Pinturas ilustrando 43 poesias em 2008

Dezembro

Blog "Fragmentos da alma"

2008, dezembro 23 - Minha pintura digital "Poeta meditando" foi exibida no blog Fragmentos da alma, ilustrando a poesia "O poeta".

"Um poeta deve ter dor
E dor onde ninguém saiba.
E deve sentir todas as dores e todos os amores que há no mundo.
Deve ter a escuridão, e deixar explodir todas as estrelas. Deve fazer nascer luz.
Deve entender de partos.
Um poeta tem que conhecer perfumes e odores.
Deve descrever sobre a Dolores e amar as suas dores.
Um poeta tem que ser forte e ardente.
Frágil e quente.
Um poeta tem que agir com a verdade, mesmo que para isso, use o fingimento.
Deve ser nobre como a beleza e plebeu como a tristeza.
Tem que usar das lágrimas para mostrar a alma.
E usar do sorriso para mostrar o destino.
Um poeta tem que salvar vidas, através da sua elegia ou da sua pornografia.
Tem que adorar o nada e o tudo.
Deve ser o próprio silêncio e ter em si todas as palavras.
Um poeta deve cortar os pulsos com flores e sobreviver com pedras.
Tem que andar no ritmo das correntezas dos rios e se escaldar nas areias como as ondas.
Deve saber observar o belo e entender o torpe.
Um poeta deve ver além do verde e do azul, tem que ver o cinza que há por três de tudo.
Deve enxergar com as mãos e o coração e sentir com os olhos e abraçar com a alma.
Um poeta deve ter em si a eternidade e jamais ostentá-la.
Deve acariciar e bater com as suas palavras.
E deve ferir com o seu silêncio.
Um poeta deve saber chorar compulsivamente ao ver o sonho do outro quebrado, e gritar silenciosamente quando o seu sonho for derrubado.
Tem que transbordar os olhos de lágrimas, todos os dias, ao ler um poema, e alegrar-se profundamente ao nascer de qualquer semente.
Um poeta deve ferir-se com a insensibilidade e vangloriar-se com as raridades sensíveis.
Deve sentir os antepassados nos bosques e praças, e respeitar os seus espíritos.
Um poeta deve ver o sol nascer e nesse momento matar sua soberba.
Deve ver o sol se pôr e aguar o orgulho de si mesmo.
Um poeta tem que olhar nos olhos. Olhar simplesmente nos olhos; nem mais para baixo, nem mais para cima.
Deve proteger os apaixonados, mesmo aqueles enganados.
Um poeta tem que admirar os rituais e jamais julgá-lo.
não precisa dançar o compasso da vida, mas deve entendê-lo.
Um poeta tem que saber que, as crianças e os velhos sabem mais que as suas rimas.
Deve gargalhar dos ecos.
Esbravejar das injustiças.
Um poeta tem que ser divinamente humano.
Compreender o divino, sentindo o humano.
Um poeta deve saber que não sabe. E ter consciência que entende.
Deve ser louco para que os deuses o proteja.
E deve ser lúcido para que o Deus o respeite.
Deve ter brilho no olhar e uma cor opaca nos lábios.
Dedos das mãos alongados e pés firmes.
E o poeta deve esquecer todas essas regras e ser simplesmente poeta."


2008, dezembro 06 - A pintura mista "Mulheres no varal" foi exibida no blog Lavando calcinhas, ilustrando o post "Lavadeiras", poema de Anabel Andrés. Postado por Lia.

Blog Zingador

2008, dezembro 05 - Minha pintura digital Poeta meditando foi exibida no blog Zingador ilustrando a poesia "Le poète de peut-être, Plein d'amour En regardant en avant".

Tarde que se finda
Estrela solitária no céu
Um mundo de coisas acontecendo
E eu, não menos solitário, sofro
Não posso omitir, mentir, fingir
Está estampado em mim
O poeta comum
Aquele que se apaixona,
Se ilude
E sofre
Uma mistura de azul e rosa
Acaba numa cor estranha
Meu mundo caiu
Na verdade anos se passaram
Esse mundo jamais se ergueu
Tristeza e solidão
E esse monte de coisas
Esse mundo de argumentos
Usados para não desanimar
Não sucumbir, não derramar lágrimas
MAs não sou máquina
Não sou o símbolo do entusiasmo
Meu coração dói, minha garganta seca
Caio, desabo
Acabo, esvaio
Não sei onde ir
Fecho os olhos e tento não pensar
Não consigo e vou
Quero esgotar.

Blog "Cativa do deserto"

2008, dezembro 04 - Minha pintura à óleo Boteco foi exibida no blog Cativa do Deserto, ilustrando o poema "Conversa póstuma", de autoria de Miguel do Rosário. Publicados por Camilla Lopes. Fragmento:

"de que adianta morrer
se deixas teu cheiro
e contas não pagas
em hotéis baratos
da praça Tiradentes?" [...]

Blog "Decaminho do rebolo"

2008, dezembro 03 - Minha pintura digital "Trio de amantes" foi exibida no blog Descaminho rebolo, ilustrando poesia de Shakespeare.

Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.

Novembro

Blog "Zingador"

2008, novembro 26 - Minha pintura acrílica da década de '80 "Homem pássaro" foi exibida no blog Zingador, ilustrando a poesia "Amor".

"Ah esse amor em meu peito
Me consome, me gasta, me revigora
Sinto que levito, estremeço
Subo, subo e as vezes não há como descer,
Apenas deslizar
Nesse caminho, não me findo, não me vou e vou
Estou emanando, rindo, gracejando
O amor me deixa como sou
Leve, fácil de entender
Inteirado, mexo em tudo
não tiro nada do lugar
O amor me prende
Relaxa-me e me deixa sem ar e depois me oxigena
Noutros momentos de solidão
O amor me transmite o pensar e adianta o sonhar
Esquecer, juntar outros sentimentos
Me encharco, me encho
Transbordo palavras,
Derramo lágrimas
Esvazio, gozo.
O amor me enaltece, lança-me por a
E aqui estou, por onde for."

Blog "Viva a poesia"

2008, novembro 21 - Minha pintura Poeta meditando foi exibida no blog Viva a poesia, ilustrando o poema "Epitáfio para la tumba de um poeta", de José Hierro, editada pelo poeta e professor Sílvio Persivo.

"Toquei a criação com a minha testa.
Senti a criação com a minha alma.
As ondas me chamaram para o fundo.
E logo as águas se fecharam."

Blog "Verdade é, se lhe parece"

2008, novembro 21 - Minha pintura acrílica "Favela" foi exibida no blog Verdade é, se lhe parece, ilustrando a poesia "Na terra do sabiá", de Pégasus.

"Na terra onde canta o Sabiá
não tem sanhaço que resista, nem pinta-roxo
Que permaneça na esperança de viver em segurança.
Tem pardal chorando mendicância,
Assum preto discriminado...
Mas a gente vai levando, dando jeito aqui e acolá,
Na boa terra onde canta o Sabiá.
Por mais terra que percorra não encontro gente como lá!
Mas não tem João-de-barro com moradia,
Nem ninhaço de tuiuiu, vira-bosta não aposta
Que pasto busque o que há,
Na boa terra onde canta o Sabiá...
A asa branca Já se despediu de lá,
Com fome e na miséria...
Fugi com as andorinhas para o norte frio,
Mas bem-te-vi vai ficando, esperando
Com toda a fama e lama!
Sabiá, vai levando."


2008, novembro 18 - Minha pintura digital Beija-sapo foi exibida no blog Coluna Cultural Telescópio, do poeta e editor Every Carrara, ilustrando o poema "Verbo de Ligação" de Neida Rocha:

"A vida é vaga.
A morte é certa.
O Sol é seu.
O medo é meu.
O ninho é nosso.
A noite é longa.
A morte é certa.
A vida é breve."


2008, novembro 18 - Minha pintura acrílica Amantes foi exibida no Blog do Mikael, ilustrando o poema "Os acrobatas" de Vinícius de Moraes.

Outubro

Blog "Leituras"

2008, outubro 28 - Minha pintura digital "Poeta meditando" foi exibida no blog Leituras, ilustrando a poesia "O poeta".

O poeta escreve, debruçado, esquecido, alienado,
Inventa novos mundos, irreais, irracionais,
Escreve sobre sonhos, seres que habitam nas suas ilusões, mundos de emoções
Poeta sonhador.

O poeta escreve, olhando em volta, atento, revoltado,
Retrata realidades, seres que sofrem dificuldades,
Escreve sobre pobreza, racismo, fome, trabalho
Poeta relator.

O poeta escreve, sorridente, apaixonado, emocionado,
Descreve alegrias mundanas, cores, pessoas, flores, sabores,
Escreve sobre vida, nascimento, esperança, tolerância
Poeta optimista.

O poeta escreve, embriagado, coração apertado, desamor,
Conta-nos a profundidade da dor, amargura, noite interior,
Escreve sobre a morte, o frio, desesperado e sê
Poeta triste.

O poeta escreve concentrado, brincando, ouvindo a música das palavras,
Rima animado, produzindo ecos e sons,
Escreve sobre tudo, sobretudo para rimar
Poeta cantor.

O poeta escreve enamorado, outras vezes desiludido,
Conta-nos paixões, encontros, amores, também desencontros,
Escreve sobre amor etéreo ou carnal, platônico ou real
Poeta amante.

O poeta pega nas palavras, uma a uma,
E constrói sonhos, verdades, alegrias, tristezas, ritmos ou paixões
As palavras pegam no poeta, com cuidado,
Misturam-se no seu interior, saem palpitantes,
Fazem-se necessidade do poeta em se expressar, em comunicar.

J tudo foi dito, as palavras vagueiam bem por cima de nós,
Nebulosas memórias da verdade ou luminosos espectros da vontade.
Já tudo foi dito.
Por isso o poeta pega nas palavras e diz tudo de novo, de outras formas
As palavras pegam no poeta para que as relance e ninguém esqueça.

"Fada verde"

2008, outubro 27 - Minha pintura digital "Fada verde" foi exibida no blog A fada verde, ilustrando a poesia "Depois".

Essa é rápida
esta é atoa
esta é minha
sem correção, tentando escrever
escrever, trabalhar, atrapalhar, viver

Depois da TV venho aqui de novo
trabalhar, atrapalhar
Depois de TeVer caio em mim de novo
trapacear, arrecadar
E quando acho que estou chegando lá...

Tenho mais umas 8 quadras pra andar.

Blog Recanto das Letras

2008, outubro 21 - Minha pintura acrílica Camarim foi exibida no blog Recanto das Letras, ilustrando o poema "Camarim", de autoria da poetisa Miriam Dutra:

"Encantam-me luzes
e neons futuristas
de um camarim.

Colo na face a máscara rosada,
arte do make-up-folhetim.

Desastre....

Nenhuma fantasia ficou bem em mim...."

Blog "Versos e perversos"

2008. outubro 10 - Minha pintura à óleo Mergulho foi exibida no blog Versos e Perversos, ilustrando o poema "Cremado", de Luciano Fraga.

"Do alto da minha soberbia
sou cinzas
sem jardins,
sem mares ou ventos,
sozinho,
rio de mim sem rodeios
em meus pensamentos,
assim
como poderei me espalhar?"

Setembro

Blog "Bar do escritor"

2008, setembro 26 - A pintura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog Bar do Escritor, do poeta e editor Giovani Iemini.

Blog "Overmundo"

2008, setembro 17 - Minha pintura digital "Homem na sarjeta" foi exibida no blog Overmundo, ilustrando a poesia "Pela sarjeta", de Fátima Venutti. Republicado em 2008, agosto 14 no blog "último beijo".

"Larga vala
Espelha
(sem dó)
A esfinge do ser

À prova
Macula sombras
(bestas disfarçadas)
Dissolve o tempo
Em débeis sementes
Desprende
A alma da esfera
E recria
Discursos vogais

Velhas palavras
Dúbios sentidos
De olhares inchados
De corpos retidos
E falas infamadas

Ao revés
Do meio fio
Uma sombra convence
O amanhecer
Póstumas lembranças
Relíquias escondidas
Embarcam nas bocas-de-lobo
Despedaçam
desaparecem
Ficam os olhares
Perseguindo vazios
Na mente das serpentes
(piscam rubis)

Larga vala
Pensão da escória
Luxúria da derme
Que acolhe e recolhe
Podres vômitos sociais."

Blog Poesia para poucos

2008, setembro 16 - Minha escultura em cimento "Amantes" foi exibida no blog Poesia para poucos, ilustrando a poesia "representação do amor na idade da pedra esculpida".

Lasco pedra
e parto ao meio
o cio que veio
e agora espera
do amor o casco.

Tasco pedra
no vazio do prato
e dou a comida
mais cabo que rabo
lambendo os cascos.

Masco os fumos
das fêmeas
na língua do frêmito
que evapora no calor
das horas gozosas.

No cume do molde
me vejo em névoa
na ponta da pedra:
escultura ou só barro
quente em orgasmo?

Findo e fundo o afã,
não há respostas
por quê acamados
da fúria até a calma
amantes, cio e pele.

Blog "Overmundo"

2008, setembro 14 - Minha pintura à óleo 'Amantes' foi exibida no site 'Overmundo', ilustrando a poesia 'Credo', de autoria de Saavedra Valentim.

'Acreditei em seu amor
Feri-me profundamente.

A lâmina de sua traição
Perfurou órgão vital da minha morte!
Fratura exposta de um coração dilacerado,
Peito aberto, alma fechada.

Encarcerado, ainda,
Talvez sempre o seja,
Sentença de um tribunal tendencioso,
Que o vitimado condena!

Mortalmente ferido,
Amor ainda exala,
Esse coração desavergonhado,
Mesmo esnobado, pisoteado.

Mar de lágrimas rubras
Manchou minhalma límpida,
Jorrou-me fervente na face,
Abriu ferida, dor imensa.
Restou profunda cicatriz,
Certificado de desilusões vividas,
Vida mortificada em vida.

Abduzida a outros sonhos,
A outros amores, desamores.
Rosa escarlate, pétalas macias,
Cujo néctar oferece barato
A qualquer zangão, sedento.

Doçura outrora,
Fel agora,
Veneno amanhã!

Tento livrar-me das amarras,
Mas suas garras cravam-me,
Como uma águia voraz,
E conduz-me ao alto,
Ao etéreo, ao divino,
Em seu ninho dividido.

Sem piedade conduz-me
Ao espaço sem destino.
Resgata-me do passado,
Aprisiona-me no eterno,
Tortura-me no presente.

Com futuro incerto,
Com uma única certeza:
Eu, simples mortal,
A mendigar uma gota desse néctar,
Que provoca delícias aos "Deuses",
Em troca, oferendas de puro ouro,
Contraste ao meu pobre amor pobre,
Com certeza, opaco aos seus olhos,
Visto ser metal barato, que não reluz.'

Blog "HF diante do espelho"

2008, setembro 04 - Minha pintura Beira do rio foi exibida no blog HF diante do espelho, ilustrando o poema "Cascata", da poetisa Hercília Fernandes.

'Há um travo na garganta
e um travo nos olhos.

Um metro de lâmina
e uma granula de ópio.

há uma palavra não-dita
e um silêncio gritante.

Uma ponte escondida
e um chinelo azul verdejante.

há uma roda viva
e um mar morto

Uma verdade esculpida
e um cavalo solto.

há coisas para serem ditas
umas - outras - melhoradas...

Uma lágrima fingida
um riacho cheio d'alma:

sebo
nervo
alheio

em cascata.'

Blog Transversal do tempo"

2008, setembro 03 - Minha pintura digital Poeta meditando foi exibida no blog "Transversal do tempo", da poetisa Renata Maria, ilustrando o poema "Ficção":

"Tentei ser triste num país sem nome.
Voltei de lá sem saber o que é saudade.
Fui para minha terra onde sorrir é invenção.
E o poeta de lá sou eu sim, senhor."

Agosto

Blog "Enfim   o que tem"

2008, agosto 31 - Minha pintura à óleo Forró foi exibida no blog Enfim! é o que tem pra hoje, do filósofo e editor Paulo Braccini, ilustrando a poesia "Forró na Fazenda" (fragmento) de Sônia Maria Cidreira de Farias.

"O forró lá na fazenda
vai até as altas horas
Invadindo a moenda
Sacudindo as senhoras!

Até o galo vem dançar
co'a galinha carijó
Esta a cacarejar...
dá um nó em seu gogó!

A égua e o cavalo
gostam de se esfregar
E no meio do embalo
já começam a namorar!

....

Se você quer ser feliz
seja simples por favor
Ouve a vida que lhe diz...

"Só cultive o amor"!"

Blog Último beijo

2008, agosto 14 - Minha pintura digital Homem na sarjeta foi exibida no blog Último beijo, ilustrando a poesia "Pela sarjeta".

Larga vala
Espelha
(sem dó)
A esfinge do ser

À prova
Macula sombras
(bestas disfarçadas)
Dissolve o tempo
Em débeis sementes
Desprende
A alma da esfera
E recria
Discursos vogais

Velhas palavras
Dúbios sentidos
De olhares inchados
De corpos retidos
E falas infamadas

Ao revés
Do meio fio
Uma sombra convence
O amanhecer
Póstumas lembranças
Relíquias escondidas
Embarcam nas bocas-de-lobo
Despedaçam
desaparecem
Ficam os olhares
Perseguindo vazios
Na mente das serpentes
(piscam rubis)

Larga vala
Pensão da escória
Luxúria da derme
Que acolhe e recolhe
Podres vômitos sociais.

Julho

Blog "Tatuagem"

2008, julho 22 - Minha pintura digital Ninfas dançando foi exibida no blog Tatuagem, da poeta Carmen Fossari, onde ilustrou a poesia "Ilha feminina". Fragmento:

"O mundo feminino
Abre-se de úteros
Como as folhas em pétalas
Que amanhecem
Jardins, mundos, infâncias, flores
O universo adulto do corpo amoroso
Comportando outro corpo
Da luz lasciva de todos os tatos
Os sentidos, a intuição
O homem barro macerado
Que habita seu mundo
De dança e música

O feminino,nossa identidade
carregamos na história
Tantas estórias de dores
Que um ser, por qualidade
De gênero amalgamou
Nas paredes do mundo
nãos imperativos,
Revelações semânticas
do femina
A fome
A dor
A pobreza
A miséria
A intolerância
A guerra

Mas o tecido involucrável
Descobrindo em nudez
A palavra mulher
Tece em desejos

A paz
A alegria
A fartura
A riqueza
A tolerância
A criação

Aos mapas ortográficos
As veias onde pulsam
O ser feminino, Mulher
O masculino ser, Homem

Indicam a geografia
De país algum
Que não o construído
De ventos e sonhos
De vísceras e suores
De esperanças e lágrimas

Ao fogo que acende
As almas, quando anoitece
O corpo abrirá seus braços
Aos abraços
Femininamente amorosos
Ao masculino homem
Tão frágil quanto a fragilidade
que enunciou da mulher
pelos confins dos tempos."

Blog "Achamarte"

2008, julho 17 - Minha pintura digital Burquinha foi exibida no blog Achamarte, da poetisa e editora Clevane Pessoa de Araújo, ilustrando o poema "Burquinha":

"Bom o tempo-que-rola
nas bolinhas-de mundo-miniatura.
Cada bola-de-gude parece uma planeta,
uma beleza de olhar.
Longe uma voz chama:
-"Menino, venha Já para casa"...
O susto aponta o tempo-que passou
num instante, como-é-que-pode?
Meninos debandam.
Uns, transidos de medo, sabem que vão apanhar.
Mas amanhã...ah, o mundo encantado
recomeça..."

2010, maio 30 - A poeta Clevane Pessoa republicou esta poesia no site da Unión Hispanoamericana de Escritores, em uma coletânea intitulada 'Quando poetizo pinturas de João Werner - alguns poemas meus e obra dele'. As poesias foram criadas a partir de 3 de minhas gravuras, 'Burquinha', 'Parada de ônibus' e 'Angelina se mutila'.

Blog "Achamarte"

2008, julho 17 - Minha pintura à óleo Parada de ônibus foi exibida no blog Achamarte, da poetisa e editora Clevane Pessoa de Araújo, ilustrando o poema "Parada de ônibus":

"A idade se repete nas filas
dos ônibus.
A ansiedade, a agonia, o medo do atraso,
a vontade de chegar em casa,
a necessidade de fugir,
o passeio esperado,
o desejo de abraçar os bem-amados,
tudo é somado, pedaços de conversa,
celulares e retalhos de assuntos,
expostos quais frutas em banca de feira.
nenhum pudor em xingar, reclamar, se desculpar:
cada um tem sua musiquinha, uns jogam ,
outras consultam recados...
E o tempo urge, ruge,, a turma/turba reage,
um coletivo passou sem parar.
"É porque não pago mais passagem", treme o idoso
ao desabafar.
Alguém tem cólicas, uma das mulheres se encolhe,
cai ao chão e começa a dar à luz.
Um trombadinha aproveita a confusão
e bate a carteira de alguém.
Fulaninho nasce ali mesmo:
um dia ele também estará numa fila, esperando
ônibus.
Na parada em movimento.
O dia quer dormir, a noite começa a esperar
também...
E com ela, os trabalhadores da noite, os boêmios e os
insones
a esperar outros ônibus..."


2010, maio 30 - A poeta Clevane Pessoa republicou esta poesia no site da Unión Hispanoamericana de Escritores, em uma coletânea intitulada 'Quando poetizo pinturas de João Werner - alguns poemas meus e obra dele'. As poesias foram criadas a partir de 3 de minhas gravuras, 'Burquinha', 'Parada de ônibus' e 'Angelina se mutila'.

Blog "Ultimagotad"

2008, julho 09 - A pintura digital "Salto" ilustrou o blog ULTIMAGOTAD, texto da artista radassi. Fragmento:

"Tudo mesmo tem um por que?
Tudo pode acontecer?
As coisas acontecem por acaso?
Ou porque está escrito?
E o descaso vem ao acaso?
Enfrentar vale mesmo apena?
Saber o que vai acontecer é bom?
Ou não saber e seja o que Deus quiser - melhor?
Aventura ou desventura?
Apropriar ou aprovar?
Criticar é ajudar?
E se agravar a situação?
Ausência ou presença?
E o tempo?
RESPONDE?"

Junho

Blog "Nada agradável"

2008, junho 16 - Minha pintura digital "Lâmina" foi exibida no blog Nada agradável, ilustrando a poesia "Lâmina querida".

"Levante-se é hora
Precisamos achar um lugar melhor pra nos esconder
Decida-se
Eu preciso saber eu preciso saber hoje a noite

doce e divina
minha navalha
doce e divina
lâmina brilhante

Paciência minha querida
Podemos passar a vida toda esperando aqui
Talvez dessa vez
Eu espero ter chance de dizer adeus

Dia após dia
cortando
Dia após dia
Mas de qualquer jeito

doce e divina
minha navalha
doce e divina
lâmina brilhante

Paciência minha querida
Podemos passar a vida toda esperando aqui
Talvez dessa vez
Eu espero ter chance de dizer adeus

doce e divina
lâmina brilhante...

Eu particularmente acho uma coisa ridícula...
Mas estou em fase........."

Blog Poemas e poesias

2008, junho 07 - Minha pintura acrílica "Favela" foi exibida no blog Poemas e poesias, ilustrando a poesia “Morro".

Do que morro,
Se moro no morro?
Pela manhã ponho meu gorro
E desço as ruelas pro sorvo.
Ouço gritos, corro
E peço socorro.
Tiros no povo, o jorro…
De sangue pelo corpo.
Em braços e pernas o porro.
Vejo casas sem forro.
Mas, na favela tudo é torvo
Nas vielas, no beco torto
Há gente morta que alimenta o corvo.
Então, cadê a áurea e o forro?
No morro? Eu morro,
Do apelido zorro.

Blog "val ria Eik"

2008, junho 01 - Minha pintura digital Casal III foi exibida na Revista Eletrônica Conexão Maringá, ilustrando o poema "Modo de amar" da poetisa Astrid Cabral. Trecho do poema:

"Amor com tremor de terra
abalando montanhas e minérios
nas entranhas da minha carne.
Amor como relâmpago e sóis
inaugurando auroras
ou ateando faíscas e incêndios
nas trevas da minha noite.
Amor como açudes sangrando
ou caudais e tempestades
despencando dilúvios.
E não me falem de ruínas
nem de cinzas, nem de lama. "

Blog "val ria Eik"

2008, junho 01 - Minha pintura digital Moça nua foi publicada na Revista Eletrônica Conexão Maringá, ilustrando o poema "Redentoras", do poeta Erorci Santana. Trecho do poema:

"Sejam as mulheres como as rosas
ou como as aquarelas,
quando estão conosco, quando não,
quando vibram, quando alegram,
quando doem, quando vêm e quando vão,
quando sobem as ladeiras,
quando descem passarelas.

Tragam com elas os incorruptíveis
sinais da beleza, ainda que se saiba
impossível sua erupção
fora da alma feminina, do corpo da mulher,
esse vulcão que trabalha nosso desatino,
faz a nossa inelutável rendição.

Ainda que se pense em mar, em céu,
no incrível arco multicor, no ar
que impregna a flora e balança
os frutos verdes após a chuva.

E até no rodopio do ciclone,
que louva Deus bailando
sua aterradora e tresloucada dança,
nas noites austrais, nas auroras boreais,
numa explosão de luzes no setentrião.

Nada disso ou tudo isso sequer
supera uma lembrança de mulher.

Fora de seu riso e de seu colo,
não há razão de ser, nem como florescer
a magia, a poesia, o êxtase, a canção.

Chame-se então deslumbramento
a essa compulsória devoção.
E nesse diapasão lírico,
celebro as que se foram,
cuja ausência confrange o coração,
as que esperam e acenam da janela, aquelas
que virão mitigar a dor de existir,
reinventar a fúria sagrada do amor.

As que passam majestáticas
e a gente acompanha com o olhar refém.
Aquelas que apesar de entusiasmo e de desvelo
só nos dão o seu desdém.

As que não são vilãs, nem heroínas,
nem escravas, nem rainhas, nem fundamentais;
algo mais que a sina feminina
ou a maioridade que a elas se negou.
não se diga "bela esta mulher"
porém bonita sua própria condição.

Surpreendam sempre como o plenilúnio,
o arco-íris, o solstício de verão,
não falte nesse comovido poema
uma voz aveludada, uma mecha de cabelo,
os opulentos seios das hollywoodianas,
as pernas de garça das nordestinas,
a imensa tristeza das chinesas de pés pequenos.

Dá-se às mulheres o leme do mundo, deixem-nas
recuperar o sentido perdido da ternura,
apontar um outro rumo, à margem
da brutalidade, da carnificina masculina,
uma trégua para repensar se vale a pena
parir e amamentar mísseis e canhões.

Dá-se a elas o sonho do homem e grande
e do menino; dá-se às mulheres-mães o direito
de intervir no conselho de guerra das nações,
o direito de escolha além da irracionalidade viril
e da imbecil mutilação dos homens tolos.

Que além de toda dor e corrupção
cinja-se o corpo da mulher
ao corpo do poema, e de ambos
não se aparte a beleza suprema.

Vão à vosso esmero, estilistas da confecção!
Esse corpo de mulher, divino e magistral,
só precisa de raio solar, folha de parreira.

Mas dá-se a elas bons frascos de perfume,
batons variegados, provocantes lingeries,
vestidos de organdi.
Dá-se a elas inclusive a ilusão
de que precisam de séquito, vestais,
de algo mais que a generosidade
de suas curvas, que a seda de suas peles.

Deixem-nas pensar que podem superar
a grandeza de sua própria criação.

Sejam bem amadas as amantes,
orquestrados com cuidado seus suspiros
inebriados, os frágeis cristais e os apelos
de sua carne insaciada.

Sejam os rompantes das mal amadas
amparados com carícias em dosséis
e o fogo que elas trazem represado
arda nos flancos, ao galope dos corcéis.

Sejam como as rosas abertas,
cintilantes, despudoradas, acesas
ou como aquelas fechadas,
grávidas de promessas e belezas.

Sejam gráceis, redentoras.
Sejam salvação."

Maio

Blog do escritor

2008, maio 18 - Minha pintura digital "Violeiro" foi exibida no Blog do escritor, ilustrando a poesia "Menino violeiro" de Jairo de Lima Alves.

"Vi uma coisa bonita que alegrou meu coração:
um menino violeiro num canal de televisão...
Thiago Henrique tocava movido de emoção,
a plateia toda aplaudia num gesto de gratidão.

Com sete anos apenas dedilhando uma viola,
em "sonho de violeiro" que apareceu agora;
o menino vai tocando e a cada dia melhora...
é um dom de Deus, sem precisar de escola.

A viola vai tinindo, ele mostra o seu valor...
o sorriso de criança desabrocha com amor;
na alma a simplicidade que veio do interior,
"isso é coisa de Deus", como disse o locutor.

O menino da viola merece o nosso carinho,
ele é um grande prodígio, tocando o seu pinho.
Faz proezas nas dez cordas, com o papaizinho...
o menino violeiro vai seguindo o seu caminho."

Abril

Blog "Moçambicanto"

2008, abril 27 - Minha pintura acrílica Argudão foi exibida no blog Moçambicanto, ilustrando a poesia "Gente a trouxe-mouxe".

"Gente à trouxe-mouxe da má sorte
calcorreia a pátria asilando-se onde
não cheira a bafo
de bazucadas.

Gente que gastronomiza
desapetitosos bifes de cascas
guisados de raízes ao natural
e sobremesas de capim seco.

Gente dessedentando martírios
nos charcos se chover.
...
ou a pé descalço dançando.
A castiça folia.
Das minas."

Blog "Orgasmaravalha-me"

2008, abril 11 - Minha pintura à óleo Boteco foi exibida no blog "Orgasmaravalha-me", ilustrando a poesia "bom dia, tristeza".

"bom dia, tristeza!
que tarde, tristeza!
você veio hoje me ver.
Já estava ficando até meio triste
de estar tanto tempo longe de você.
se chegue, tristeza!
se sente comigo
aqui nessa mesa de bar,
beba do meu copo,
me dá o seu ombro
que é pra eu chorar:
chorar de tristeza,
tristeza de amar."

Março

Blog "Cirando do esquecimento"

2008, março 31 - Minha pintura digital Sátiros e ninfas foi exibida no blog Pirulin lulin lulin, ilustrando a poesia "Epitáfio para um sátiro" de Manuel Bocage, postado por Laurene Veras.

"Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi-gratia é o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:

não quero funeral comunidade,
Que engrole "sub-venites" em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:

Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:

"Aqui dorme Bocage, o putanheiro;
Passou vida folgada, e milagrosa;
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro".

Blog "Valéria Eik"

2008, março - Minha pintura digital Poeta meditando foi exibida na Revista Eletrônica Conexão Maringá, ilustrando poema "Recusa poética", do poeta: Ricardo Mainieri.

"A poesia foi recusada
quando buscava emprego.

Simplesmente queria mostrar-se
aos olhos sensíveis
sem remuneração nem aplausos.

Precisava ela adereços
escrita automática
provocar o estranhamento
nas entranhas dos leitores?

Ser pós, neo-barroca, intertextual?

não poderia ser simples
refletir a sina diária
na voz do homem sufocado
pela cidade & suas sequelas.

não há vagas dizia Gullar
apenas feiticeiros da linguagem
e suas pirotecnias..."

Fevereiro

Blog Recanto das Letras

2008, fevereiro 27 - Minha pintura à óleo Forró foi exibida no site Recanto das letras, ilustrando o poema "Forró na fazenda", da poetisa Sônia Maria Cidreira de Farias. Fragmento:

"O forró lá na fazendabr>vai até as altas horas
Invadindo a moenda
Sacudindo as senhoras!

Até o galo vem dançar
co'a galinha carijó
Esta a cacarejar...
dá um nº em seu gogó!

A água e o cavalo
gostam de se esfregar
E no meio do embalo
Já começam a namorar!

....

Se você quer ser feliz
seja simples por favor
Ouve a vida que lhe diz...
&"Só cultive o amor"!"

Blog "Cultura livre"

2008, fevereiro 20 - Minha pintura digital "Lavadeira" foi exibida no blog Cultura livre, ilustrando a poesia "Mãe lavadeira", de Mírian Warttusch.

"Fechei os olhos, ouvindo o som do bate-bate
E enquanto eu ainda dormia, tão quentinho,
Minha mãe Já há horas enfrentava o tanque,
será que eu merecia ficar recolhidinho?

Levantei depressa e resolvi que a minha mãe
Estava muito cansada de tanto trabalhar
E de fininho, fui saindo pelas ruas da favela
E cheguei à cidade resolvido a mendigar

Estendi minha mãozinha suja de poeira,
Meus pés descalços doíam de tanto caminhar
Alguns passavam, sem nem pra mim olhar,

Mas outros tiveram pena e na minha mãozinha,
Colocaram, sim, uma pequena moedinha,
QQue levei correndo para minha mãe, a lavadeira"

Blog "Teia de palavras"

2008, fevereiro 05 - Minha pintura digital Sinuca foi exibida no blog Teia de palavras, ilustrando poesia de Casti.

"O jogo na mesabr>Um taco
Noite inteira
Conduzindo aspirações
Para a caçapa
Vontade numa tacada
Certeira
Matreira
Firmar a ponteira
Desce uma talagada
Da pinga de primeira
PPonto final..."

Blog Valéria Eik"

2008, fevereiro - Minha pintura Amantes foi exibida na revista eletrônica Conexão Maringá, ilustrando a poesia "O Corpo Restituído", de Américo Teixeira Moreira.

"E ninguém saberá onde toco
quando os meus dedos súbitos
cantam no meio de uma aranha
ameaçada, a receber a feliz oferta
de um exercício silencioso.
Seràs consumida como uma fértil
rosa encrespada sobre as minhas nádegas
entorpecidamente duras e o tépido
contorno das tuas coxas projectadas
de encontro ao instinto selvagem
que assim morre vivo
deliciosamente exausto como uma
pétala delicada no recolhimento
das pálpebras ensonadas.
Tudo, meu amor, está nas nossas mãos:
esta harpa tranquila e delicada
estranhamente desnudada pelo êxtase dos dedos
em busca de uma laranja posicionada
para ser repartida nos
seus gomos sumarentos de fantasia.
Vacilante e mordente cais dissipada como
se fosses um estalido,
um sopro adormecido pela minha baba
opiária. Então amorosamente beijo
o teu sexo desvairado na simbologia
da passagem do sagrado para o profano
de uma identidade, de um novo caminho.
Assim renascidos da vertigem dessacralizada
sseremos a transumância dos amantes primitivos. "

Janeiro

Blog "Teia de palavras"

2008, janeiro 19 - Minha pintura digital Esperando clientes III foi exibida no blog Teia de palavras, ilustrando poesia de Casti.

"Os carros passam lentamente, observando a mercadoria, avaliando e alimentando o desejo... Coxas, seios, bocas à mostra, oferta do "móvel" que tem para todos os gostos taras e fetiches. Negociações e acordos, ela quer o dinheiro, ele quer o resgate do desejo que por algum tempo foi sepultado..."

Blog "Site de poesias"

2008, janeiro 14 - Minha pintura acrílica "Amantes" foi exibida no blog Site de poesias, ilustrando a poesia "Pura sedução".

"No tom da tua voz,
Lapido meus desejos,
Rompo meus medos,
Em pura sedução!

Boca entreaberta,
A balbuciar teu nome,
Num sussurro constante,
Um apelo pertinente:
Abuses de mim!

Meus seios,
Teus montes;
Mamilos duros;
Picos do Everest,
A te implorar sucção!

Meu ventre,
Teu mapa;
Tua trilha,
Tua entrada;
Suporte do teu mastro,
E da tua bandeira Hasteada!

No tom da tua voz,
EEm suma, SEDUÇÃO!"


2008, janeiro 07 - Minha pintura à óleo Boteco foi exibida no blog Poesia vã, ilustrando poesia de Lipe Du.

"O abrigar de uma nuvem...
Céu ensolarado e mais um dia de curtição.
Sem um sundown
Pedimos sombra, pelo amor de deus!
e tentamos tapar-lhe
Sol!
Sugerimos isso e aquilo outro
Bate-boca amigável
Conta-se a novidade de ontem
O noticiado que apenas um viu e se
encarregou de passar...
Antenas!
A louca foi presa,
O ministro fez uma piada infeliz...
Queremos mais e mais,
Ali na esquina mais um copo
e mais música
e um boteco que acaba de abrir serve de refugio aos nossos anseios de fim de semana
Tanta expectativa pra dois únicos dias
QQueria é mais"

Blog "Tatuagem"

2008, janeiro 04 - Minha pintura digital Abstrata foi exibida no blog Tatuagem, ilustrando a poesia "Vento" de Carmen Fossari.


Ventania na litania
Impalpável das membranas
úteras que te constroem desde sempre
Argamassa de pesadas dores
Umbilical cordão da humanidade
Que aterra teu invólucro e te faz
Presa de ti mesmo
Desde o lado que mastigas
As migalhas da escuridão de outras pessoas
O olho que vislumbra da ampla claridade
A centelha oclusa em breu
Ao canto alojada sendo de outro ser
A tua mesma cicatriz de escuridão
Tento eu tentáculos atravessar
A cortina férrea, onde fincas teu estar.
Talvez eu mesma em crendo a claridade
Por tentar transpor esta barreira
Seja da instransponível mediação
A luz oclusa aterrada ao que passou. [...]