Entalhe "Alegoria à vida do 'Lugar sem nome'"
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Trabalhei neste painel durante 18 meses, aproximadamente.
Foi um período quase monástico para mim.
Entalhava diariamente, consumia muitas drogas.
Era um adolescente recém chegado de Nietzsche, Hermann Hesse e Dostoievsky. Gostava da cultura grega.
O cheiro do cedro, o tac-tac do trabalho de "pica-pau" são lembranças muito emotivas para mim.
Foi um período quase monástico para mim.
Entalhava diariamente, consumia muitas drogas.
Era um adolescente recém chegado de Nietzsche, Hermann Hesse e Dostoievsky. Gostava da cultura grega.
O cheiro do cedro, o tac-tac do trabalho de "pica-pau" são lembranças muito emotivas para mim.
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Dados técnicos
Painel entalhado em pranchas de cedro.
Dimensões aproximadas de 18 m². Localizado na cidade de Ibiporã, PR. Realizado em 1982.
Painel entalhado em pranchas de cedro.
Dimensões aproximadas de 18 m². Localizado na cidade de Ibiporã, PR. Realizado em 1982.
O "devorador de olhos"
Este painel é uma experiência mística, pessoal e lisérgica, traduzida através da interação entre sete figuras dispostas em dois planos
distintos.
Conforme se pode ver no diagrama acima, embaixo há duas figuras, o 'Devorador de olhos' (nº 1 no diagrama) e a 'Ninfa correndo' (nº 2).
Do lado superior, à esquerda, duas figuras de mãos dadas (nº 3). A mulher segura os cabelos esvoaçantes da ninfa que corre. O homem segura uma muda de cipreste que será plantada.
O último grupo de figuras é uma tríade inspirada na iconografia de antigos deuses hindús (nº 4). É uma mesma personagem repetida três vezes em situações distintas. A primeira aparição, ajoelhada, cava a terra onde será plantado o cipreste. A segunda está de joelhos e voltada à direita, lança olhos que depois adquirem asas. A terceira personagem está de pé e tenta alcançar o sol ao alto.
Entremeados a estas sete figuras há uma profusão de pequenos personagens, plantas e texturas.
Conforme se pode ver no diagrama acima, embaixo há duas figuras, o 'Devorador de olhos' (nº 1 no diagrama) e a 'Ninfa correndo' (nº 2).
Do lado superior, à esquerda, duas figuras de mãos dadas (nº 3). A mulher segura os cabelos esvoaçantes da ninfa que corre. O homem segura uma muda de cipreste que será plantada.
O último grupo de figuras é uma tríade inspirada na iconografia de antigos deuses hindús (nº 4). É uma mesma personagem repetida três vezes em situações distintas. A primeira aparição, ajoelhada, cava a terra onde será plantado o cipreste. A segunda está de joelhos e voltada à direita, lança olhos que depois adquirem asas. A terceira personagem está de pé e tenta alcançar o sol ao alto.
Entremeados a estas sete figuras há uma profusão de pequenos personagens, plantas e texturas.
Detalhes do plano inferior do entalhe
Detalhes do plano superior do entalhe
Recorrências
- Quando uma figura nos agrada, ela persiste na memória e retorna, de vez em quando sob novas roupagens.
Estes dois quadros recentes (à direita) foram inspirados em figuras já presentes no painel de madeira de 20 anos atrás. -

Fortuna crítica e poética deste relevo em madeira

2009, outubro 02 - Meu entalhe em madeira "Alegoria à vida do 'Lugar sem Nome'" foi exibido no blog
Inspirar poesias, ilustrando a poesia "entalhe".
"Teu grito ecoa e eu replico a dor. Guardo esse nome que sibilo em sons, prá sempre. E longe é perto e mesmo longe estás aqui em mim. Entalho um rosto em minha pele. Incrusto um nome e intacta, cravo essa memória em Cedro. Um cheiro e um monastério. Silente eu ouço a tua fala ausente. Tátil é o contorno do teu rosto que ainda guardo os traços. Entalho a cena e pigmento em cedro o pó. Em negro tinjo a dor que hora sentes à forja e o fogo com que grafas a inteireza desse teu momento. Na textura da madeira entalho os lábios teus. E os olhos são de apóstolo fiel. Entalho em mim sinais de tua passagem pela terra. E se há uma vida que se apressa em ir, eu paro o tempo e esmago a dor e a morte. Entalho em mim a contrição desse abandono. Arregalados olhos espalho ao vento toda essa iniquidade. Entalho em versos o meu desejo. Traço que em verdade a ti ainda cobiço vivo. Sopro a poeira que a madeira lança. Sopro-te prana clamando à ti, de volta a própria vida. Meu colo é teu abrigo e teu sorriso nesse peito amigo eu sei, as vezes chove. O meu desejo é que mais vida tenhas e ainda tenhas tempo para amar. Se sangram de tuas mãos as chagas, eu sei que é por elas que tu viverás, mesmo que morras qualquer dia desse tempo. Canto essa cantiga de ninar e encanto a noite e deito o dia. Em meus braços teu calvário é meu caminho. Choro a madeira no entalhe do formão. Ainda que tua vida e obra sangrem talhos, empunharei a lança e espantarei as dores. Esse é meu rito por tua vida e aqui eu esfacelo o torrão-morte que te espreita. Em tua defesa evoco a ira. Do punhado do teu medo eu faço morte em pó. E sopro prana e viverás!"
"Teu grito ecoa e eu replico a dor. Guardo esse nome que sibilo em sons, prá sempre. E longe é perto e mesmo longe estás aqui em mim. Entalho um rosto em minha pele. Incrusto um nome e intacta, cravo essa memória em Cedro. Um cheiro e um monastério. Silente eu ouço a tua fala ausente. Tátil é o contorno do teu rosto que ainda guardo os traços. Entalho a cena e pigmento em cedro o pó. Em negro tinjo a dor que hora sentes à forja e o fogo com que grafas a inteireza desse teu momento. Na textura da madeira entalho os lábios teus. E os olhos são de apóstolo fiel. Entalho em mim sinais de tua passagem pela terra. E se há uma vida que se apressa em ir, eu paro o tempo e esmago a dor e a morte. Entalho em mim a contrição desse abandono. Arregalados olhos espalho ao vento toda essa iniquidade. Entalho em versos o meu desejo. Traço que em verdade a ti ainda cobiço vivo. Sopro a poeira que a madeira lança. Sopro-te prana clamando à ti, de volta a própria vida. Meu colo é teu abrigo e teu sorriso nesse peito amigo eu sei, as vezes chove. O meu desejo é que mais vida tenhas e ainda tenhas tempo para amar. Se sangram de tuas mãos as chagas, eu sei que é por elas que tu viverás, mesmo que morras qualquer dia desse tempo. Canto essa cantiga de ninar e encanto a noite e deito o dia. Em meus braços teu calvário é meu caminho. Choro a madeira no entalhe do formão. Ainda que tua vida e obra sangrem talhos, empunharei a lança e espantarei as dores. Esse é meu rito por tua vida e aqui eu esfacelo o torrão-morte que te espreita. Em tua defesa evoco a ira. Do punhado do teu medo eu faço morte em pó. E sopro prana e viverás!"
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2007, Dezembro - Publicada na revista eletrônica Cyberartes, na seção "Artista da semana", texto de Ronaldo Carneiro Leão.
- 2007, Janeiro - Publicada em: Revista Eletrônica Conexão Maringá.
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2007 - Exposta na Revista eletrônica ArqBrasil.
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2004 - Publicada no catálogo "João Werner, Catálogo 2004", pp. 8, Londrina (PR), 20 pgs.
- 1987, Abril 05 - Publicado em: Adalice Araújo, Esculturas e pinturas de João Werner, Gazeta do Povo, Curitiba.
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1986, Julho 11 - Publicada no convite da exposição "Escultura pintura", Departamento Municipal de Cultura, Londrina (PR).
- 1986 - Publicada no catálogo "Werner, Esculturas & Pinturas", Londrina, 8 pgs.
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1984, Agosto 09 - Publicada em: Dulcinéia Novaes, João artista, Folha de Londrina, Caderno 2, pp. 13.
Textos críticos
"Cipós emaranhados, hieróglifos, pessoas, pássaros, árvores, muitas árvores, detalhes pequenos e fortes, fazem com que o grande painel seja uma descoberta
a cada momento. Ele vai envolvendo os olhos. é denso nas formas, brusco e suave na textura, agressivo e misterioso nos relevos. É claro
ao deixar evidente os primeiros passos do aprendiz. Como em uma escola, as fases vão se iluminando de maneira sutil."
Dulcinéa Novaes
leia a íntegra deste texto
Dulcinéa Novaes
leia a íntegra deste texto
"Alegoria à vida do lugar sem nome" é o título do painel interno em madeira. Embora nos remeta ao clima simbolista dos relevos em madeira de
Gauguin como "Soyes Mysterieuses" ou "Soyes amoureuses vous serez heureuses", João Werner tece um fabulário muito
pessoal. Utilizando como matéria prima, cedro, através de sete figuras/símbolos que governam o universo, ele redimensiona poeticamente
o mito. Apesar do que pássaros, árvores, cipós e pequenos detalhes eliminam os grandes vazios, as figuras são dotadas de energia, dinamismo
e ritmo. Ao mesmo tempo místico e erótico, esse painel consegue unir monumentalidade e lirismo."
Adalice Araújo
leia a íntegra deste texto
Adalice Araújo
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Tamanho do postal 15 x 21 cm.
Impressão sobre papel fotográfico.
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