"Apresentação de exposição"
Henrique Aragão
Artista plástico
Quando contemplo a "Alegoria à vida do lugar sem nome" tenho a
impressão clara de ver uma síntese. Embora quando João trabalhou no painel
tenha sido o seu primeiro passo de fôlego largo, a obra não é de um
"principiante". Há maturidade de formas e composição e os instantes
em que ele "escapa" do entalhe, criando três dimensões, como no
"Buda" ou "Centauro", já se percebe o aflorar do escultor
que em pouco tempo se revelaria.

Em "Shikasta" onde iniciou a técnica
do concreto aparente, as soluções são necessariamente diferentes e a
"pressa" imposta pela secagem do cimento e a necessidade de trabalhar
na horizontal para depois ver a obra em vertical, em alguns momentos, a forma
não é completamente feliz. Mesmo assim o artista brilha no equilíbrio da
composição de inspiração "clássica".

Conhecendo João, percebe-se uma boa cultura de base, tanto em história da
Arte como em filosofia e religião. Todo o mundo espiritual e mítico inspirado
por estes campos do conhecimento, são vibrantes e vívidos em suas obras e é
comum surpreender-se com aspectos da arte grega arcaica, românica, gótica, e
até mesmo barroca. Isto não como imitação ou cópia, mas, manifestação de
amor pelas obras dos grandes mestres de todos os tempos.
João é um artista erudito e isto é ao mesmo tempo uma graça e uma carga.
O tempo e o trabalho burilarão este jovem que pulsa com intensidade na busca de
técnicas e caminhos que sem dúvida o levarão a produzir obras de importância
e relevo na arte do Paraná.
Dados da publicação
Texto de apresentação do convite da exposição
"Escultura e pintura", Londrina, 1986. |