mi abuelo se levanto, entonces, de la mesa
y nos dejó solos con su muerto
(un muerto sin ojos y sin sopa)
un terrible muerto hecho todo de bocas y de huesos).
Lo miré al soslayo, ya sin pizca de apetito,
y deduje que era un muerto que buscaba nombre.
Le puse el nombre de mi abuelo.
Mi madre protestó y le puse el nombre de mi padre.
Mi padre protestó y le puse el nombre de su hermano.
A Donata y a Jacinto se los tuvo en cuenta
cuando llamaron al muerto con mi nombre.

Fue cuando pregunté:
- ¿Es necesario que los muertos tengan nombre?
¿Por qué meter los ojos en la sopa?
¿Hay que sentar los muertos a la mesa?

Mi padre respondió al momento:
— Conviene darles un carnoso nombre
donde poder pegarles la mordida;
ellos se pasan el tiempo con la boca seca
raspando con sus dientes nuestros platos.
Si no tuvieran nombre, ¿cómo poder llamarlos
y cómo poder, si queremos, despedirlos?

— Es muy justo sentarlos a la mesa
— añadió mi madre sonriendo
y cortando el pan en rebanadas —.
Nadie puede negar que tienen boca y, por tanto, hambre;
y manos y, por tanto, ganas;
y huecos, enormes huecos frios que llenar.
Ellos también han de poner sus huesos en la mesa.

Jacinto el ciego te servió más jugo al muerto
y mi madre le arrimá toda la sopa
mientras Donata, solícita, decía
iBuen apetito! en italiano.

Fue cuando pregunté de nuevo:
— ¿Todo se hace en el nombre de los muertos?

— Manuel) icállate y come!

Blog "Os deslimites da palavra"

2009, abril 13 - Minha pintura acrílica "Menina escolhendo feijões" foi exibida no blog Os deslimites da palavra, ilustrando a poesia "Catar feijão" de João Cabral de Mello Neto.

"Catar feijão se limita com escrever:
jogam-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na da folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebra dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a com risco."

Março

Blog provisorio em construção

2009, março 30 - Minha pintura digital "Semeador" foi exibida no blog provisório em construção, ilustrando a poesia "O fruto que vai dar".

Plantar uma semente
e depois
ver o fruto aflorar

Plante uma semente
molhe a terra
e deixa descansar

o tempo vai dizer
a colheita
o fruto que vai dar

o fruto vai depender
da semente
que escolheu plantar

Blog "Tatuagem"

2009, março 26 - A pintura acrílica "Semeador" foi exibida no blog Tatuagem, ilustrando o poema "Ao meio dia, inteira" da poeta Carmen Fossari.

"O outono espiou sobre teu ombro esquerdo
E os sol Já mais ameno
Tentou adentrar em raios na casa casca do caracol,
Dentre todos, o único que atingira estar
Ao topo do muro, entre o portão
E a parede alta
Aos outros, no muro aos musgos ressecados,
Trouxera o vendaval de chuva a umidade
E entre o lamaçal e a poça d'água a procissão de lesmas
Nem tão lerdas, nem tão certas
Caracoleando ao muro um mostruário
De incrustados estarem,nada mais vivaz
Que ali estarem ( antenas recolhidas).
Apenas ao topo no sol inesperado
Era de incomodo, a deixar a casa toda transparente
Do caracol ao cachecol em teu pescoço
Avisto ao ombro esquerdo o filete de sol
Ensolarado, meio zonzo sem saber onde adentrar
Se na casa sob o muro em caracol,
Se ao cachecol macio em seda que te envolve
Ao dilema do sol , sorrio eu
Pouso meu estar
não em muros
Se de pedras ou de ventos
Nem de caracóis em procissões

Nem ao filete do sol
Ensolarando este jardim
Que entre o muro e o jardim
Colhem meus olhos tu
Que do amor plantas
Os mistérios ,docemente
Como a portão aberto para a vida."

Blog "Po tica e cotidiana"

2009, março 14 - A pintura à óleo "Carregadores" foi exibida no blog "poética e cotidiana", ilustrando poema de Bertold Brecht, "Perguntas de um operário letrado". Fragmento:

"Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilônia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas."

Blog "Ciranda do esquecimento"

2009, março 11 - Minha pintura digital Sátiro à noite foi exibida no blog Ciranda do esquecimento, ilustrando o poema "Licantropia", da poeta Laurene Veras.

"Rasga
a pele
que te engasga

Sibila
e troca de casca

Arrebenta pontos
abre cicatrizes

Puxa os fios soltos
arde em magentas
rejeita os matizes

Sê fera
medra no inadiável
e mira
o espelho inquebrantável

de ti."

Blog "Lendo poemas"

2009, março 09 - A pintura acrílica "Espaço interior" foi exibida no blog Lendo poemas, ilustrando o poema "espaço lírico" do poeta Cassiano Ricardo, editada/postada por Jefferson Bessa.

não amo o espaço que o meu corpo ocupa
Num jardim público, num estribo de bonde.
Mas o espaço que mora em mim, luz interior.
Um espaço que é meu como uma flor

Que me nasceu por dentro, entre paredes.
Nutrido à custa de secretas sedes.
que é a forma? não o simples adorno.
não o corpo habitando o espaço, mas o espaço

Dentro do meu perfil, do meu contorno.
Que haja em mim um chão vivo em cada passo
(mesmo nas horas mais obscuras) para

Que eu possa amar a todas as criaturas.
Morte: retorno ao incriado. espaço:
Virgindade do tempo em campo verde.

Blog "varal da Laura"

2009, março 06 - A pintura acrílica 'Mulheres no varal' foi exibida no blog Blog da Laura, ilustrando poema de Pedro Bloch. Postado por Laura Peixoto.

"Nossa jaula
somos nós mesmos,
que vivemos
polindo as grades
em vez
de libertar-nos."

Escultura Monumento ao Trabalhador Rural

2009, março - A escultura "Monumento ao trabalhador rural" foi homenageada em poema por Freddy Diblu, através da poesia "Um causo campesinho". Fragmento:

"Quer Zé Negrim ave-marias
Um alvorecer todo de pipiras
Retrato dele é vela de sete dias
A meninada de olhar assuntado
Violas dedilhadas no trato caipiras"

Fevereiro

Blog "Longitudes"

2009, fevereiro 07 - Minha pintura digital Pipa II foi exibida no blog Longitudes, ilustrando o poema "Dá corda", da poeta Nydia Bonetti.

"Dá muita corda
Deixe seu sonho voar
Ele tem pressa
Ele não pode esperar
Morre de esperar demais."

(ver a íntegra da poesia)
Blog "Em busca do phino"

2009, fevereiro 02 - Minha pintura digital "Passista" foi exibida no blog Em busca do phino, ilustrando a poesia "Pedido de demissão (a la bateria)".

A morena
enlouqueceu a
bateria, e a cadência
foi ficando para três

Janeiro

Blog "Confraria alternativa"

2009, janeiro 29 - Minha pintura digital "Casal III" foi exibida no blog Confraria alternativa, ilustrando a poesia "Broken hearts".

"Sem mais nem menos a vida ficou amarga, tudo era motivo de briga.......
ninguém mais se entendia......
O desejo perdeu lugar para a certeza do fim......
O drama começa......
O elo se rompeu.....O amor virou ódio.....
Os amantes tornaram-se meros conhecidos..... Cada um segue seu destino em busca de novas "aventuras"....
Alivio....Dor....Esperança......
Os sentimentos se confundem.....
O tempo da nova busca se aproxima !!!!"

Blog "Clevane Pessoa"

2009, janeiro 02 - A pintura à óleo 'Anjo caído' foi exibida no blog Clevane_em_Pessoa, ilustrando o poema 'Anjo caído' de autoria de Clevane Pessoa, em diálogo criativo. Fragmento:

'abrir a boca de espanto,
cair das própria altura, em pleno voo de reconhecimento,
e sentar-se desanimado, cansado de lutar
por uma humanidade falida e inconstante...'


2009, janeiro 03 - A pintura e o poema foram republicados no blog MHário Lincoln do Brasil.